quarta-feira, fevereiro 22, 2006


Sorte minha e de vocês que a vida anda tão bonita.
Porque, sério, se eu não estivesse nessa fase assim feliz, meu senso estético ferido me obrigaria a escrever coisas pouco simpáticas sobre os vocalistas de megashows que andam acontecendo. Ou sobre, novamente, o crepúsculo dos deuses. Ou sobre como envelhecer no palco com alguma dignidade. Ou até onde chega o ego de um artista. Ou simplesmente precisar não precisava...
Alguém poderia me explicar o que é o figurino do Mick Jaeger? Meu senhor, pense no seu filho em idade escolar, que tem que se justificar todos os dias perante os colegas pela mãe que tem, e agora vai precisar conviver com a imagem de um pai que usa miniblusa. Esse é um plano de aposentadoria que me serviria: ser psicólogo do Lucas Jaeger! O menino não vai superar essa dupla de genitores nunca.
E o Sir Bono? Gordinho e seboso. Por que o Bono não corta o cabelo? É mais protesto contra a fome de algum lugar? E lavar? Também não pode?
Algo me diz que o Bono compra calças jeans no mesmo lugar que o sertanejo Luciano.
Mas tudo bem, não to nem aí.
Gosto mesmo é do Edge. A cara com que ele olha para o Bono. Uma coisa Monalisa. Algo me diz que é um misto de pena/deboche/aiaiaiai.

Mas não vou falar nada. Nem mesmo assisti qualquer dos shows por inteiro.
Ando mais para Vanessa da Mata. Um forte pressentimento.
E Jack Johnson. Sim, surfista bom moço.
Eu definitivamente gosto de bom mocismo. Apesar de não confiar em gente boazinha e achar gente querida muito chata.

Estou saindo de férias. Ou quase férias. Ou praticamente lua-de-mel. Por dez dias. Só sei que é praia. Que tem rio, que tem mar, aliás tem MUITA natureza, e se Deus quiser água encanada e energia elétrica. O shopping mais próximo fica a 50 kilometros (só para o caso de eu precisar de qualquer coisinha).
Mas vou com quem eu quero e com me quer.
E logo eu volto. Voltamos juntos.
E que faça sol. E que chova. E que passe devagar.
Eu mereço.
Não me nego. De jeito nenhum.

domingo, fevereiro 19, 2006

Sorry


Bom, o blog não foi abandonado. Ainda não. Não há planos nesse sentido.
Explicações? Sim, as tenho.
Um mês de namoro. Comemorações. Nosso restaurante, nosso prato preferido. Escrevo carta, gravo CD. No carnaval vamos viajar juntos. Sim, lua-de-mel! E por que não? Nosso ritmo, definitivamente, é esse. Um mês. O primeiro mês do resto de nossas vidas. Ou de nosso tempo juntos. Ou simplesmente um mês intensamente feliz!
Ah, e o apartamento. Sim, achei um apartamento onde minha vida pode se acomodar por algum tempo. Negociações. Nada certo, nada tenso. Tudo ao meu estilo. Bati o olho e disse é esse. Não, eu não estava procurando, mas isso não impediu que nos encontrássemos e que a química fosse imediata. Sim, me apaixonei pelos detalhes. O janelão na sala. A parede em diagonal absolutamente inútil e indispensavelmente estilosa. As colunas no quarto. O lugar da cama onde me disseste que sempre sonhaste. E simplesmente parece que tudo pode dar certo. Lance dado. Rolam os dados.
Não, não estou pensando em casar. Na verdade, vocês me conhecem, já estou emocionalmente casado. Estados incertos não me interessam. Eu sou mais de um bom superlativo. E isso não tem nada a ver com o mesmo teto. Estar casado não é um estado físico ou, muito menos, geográfico. Será o meu apartamento, um brinquedo novo para montar e enfeitar. Um presente pelos meus recém comemorados 6 anos de trabalho. Será a nossa casa. Sim, teremos toalhas coordenadas, teremos coisas compradas aos pares. Mas isso não é nada. O que nos faz o que somos é algo que já temos e que não cabe em poucas paredes.

