É diferente ser feio?
Recebo um convite inusitado: uma festa pelo dia do Orgasmo, num clube moderninho, ao som de rock e electro. Não, não acho o Dia do Orgasmo inusitado; não acho que uma festa nesse dia seja inusitado; e muito menos acho música eletrônica inusitada, na verdade acho a melhor para dançar.
Inusitado no convite é a sugestão de um dress code. Embora festas onde se pede que os convidados respeitem uma identidade visual já não sejam novidade, afinal até a Cláudia Raia já exigiu que seus convidados só usassem preto em um aniversário do marido. Eu mesmo já recebi convites com pedidos como “a touch of red”, ou “traje fashion”.
Mas fiquei pensando na idéia do dress code e conclui que toda a festa tem uma espécie de código, mais ou menos rígido, de vestuário. Talvez seja o que os sociólogos chamam de tribos, cada qual com sua pintura de guerra e sua arte plumária. Curioso, mas a roupa aqui serve como veículo de comunicação de massa, ainda que a massa em possa ser uma minoria.
Então vem a festa do orgasmo e o clube modernoso e o tal dress code. Então consigo entender como a música eletrônica, uma sofisticada trama sonora, foi se associar a uma imagem estética de estravagância luxuosa e ao mesmo tempo minimalista.
Admito que fiquei fascinado com o primeiro clubber que eu conheci. Ainda hoje lembro da maravilhosa combinação de pantalona de cetim grafite com minúscula camiseta azul celeste com uma flor em estampada no peito. Uma composição andrógina e sem idade. Naquele momento, para mim, um novo padrão estético se revelou. A harmonia do excesso, o exagero do mínimo.
Alguns anos se passaram, e então eles chegaram: os novos seres da noite, entendam, mais novos que eu. E com eles trouxeram um novo dress code que simplesmente não combina com a música. De repente todo mundo ficou muito feio, muito pobrinho, muito sujinho. E o curioso é que dá pra perceber que eles levaram horas “se arrumando”.
Sou péssimo para citar fontes (fiz minha última ficha de leitura na faculdade), mas certa feita li alguma coisa sobre a estética do feio como arma do alter-ego repressão psicológica. A partir daí formulei uma das minhas teorias mais empiricamente comprovadas e ovacionadas em rodas de amigos:
ALTERNATIVO É AQUELE QUE NÃO CONSEGUIU VENCER NO MUNDO DOS BONITOS!!!
É um pouco radical, mas é verdade. Quem conhece uma pessoa tradicionalmente bonita que tenha optado por uma concepção estética alternativa????
Tá certo, até Melanie Klein valoriza a perda do eu como forma de amadurecimento, mas o enfeiamento como defesa estética é uma saída, ao meu ver, covarde. Ok, você pode gostar de ser diferente, você pode se identificar de corpo e alma com uma estética alternativa, você pode até achar que a sua vida inteira vai acontecer after hours, mas você pode ser diferente sem ser desarmonioso, você pode ter seu próprio código, mas ele não precisa ser ilegível.
Tenho uma amiga super qualificada academicamente em cibercultura e subculturas. Preciso conversar com ela e descobrir se já alguma teorização sobre a perda de glamour na estética eletrônica...
TUDO ISSO É SÓ PRA PODER DIZER QUE AINDA ESTÁ PARA NASCER A MULHER QUE VAI FICAR BEM DE TÊNIS ALL STAR E SAIA CURTA RODADA!
Inusitado no convite é a sugestão de um dress code. Embora festas onde se pede que os convidados respeitem uma identidade visual já não sejam novidade, afinal até a Cláudia Raia já exigiu que seus convidados só usassem preto em um aniversário do marido. Eu mesmo já recebi convites com pedidos como “a touch of red”, ou “traje fashion”.
Mas fiquei pensando na idéia do dress code e conclui que toda a festa tem uma espécie de código, mais ou menos rígido, de vestuário. Talvez seja o que os sociólogos chamam de tribos, cada qual com sua pintura de guerra e sua arte plumária. Curioso, mas a roupa aqui serve como veículo de comunicação de massa, ainda que a massa em possa ser uma minoria.
Então vem a festa do orgasmo e o clube modernoso e o tal dress code. Então consigo entender como a música eletrônica, uma sofisticada trama sonora, foi se associar a uma imagem estética de estravagância luxuosa e ao mesmo tempo minimalista.
Admito que fiquei fascinado com o primeiro clubber que eu conheci. Ainda hoje lembro da maravilhosa combinação de pantalona de cetim grafite com minúscula camiseta azul celeste com uma flor em estampada no peito. Uma composição andrógina e sem idade. Naquele momento, para mim, um novo padrão estético se revelou. A harmonia do excesso, o exagero do mínimo.
Alguns anos se passaram, e então eles chegaram: os novos seres da noite, entendam, mais novos que eu. E com eles trouxeram um novo dress code que simplesmente não combina com a música. De repente todo mundo ficou muito feio, muito pobrinho, muito sujinho. E o curioso é que dá pra perceber que eles levaram horas “se arrumando”.
Sou péssimo para citar fontes (fiz minha última ficha de leitura na faculdade), mas certa feita li alguma coisa sobre a estética do feio como arma do alter-ego repressão psicológica. A partir daí formulei uma das minhas teorias mais empiricamente comprovadas e ovacionadas em rodas de amigos:
ALTERNATIVO É AQUELE QUE NÃO CONSEGUIU VENCER NO MUNDO DOS BONITOS!!!
É um pouco radical, mas é verdade. Quem conhece uma pessoa tradicionalmente bonita que tenha optado por uma concepção estética alternativa????
Tá certo, até Melanie Klein valoriza a perda do eu como forma de amadurecimento, mas o enfeiamento como defesa estética é uma saída, ao meu ver, covarde. Ok, você pode gostar de ser diferente, você pode se identificar de corpo e alma com uma estética alternativa, você pode até achar que a sua vida inteira vai acontecer after hours, mas você pode ser diferente sem ser desarmonioso, você pode ter seu próprio código, mas ele não precisa ser ilegível.
Tenho uma amiga super qualificada academicamente em cibercultura e subculturas. Preciso conversar com ela e descobrir se já alguma teorização sobre a perda de glamour na estética eletrônica...
TUDO ISSO É SÓ PRA PODER DIZER QUE AINDA ESTÁ PARA NASCER A MULHER QUE VAI FICAR BEM DE TÊNIS ALL STAR E SAIA CURTA RODADA!
