Laranja pitagórico
Deixa eu esclarecer, então, que também nesse assunto eu sou um dissidente da corrente universal dos personal stylists. Por quê? Porque eu acho que é proibido proibir. Aliás, eu acho que tudo é divino e maravilhoso. E não temos que temer a morte!
Enfim, não gosto da idéia que uma cor seja proibida para uma pessoa. Apenas é preciso saber usá-la, combiná-la e afastá-la da pele ou do cabelo, conforme o caso.
Vejamos o meu exemplo preferido: eu mesmo.
Pela cor da minha pele, laranja é uma cor que devo evitar, porque deixa minha pele com um aspecto de “sujo”. Mas um estudo de numerologia pitagórica associada à cor revelou que eu não tenho nenhuma letra de valor 2, 7 e 8 em meu nome e portanto, para um melhor equilíbrio, eu deveria usar roupas nas cores correspondentes. O 7 corresponde ao violeta e o 8 ao rosa. Tudo bem, são cores que estão na minha paleta e das quais eu gosto. Mas o 2 corresponde ao laranja, uma das minhas cores supostamente proibidas.
Para ser franco, nem gosto muito laranja. Mas sua ausência em minha numerologia pode ser fonte de ansiedade, impaciência e dificuldade de adaptação. Enquanto seu uso “traz as emoções à tona, mas de maneira tranquila. Revigora a mente e produz uma sensação de bem-estar”. Além disso, bronquite, asma, problemas renais e musculares são as síndromes físicas que o laranja ajuda a combater. Meu Deus, eu não posso abrir mão do laranja.
Mas o que fazer? Como eu usaria uma cor que não me cai bem?
A solução mais simples, começar em pequenas doses. Depois, o segredo é afastá-la do rosto, portanto camisas e camisetas estavam fora de questão. Tudo resolvido, precisava de um sapato laranja – mas não encontrorei até hoje o ideal. Então comprei uma gravata.
Ok, mas como usá-la? Bom, uma das formas de combinar as cores é se manter na mesma família. Laranja, amarelo, vermelho. Não, camisa vermelha e gravata laranja com um terno amarelo, definitivamente não. Outra maneira é cobinar a cor com sua complementar primária oposta, no caso do laranja, o azul. E o azul é uma das minhas melhores cores. Descubro que usando camisa bem azul e gravata laranja, as duas cores se neutralizam. Então, só me faltava combinar com um cor neutra. O bege não me ajuda e mas fica perfeito na combinação, porque a camisa azul sozinha ilumina meu rosto. Costume bege, camisa azul e gravata laranja. Resolvido.
Num dia mais frio, descubro que a mesma combinação também funciona com os ternos marromns e com os cinzas e até com os azuis-marinho, desde que o sapato seja marrom.
De repente, viro um comprador de gravatas laranjas.
Bem mais seguro, compro um pulover de decote V (= longe do rosto), para usar com calça e camisa jeans em lavagem azul.
Já um mestre do uso do laranja, parto para o desafio final: a combinação em tríade. Sim, três cores, sem nenhuma base neutra. A combinação triangular do laranja é verde e violeta.
Ainda não consegui. Fico lembrando daqueles salas dos anos 70, com papel de parede abóbora e bordô e carpete marrom.
Trouxe de Londres uma uma calça de veludo verde-claro que ficou bem com o meu pulover laranja, mas não tive coragem de usar com uma camisa violeta, mas como o verde é claro, tentei uma camisa azul (minha cor segura, hehehe) e gostei do resultado.
Laranja nunca vai ser minha cor preferida, mas eu prefiro Toddy ao tédio. Usar cores exige sim um bom senso pitagórico. Mas é um risco calculado. E quando se usa, ah, daí é aquela sensação do comercial de sabonete em que a uma mulher de vermelho anda no meio de várias outras de branco - a “sensível diferença para mulheres especiais”.