Mas o assunto que me faz querer escrever. Ainda que com uma semana de atraso, é o novo clip da Madonna. Madge, sorry!
Gente, o que a Madonna está fazendo com ela mesma?
Ta, ela está linda. Linda mesmo, mais linda do que nunca. Ela, a Cher, a Donatella Versace, a Carla Perez, a Ângela Bismark.
Madonna não é mais a Madonna. Ela apenas mais uma cliente das melhores estéticas da localidade. Madonna não é mais uma ode ao feminismo de Camille Paglia. Madonna não é a mulher que vence pelo poder de mulher. Madonna perdeu a batalha. Madonna é sua própria escrava.
Alguém me diga, explique ou justifique que necessidade a maior estrela pop que o século passado produziu tem de aparecer de maio num clipe? E o momento bundinha sarada para a câmara? E, peloamordeDeus, o que é o momento vejam como a yoga me deixou flexível?
E, aliás, o clipe em si é escravo de Madonna. Essa coisa dentro do carro não é o clipe de Music? Que, se nãome engano, também é uma coisa meio Party Monster, o filme trash/cult/wannabe do Maucalay Culkin.
E de brinde? Mais Xanadu. Patins. Rita Lee, lançando perfume. E aquela giradinha com a câmara? Titanic?
Antes que o apedrejamento comece. O clipe é lindo, bem produzido, empolgante e Madonna realmente está esteticamente linda. Tudo com a qualidade que é peculiar ao trabalho da Material Girl.
Mas que não precisava passar o tempo todo de maiô, ah, não precisava.

quarta-feira, fevereiro 15, 2006



Apesar da vontade de escrever estar muito forte.
Apesar de muitas idéias sobre posts estarem na minha cabeça.
Ando sem tempo.
Sem concentração.
Sem paciência para o computador.
E muito feliz.

Curtas. Ou médias.

A corrente para Beth e Ivan teve seu significado. Acredito que ela foi importante. Para iluminar o caminho que Ivan teve que fazer. Para iluminar o mundo que agora sobrou para Beth.
Beth, minha querida. Eu podia te repetir todas as palavras lindas que eu ouvi uns meses atrás. Mas tudo o que vou te dizer é que tudo o que já ouviste sobre perda é verdade. E que também é verdade que a única coisa a se fazer é dar ao tempo o tempo necessário. Sim, isso funciona. Talvez não tão rápido, mas é, sim, verdade.


Situações curiosas no final de semana.
O reencontro com certos lugares. E seus olhares.
Sim, sim, eu estou muito mudado.
Estou muito melhor.
Id e Ego fizeram um acordo de paz. E eu sou grande beneficiado.
E encontro um antigo colega que me diz que já é hora de termos uma conversa sincera! Então tá!
E, Deus, como eu gosto de dançar!!!
Não preciso de estimulantes, calmantes, alucinantes. Nem de uma dose ou sequer um gole. Eu só preciso de uma boa música e de um lugar não muito apertado. Sim, sim, ajuda muito estar bem acompanhado. Porque, afinal, é sábado.

