quinta-feira, dezembro 28, 2006

2006

Pessoas.
O blog está abandonado nesse final de ano não é? Mas vejamos pelo lado bom, é que a aqui no mundo real as cosias andam bem animadas.
Anyway, este é o último texto do ano. Lutti está indo ali na beira do mar pular sete ondas e agradecer pelo ano maravilhoso que teve. E como Lutti não é bobo nem nada, vai aproveitar para pedir que 2007 seja ainda melhor, ou para que, pelo menos, mantenha o nível!
O que falar de 2006...o ano que nos trouxe de volta o skinny jeans e o macacão de viscolycra. O ano que trouxe de volta o jersey! O ano começou com saias longas até o chão e que acaba com micro-comprimentos.
2006 o ano em que as bolsas ficaram maiores do que nunca e os chinelos rasteiros se consagraram na moda. Um ano sem cor oficial, mas com uma tendência para o branco. 2006 foi um ano sem inverno. Foi um ano de moda verão permanente. Ano das saias rodas, da volta da cintura para seu devido lugar.
Ano que continuou o insuportável flerte com os 80´s e se deixou enfeitiçar pelo oriente. Japonismos sempre estão à espreita de qualquer lacuna fashion! Bobeou e lá estão as faixas na cintura e as mangas tipo quimono!
Um ano que tentou muito ter como musa Maria Antonieta e muita renda, mas que acabou se contentando com a mocinha do “Diabo veste Prada” e sua franja. Curiosamene um ano em que não foi pecado ser morena, e muito menos ser crespa (desde que os cachos sejam milimetricamente irregulares e longos!). E viva nossa senhora Madonna, que, sabe-se lá como, conseguiu de novo! A mulher não reinventou a dance music ou a dancewear, mas, como sempre, ficou com todo o crédito!
Aliás, ano que teve no cinema o tecnicamente polêmico Brokeback Montain, mas que não foi suficiente (felizmente?) para mexer qualquer coisa na moda masculina. Moda masculina que segue nos seus sempre lentos passos em direção ao inevitável tédio.

Da minha parte, 2006 foi um ano e tanto. Embora eu não goste de dizer que 2005 tenha sido um ano só de perdas, é impossível não dizer que 2006 foi um ano de aquisições.
Casa nova. A primeira vez que tenho uma casa minha. O comprar apartamento foi uma experiência estranha. Rendeu uma depressão séria, na verdade um catalisador de um a série de outros processos que eu tinha tentado segurar sozinho. Mas após cinco meses incessantes de busca o apartamento certo surgiu. Na verdade na época eu pensei que era o menos pior, mas hoje já acho que ele estava me esperando.
E o processo “casa nova” acabou revelando facetas minhas que nem bem conhecia. E de repente me vejo pintando, lixando, instalando. E fazendo bandôs e restaurando móveis e forrando poltronas.
Casamento. Casei de novo. Seis meses depois, me vi casado de novo. Bom, não pensei se era a hora certa, não vejo no que pensar nisso me seria útil. O que importa é que encontrei a pessoa certa. Olhei e soube que seria minha companhia pelo resto da minha vida. E aí já se vai um ano!
Trabalho. Não foi um ano peculiar no trabalho. Nenhum grande projeto, nenhuma grande derrota. Algumas boas vitórias. Duas ou três viradas de jogo. Mas foi um ano importante de consolidações. De certa forma também profissionalmente foi um ano de amadurecimento e colheita de frutos. E nesse ano revi muito meu relacionamento com os colegas. Não sei a qual conclusão cheguei. Ainda prefiro ter nichos separados para colegas de trabalho e amigos, mas admito que pessoas interessantes podem estar em qualquer lugar e que a receptividade é sempre positiva.
Moda. Ou o meu lazer predileto. Outro campo que ganhou novo contorno em 2006. Meu trabalho com moda foi diferente em 2006. O personal stylist perdeu espaço para o fashionista. E num ano de poucas compras, nunca falei e escrevi tanto sobre moda. Ok, eu sei, não aqui nesse que já foi o espaço de maior atenção. Mas gostei dessa direção que a moda tomou em minha vida nesse ano. O falar sobre moda acabou sendo tão instigante quanto o trabalhar diretamente com ela.

2007. Não sei o que me reserva o próximo ano. Quero o de sempre: mais do mesmo. Mais do que é bom.
Como no ano passado, convido a todos para acreditarem que tudo sempre vai ser melhor. E convoco mais uma vez todo mundo para aproveitar o ritual do reveillon para alimentar uma corrente universal de bons pensamentos, de vibrações positivas. Tanta gente pensando coisa boa só pode trazer uma energia muito poderosa.
A todos nós um fim de ano repleto de agradecimentos por tudo o que 2006 nos trouxe e um começo de 2007 cheio não apenas de esperança, mas de muita vontade.

domingo, dezembro 24, 2006

Feliz Natal!!!



