
Minha marcação de férias é feita pelos equinócios, não pelos solstícios. E sou do time dos sem filhos, o que me exclui da escala de férias escolares. Portanto, janeiro e fevereiro são meses de poucos colegas para os mesmos problemas. Sem falar que a gente tem para sempre aquela nostalgia infantil de achar que não se pode ter compromissos entre dezembro e março.
Tudo estava vindo numa crescente que começou com a temporada européia e culminou com o melhor reveillon em anos numa pequena praia com um outro casal e uma inocência adulta que me é tantas vezes necessária.
Dizem os franceses que as pessoas felizes não têm história. Les gens heureux n’ont pas d’histoire...
Reencontrei a frase lendo a coluna de ano-novo da Danusa Leão na Vogue.
Talvez essa seja a melhor explicação para a demora do ano começar aqui no blog. E talvez seja a exata explicação de estar escrevendo hoje...
Recomeça o ano, recomeçam as rotinas inevitáveis. Só que algo em mim não quer recomeçar, não no mesmo ponto. Algo em mim pede mudanças vezes sutis, vezes drásticas, mas sempre definitivas. E vai ver alguns resgates se exijam.
Conflitos que sempre estão presentes em mim e que nem por isso me fazem ser contraditório - sabemos que me prefiro como paradoxal – mas que me cobram um tempo que eu não ando disposto a dar.
Sou fiel a minha filosofia de deitar a cada dia pronto para não ter o seguinte. Sigo sempre quitado com minhas escolhas. Mas isso não significa que eu vença minhas latências. E se eu não morro de desejo, isso não significa que eu não padeça de dúvida.
Não me nego aquilo que eu quero, mesmo sabendo qual será o preço. Por isso mesmo sou muito cuidadoso com a triagem dos meus desejos.
Ainda não há razão para alardes. Não há nada formulado. São flashes, uns fragmentos de sonhos e uma sensação quase boa, que eu costumava saber no que ia dar. E o esboço daquele cansaço que tentou acabar comigo ano passado.
Mas não dá para pensar nisso a 37ºC.
Claro, há sempre algumas leituras. E às vezes um filme.
Leituras erradas. Erradas para o clima. Ainda estou empurrando o Gilberto Freire e Onfray. Definitivamente, leituras para o frio. Leituras que precisam ser feitas com ritmo, entre goles de chá e com o corpo distraído no sofá. Não funcionam nesse calor inquietante. São autores com linguagem e metalinguagem próprias, é preciso algumas páginas para encontrar a sintonia com o texto.
Sem falar que ler Modos de Homens & Modas de Mulheres em épocas de semanas de moda nativas é piada pronta. E sem graça.
E Up in the air, ou na equivocada versão Amor sem escalas... Um filme que, vejam só, fala de escolhas e conseqüências e de como é possível – e tantas vezes necessário – viver com elas. Ou simplesmente mais sobre somos quem somos. E aquele blábláblá da mochila, mas que me pegou num momento apropriado.