E domingo por umas duas horas, tudo ficou meio pesado. Uma nuvem escura e carregada. Já afastada.
É o tal poder da palavra. Do que se fala e do que se escuta. De quem fala e de quem ouve. É Lacan. Significantes e significados.
Eu não acredito que somos fruto do meio em que vivemos. Não, essa desculpa não me serve. Eu não digo, faço ou visto por causa do meio em que vivo. Parece mais razoável que eu tenha me instalado no meio onde eu possa fazer o que quero. E talvez o meu caso seja ainda mais grave. Aos 31 anos e com certa bagagem, eu já não olho muito em volta. É, eu sei, meu umbigo é um ângulo bem fechado, mas, entenda, é também muito seguro.
Outros umbigos me interessam. Um em especial. Colado ao meu, aliás. Mas isso não é tão fácil. Desculpa, eu ando ficando relaxado muito rápido. Aprendi essa lição faz um tempo, não é muito relevante o quanto eu me esforce para agradar, ou não. As pessoas são ainda mais rápidas em seu julgamento singelo de gosto ou não.
Não, eu não mais me vendo por conceitos alheios. Meus erros são mais sinceros que muitos acertos de almanaque. Eu vivo bem meu personagem, mas ele sabe muito bem quem é que manda.
Pois é, eu já tive muitas caras. E em todas eu queria ser o melhor. O melhor filho, o melhor neto, o melhor aluno, o melhor amigo, o maior inimigo. O namorado perfeito, o amante canalha, o homem que presta e o que não vale nada. E eu não era feliz. Era muita gente para pouco espaço.
Hoje eu sou eu mesmo em qualquer cenário. Posso adaptar um pouco o figurino. Mas não há muito a fazer com o repertório. Não, eu não sigo nenhum roteiro. Eu improviso o tempo inteiro. Eu penso muito rápido, ou não penso em nada. Eu faço.
Sim, eu faço muita coisa errada. E até quando eu erro eu sou detalhista. Se é para errar, eu erro mesmo. E admito, e me julgo e me culpo e me torturo. E até desculpas eu peço. Mas nunca mais pretendo me sentir o pior dos homens na face da Terra. Ah, não mesmo. Já fiz besteira suficiente nessa vida para saber que elas também são feitas na hora certa e que muitas vezes é preciso quebrar a cara para salvar o resto. Minhas besteiras já me salvaram de muita besteira alheia.
E eu não preciso ser julgado. Embora eu possa e queira sempre ser um homem melhor. Mas ser julgado não é o caminho, não comigo. Eu posso ficar magoado e ficar defensivo. O que no meu caso não é um espetáculo bonito. Eu não quero ficar defensivo. Não, não, nada disso. Eu não quero perder nada. Eu quero e quero muito e quero tudo. Me beije, me abrace e me pergunte. Mas não conclua nada por si só.
Não se apegue tanto no que eu falo, ao menos que eu fale olhando nos teus olhos. E aceite que nem sempre saberás o que eu penso, porque muitas vezes eu não penso em nada.



E passei horas vendo os desfiles masculinos do inverno europeu.
E embora queira escrever um post grande e com fotos, não posso deixar de mandar um recado para os colegas leitores: não se empolguem com Brokeback Montain e a moda cowboy. O inverno está mais para Orgulho e Preconceito. Sim, o homem 2006/2007 redescobriu três partes do seu corpo: pescoço, peito e coxas. Tudo tem um quê de militar, ou melhor de Georgeano. Os abotoamentos em fileira dupla sobre o peito, as golas enormes e até de peles. E as calças mais justas ou mesmo folgadas mas em tecidos com peso para marcar as coxas. E os sapatos seguem muitíssimo pontiagudos.


Sim, tudo é mais fácil quando se está apaixonado.
Pequenos sinais se transformam na mais absoluta certeza que o destino das coisas é sempre dar certo. Ou mais que isso, é o inexorável que tudo sempre aconteça exatamente como e quando devia acontecer. Bem provável que exista igualmente sempre um por que. Mas esse cada vez menos me interessa.
Um telefonema de longe. Amiga que diz estar feliz por mim e que queria confirmar isso na minha voz.
Outra amiga do mesmo longe que estava chorando na hora que eu liguei no sábado. E eu que liguei por acaso! Sim, apertei um botão errado! Ontem liguei para valer, e a gente chora junto por mais de uma hora. Choro de querer abraço. De querer estar muito perto. Choro de chorar de saudade, de felicidade, de deu vontade.
O motorista do táxi que deseja saúde.
A moça do caixa que elogia meu anel.
Passar a mão no teu cabelo no meio do dia.
O sotaque da dona da pousada do carnaval.
O corretor do seguro que simplesmente foi simpático.
A papelada que estava toda certa.
E sim, eu tenho direito a uma semana de carro reserva
A amiga que trocou de carro.
O estagiário que me trouxe um café.
O cartão de crédito que chegou dois dias antes do previsto.
E o CD que toca.
Tudo me faz sorrir como uma criança.
Tudo me faz sorrir como um homem pleno e completo.
Um homem pre-diposto ao amor e à felicidade.
Um homem que merece e não se nega.

domingo, fevereiro 12, 2006

Unconditional Love




A vida em seu compromisso clichê de ser o que é, nos ensina que é no inusitado que tudo, enfim, se faz óbvio.
Aprendi que amar é uma necessidade ainda maior do que a de ser amado. Lembro daquele filme lindinho Unconditional Love, onde Jonathan Pryce vive o cantor Victor Fox, casado como Dirk, personagem de Hupert Everett. Victor morre e Dirk se vê ás voltas com Grace Beasley, a fã enlouquecida vivida por Kathy Bates. Há uma cena no filme em que estes dois últimos personagens definem o amor incondicional: é amar sem precisar ser amado de volta.
Eu não sei se concordo, mas entendo. Bom, eu entendo um bocado de amor. Entendo sim.
E entendo também de perda. E de ganhos. E de ganhos secundários.
Eu, infelizmente sei o que é medo. O que é lidar com a possibilidade absurda da hipotética última vez. O que é lidar com a segunda primeira vez.
Mas mais do que tudo isso, eu acredito na vida, na força, no dever ser. Acredito em qualquer ser, força ou palavra que nos faça sentir melhor. Eu acredito na energia, na freqüência, na hora certa.
Eu acredito na blogsfera. No inconsciente coletivo, na alma mundi.
Eu acredito em milagres, em boas vontades, em correntes de fé.
Eu pedi aqui uma corrente positiva no reveillon. E 2006 já se faz o melhor ano que eu poderia ter.
Eu hoje peço uma nova corrente. Para alguém que eu nem mesmo conheço. Mas que reconheço e queria muito poder abraçar. Queria dizer que tudo vai dar certo. E que tudo sempre dá certo para quem merece, ou pelo menos, não se nega.
Beth ama Ivan. Ivan ama Beth. Ivan está no hospital. Beth o espera. Esperamos todos com ela.
Beth tem a força de quem ama. Beth sabe o que essa força pode fazer.
Eu queria dar ainda mais força para Beth. Não sei como fazê-lo. Tento com as velas. E com palavras.
Beth precisa delas. Tanto quanto qualquer um de nós.
Beth, tudo vai dar certo.
Queria te dizer que o amor é sempre maior. E é infinitamente mais forte. E que o amor dura sempre mais do que a espera.
Querida Beth, o amor move e remove montanhas e grãos de areia. O amor nos salva e nos faz novos, ainda que os mesmos. Amar alguém é esse transbordar de si mesmo e em outro ser encontrar mais da gente do que sabemos. Amar é sim esse dom que nos faz mais fortes, mais bravos, mais corajosos. Amor é essa força que nos faz invadir salas, ver sinais e ter certezas. Amar é ver em outro o que nos falta e ao outro dar o que não nos sobra.
Ama, minha querida, ama com toda essa força que demonstras e ama com toda a incondicionalidade que o amor nos pede. Ama de olhos fechados e braços abertos. Ama sem pensar. Ama sem passado, sem futuro e ama como sempre se para sempre.
Acenda tuas velas, joga tuas pedras. Consulta as cartas, os oráculos. Olha pelas janelas. E visita as tuas caixas, e pensa nas tuas histórias. E acredita que tudo o que vocês têm vivido não cabe nessas poucas horas se impõe agora. E nem nunca caberá. Beth, logo, logo. Terás Ivan em casa. E juntos, secarão todas essas lágrimas.

quinta-feira, fevereiro 09, 2006

Mãos ao alto


Comemoramos nossa terceira semana juntos.
O restaurante que eu tanto gosto. A melhor massa que comi na minha vida. O molho perfeito. E tu aprovas e me olhas com aquela cara de será que isso tudo é verdade.
É sim.
E acertamos na escolha do vinho.
Mais uma noite perfeita.
Levar-te para casa. Mal paro o carro o barulho no vidro te assusta. Viro e vejo uma arma. Olho-te e peço calma, te digo que desças do carro. O mesmo eu faço.
Minha carteira, o carro, arrancada.
Ficamos os dois parados na calçada em frente a tua casa. E o mundo para. A única coisa que me falta é o teu abraço. E isso eu tenho na mesma hora.
E tudo está bem. E o meu mundo parece completo.
E tu ligas para a polícia e eu ligo para o meu pai.
E enquanto eu falo com a polícia, tu acordas o teu pai.
E na hora seguinte, com todas as providências inerentes, é no teu olhar que eu me acalmo.
Nossas mãos dadas.
E nosso inexplicável sorriso. E nossa cumplicidade absurda e pura. Ambos pensando a mesma coisa. Ambos orgulhosos e protegidos: passamos por isso juntos. E não mais enxergamos como teríamos passado por algo assim se não juntos.
E depois ficamos mais de uma hora rindo. Veja como acabamos conhecendo os pais um do outro. Não fizemos o trivial encontro das mães. Já partimos direto para o lacaniano encontro dos pais. E de como estávamos vestidos. E como teu pai deve ter interpretado o fato de que tu namoras um homem de sapato azul claro. E tu constatas que eu pareço meu pai e que serei um senhor charmoso como ele.
E tua ainda me fala do orgulho que sentistes de mim. Ainda assim me elogias, me diz que eu fui um homem perfeito e que minha calma te fascinou. Falas de proteção, de segurança. Eu te respondo que nada disso seria assim sem ti.
Sinais, meus queridos.
As coisas acontecem de um jeito quase sempre bizarro, mas nem por isso menos bonito. Na estética trágica de um assalto a imagem que me fica nos olhos é a do abraço na calçada.
E se eu estivesse sozinho?
Ou vinte e um dias atrás, como eu teria reagido?
Um assalto tranqüilo, se isso for possível. Mal vi a arma. Nenhum dos dois meninos encostou sequer a mão em mim ou em ti. Não durou nem trinta segundos. A polícia que chegou na mesma hora. O policial atencioso que fez a ocorrência.
Ficaremos um mês sem carro. Andaremos de táxi, de ônibus, a pé.
Mas andaremos de mãos dadas. Lado a lado.
Orgulhosos e protegidos.
Fortes.
Seguros.
E felizes.


segunda-feira, fevereiro 06, 2006



Assitimos Brokeback Montain.
Nosso primeiro filme juntos.
Mãos dadas. Cabeças encostadas. Secaste minhas lágrimas.
Saímos do cinema e nos abraçamos dando risada. Naquele momento constatamos que não precisaremos de vinte anos.
Brokeback Montain é uma decepção para os apaixonados.
Brokeback Montain é uma visão hétero sobre o que se pensa ser o amor gay.
É uma visão gay sobre o que se pensa ser o amor hétero.
É um filme que não fala de amor. Ou de paixão. Ou onde os sentimentos são tratados da única forma que não se os pode tratar: matemática, maniqueísta, reducionista.
Ou quem sabe é um filme que trata de um amor como ele foi possível. Afinal não há para o amor qualquer fórmula. E se houvesse, para mim não serviria a fórmula Brokeback. Não me convence o amor que não é. Não me convence esse amor que vive do que foi um dia ou do que poderia ter sido.
É um filme bonito. Não há dúvida. Embora a primeira meia hora seja esteticamente cansativa de tão bonita. São tantas cenas e paisagens fotográficas que se tem a sensação de se estar assistindo uma projeção de slides. Não, a trilha sonora não melhora em nada. Talvez essa seja mais uma jogada rigorosamente ensaiada do diretor. É, o filme todo trata a vida dos protagonistas como uma sucessão de slides.
O figurino é lindo. Fetichista, machista, gay. O filme é pontuado por fetiches. Estão ali todos os clichês do homo-erótico. Os atores são daquele bonito plausível, que se acredita pode um dia cruzar nossa esquina. A maquiagem do envelhecimento de ambos é patética. Mas o filme tem, sim, uma riqueza estética.
E tem, escondido, uma beleza poética. Não a poesia roteirizada que logo se esgota, mas uma poesia que vem através de imagens e de atitudes não focadas em close, mas que vistas no todo da história fazem pular os corações que reconhecem aquilo.
Não é um filme fácil. Ele não acaba quando as luzes se acendem. É desses filmes que fica pior na hora seguinte e melhor depois de um dia. É um filme de uma sutileza marcante. Cenas pontuais que dizem mais que o filme inteiro. Cenas que envolvem água, louça e roupa lavada. Por favor, reparem em qual camisa está sendo lavada.
E penso no filme. E penso em mim, em ti, em nós.
Não será esse o filme da nossa história. Será nosso primeiro filme juntos, assim ficará no nosso álbum, mas é só.
Temos conversado muito sobre isso. Será esse meu primeiro amor adulto. Será esse teu primeiro amor não adolescente. E aí existe uma distância. Temos, cada um, a sua história, seu tempo, suas reminiscências e intolerâncias. Temos, cada um, sua visão hipotética e categórica do dever ser, o futuro, de aonde queremos chegar. Hoje nos parece inegável que queremos chegar ao mesmo lugar, e chegar juntos.
Mas e o caminho?
Bom, eu já fiz uma bela parte do meu caminho. E eu estou aqui, onde me encontraste. Mas e o teu caminho? Não o posso fazer por ti, ou contigo. É uma das nossas sutilezas. Estou redescobrindo coisas que tu só agora está descobrindo. Olho teu fascínio com ar nostálgico. Por vezes revivo eu mesmo a sensação que está nos teus olhos quando me olhas. Sou feliz, sim, ao teu lado. Estive, ainda que sem saber, ou acreditar, te esperando a vida inteira. És na minha vida algo novo, verdadeiro e, para tantas coisas, primeiro. Mas não me fazes voltar no tempo. Para ti, o que eu ofereço é meu hoje e, se isso fosse possível, meu futuro.
Não quero que faças sacrifícios por mim. Não que eu não os mereça, mas não preciso deles, ou ao menos os quero. Não faças nada por mim, faças por ti, ainda que através de mim. Não quero a responsabilidade das tuas mudanças. Não mesmo. E não quero projetar nossa história na expectativa de que tu mudes. Mudarás, é bem provável, mas não te quero moldar. Tem sido tudo o que eu espero. Vivo o receio de criar a absurda presunção de sempre o serás. Vivo o medo que me provoca o jeito que tu me olhas. Sim, eu sei que tenho te oferecido sensações novas, sei que sou muito próximo do teu príncipe encantado. E acredite, eu sou ele mesmo, mas isso não faz de mim um super-homem ou qualquer coisa além do humano.
E além disso também eu mudarei. Ainda e bastante. Em 19 dias já criamos planos, já achamos certezas, já nos reconhecemos muitas vezes. Mas não somos uma obra acabada. Longe disso. Tenho meus medos. Minhas dúvidas. E meus fantasmas.
É muito o que eu sinto e o que eu sei é nada.
Mas não vamos pensar nisso agora.
Me dá abraço.

sexta-feira, fevereiro 03, 2006



Perguntas.
Muitas delas.
Tentativas pretensiosas de racionalizar o que não se pode racionalizar.
Eu não sei. Não sei nem se quero saber. As coisas têm acontecido quer queiramos ou não.
Sim, sim. Eu tenho a minha própria história. Não é a questão se esqueci ou não dela. Não é algo que se disponha no campo da memória. Minha história faz parte do que eu sou hoje. O amor maior primeiro e verdadeiro está onde sempre esteve e sempre estará. Lugar cativo, marcado, eterno. E todo dia me faz pensar. E todo dia tem um algo que me faz sorrir e olhar para o céu.
Mas também me faz sorrir o que vejo ao meu lado. Um amor novo que se projeta e desde a primeira conversa, que antecedeu o primeiro beijo e todo o resto, se projeta em um pleno que não se deixa questionar.
Sensações que eu exatamente não conhecia. Mas reconheço. E me identifico. E tudo o que há para ser sentido o está sendo ao máximo. Enfim, a sensação boa de certeza. De que vale a pena. De que vai dar certo. E está dando.
Tivemos nossa primeira conversa séria. Andei me comportando mal. Fui tão deliciosamente advertido que me senti ainda mais encantado. Agora não, a gente conversa no carro. E assim o fizemos, com as mãos entrelaçadas e sem lágrimas. A voz no tom de sempre, me falando sobre respeito, sobre o que estamos construindo juntos. E nos entendemos na mesma hora. E dormimos muito agitados, ainda que abraçados. E hoje ao acordarmos, retomamos o assunto e nos certificamos que estava tudo bem. Nos beijamos, abraçamos e dormimos de novo. O sono calmo que precisávamos.
Sim, é isso, estamos sim construindo algo juntos. Estamos construindo e reconstruindo a nós mesmos, um no alicerce que encontra no outro.
Juntos estamos nos permitindo a chance de sermos nós mesmos. É segurança o que damos um ao outro. É o saber quando estamos abraçados que estávamos nos esperando. É a sensação inequívoca de termos, enfim, nos encontrado.
Somos um casal peculiar. Estamos nos conhecendo de um jeito muito próprio. Estamos sim, apaixonados, isso é óbvio, mas ao mesmo tempo estamos aprendendo desde já a nos amarmos. Nos vemos confusos e fascinados com a contradição da paixão que avassala e a do amor que acalma. E a única opção que nos parece sensata é ficar com o melhor de cada. E como não há nisso qualquer escolha, estamos também expostos ao pior. Pequenos eventos do recém conhecido para nós já tem o peso do ajuste necessário ao longos projetos.
E desde logo nos comprometemos a ficar juntos. Pelo tempo que nos for adequado. Ainda que seja para sempre.
É isso que temos para nos dar. O melhor, o mais forte e mais sincero. Por um dia, por um mês, por um ano. Para o resto da vida. Tanto faz. Tudo o que já sabemos sobre nós mesmos, é que já não seremos mais os mesmos.
Hoje faz sete meses que eu perdi a vida que achei que seria para sempre a minha.
Minha vida, aquela, foi contigo.
Uma nova vida me foi dada. Com sinais, com anjos, com músicas e flores.
Minhas novas asas.
Asas que, mal voaram, já se aninharam.
Asas que sabiam, antes de mim, aonde iam parar.
A vida que eu levava me servia. Vocês sabem.
A vida que eu levo agora, bem, me serve, sim.
Não, não é perfeita (nem nunca será!). Não, não está pronta.
Sim, vale a pena.
Sim, eu quero.
Eu mereço.
Merecemos.
E não, não nos negaremos.

quarta-feira, fevereiro 01, 2006

SPFW



Todos sabem.
Ando ocupado rindo.
Mas também tenho muito trabalho. Sou um dos poucos advogados de 30 anos que não tem filhos, portanto a mim não pertence o universo das férias escolares em janeiro e fevereiro. Em nome da felicidade doméstica de meus colegas, trabalho por quatro.
E numa rápida conferida na São Paulo Fashion Week, descubro aliviado que não perdi muita coisa. O desfile absurdamente lindo da Ellus.
E no quesito achei lindo, a SPFW se resumiu em um único nome, tanto no masculino quanto no feminimo: Fause Haten.
Eu quero.