Gosto de presentes. De dar presentes, é bem verdade. O receber presentes ainda é um processo muito tenso para mim. Definitivamente não gosto de surpresas. Talvez nem das boas. Prefiro certezas.
Como em todas as festas reafirmo meu gosto pelas datas compulsórias de alegria. Especialmente natal e reveillon. Gosto de natal, porque apesar de todo o apelo comercial e blábláblá de nascimento do filho do homem, natal é uma data em que se celebra a família.
Engraçado. Natal é uma festa onde se celebram os dois maiores ícones do marketing de todos os tempos. Não, não estou falando da Madonna e do Michael Jackson. Falo de Jesus e do Papai Noel. Este, sabemos, é obra da Coca Cola e seu vermelho e branco. O outro é obra da FéHumana S/A. Admiro os dois, como admiro qualquer golpe bem dado ou qualquer história de sucesso.
Mas ainda acredito que natal é antes de tudo uma festa da família. Começa pelo rebento na manjedoura com pai e mãe ao lado, cheio de visitas e presentes. Acaba nos comerciais de aves transgênicas no centro de mesas cercadas de pessoas que supostamente se amam.
E para mim essa é a magia do natal. Não, não a existência de aves transgênicas que nunca vimos e cuja cor das penas é um mistério. A fantasia do natal é a família reunida em volta da mesa.
Isso é algo que fazemos – ou podemos fazer – quase todos os dias, mas que na noite de natal ganha um significado mítico de bem-estar e de amar aquelas pessoas como elas são e pelo simples fato de elas estarem ali.
Então, se existe uma noite no ano em que sejamos obrigados a lembrar o quanto isso é bom, eu gosto dessa noite.
Já estamos indo para nossa terceira ceia de natal da semana. Nossa pequena família de dois quis celebrar com as grandes famílias em suas respectivas casas. Para o próximo Natal já estamos planejando juntar todos na nossa casa.
Melhor se pudermos abraçar a todos, mas também vale uma ligação, um e-mail, um pensamento. Em casa, passaremos o natal on-line com minha irmã em Madri!
Vamos aproveitar a data oficial do carinho e dar muito carinho. Carinho em embrulhos de presente feitos por nós mesmos, carinho na comida feita pelas próprias mãos. Carinho num sorriso, num olhar mais doce e desarmado.
E tudo o que eu posso desejar a todos vocês é exatamente isso: que vivam a magia do natal. Que deixem reascender em seus corações a alegria de estar com quem se ama.
A todos nós, um Feliz Natal!

sexta-feira, dezembro 22, 2006

Finitude e mudanças

Ainda sobre os preparativos para o natal.
Uma das coisas que já sei a meu respeito é que às vezes preciso de algum tempo livre fazendo coisas de que realmente gosto. Preciso de tempo de observação e contemplação. Preciso de tempo para ver a vida. Para questiona-la, para entendê-la.
É impressionante como podemos aprender sobre nós mesmos exatamente com nós mesmos. Quantas vezes nossas perguntas e mesmo as respostas estão latentes em nossas rotinas comportamentais. Conhecer a si mesmo, na boa e velha máxima do Templo de Delfos a qual Sócrates e eu – hahaha -, sempre nos referimos.
Dois exemplos.
Já falei que todo gaúcho-ucho-ucho é no fundo um esquizo-paranóide. Uma das formas mais crônicas do distúrbio é, sem dúvida, o chimarrão. Não apenas pela situação já suficientemente bizarra de se tomar algo quente, amargo e comunitário em qualquer circunstância, mas principalmente pelo ritual que isso envolve. Pois é, não há família gaúcha que não tome chimarrão. Meus pais tomam todos os dias, mesmo nos dias de festa, antes dos drinques. Em casa, também tomamos todos os dias, mesmo no calor de 36ºC de Porto Alegre já em dezembro.
Bom, o chimarrão, para quem não conhece, é feito numa cuia de porongo, com erva-mate e água quente e sorve-se por uma “canudinho” de metal, a bomba. A cuia tem o peculiar formato de “seio moreno” sim, sim, bojudinha como um seio, depois fica mais estreita para, então, se abrir numa boca mais larga. Nessa abertura reside o orgulho do bom chimarrão: o topete, ou morro, ou como se chamar o montinho de erva que desafia a gravidade na boca da cuia. A medida que o chimarrão circula na roda, pois é, não importa quantas pessoas haja, usa-se uma cuia só, cada um toma uma e devolve para o líder da roda que a enche de água novamente e passa para a pessoa seguinte. Ao fazer isso, molha um pedaço do tal morrinho para que um pouco de erva seca caia dentro da infusão impedindo que ao longo do processo o gosto fique muito lavado.
Mas é óbvio que chega uma hora que o morrinho acaba e tudo o que resta é um chá sem gosto. Percebemos que às vezes não nos damos por vencidos e seguimos tomando chimarrão lavado até que o gosto se torne insuportável. Dia desses, vendo a cena, deixei escapar: “meu bem, esse chimarrão já está só uma água suja! Tu tens que aceitar a finitude das coisas!”.
Pois bem, essa frase, concluímos dias depois, significa muito sobre como encaramos algumas fases da vida. E quantas coisas ainda hoje nos assombram simplesmente porque não lhes permitimos o fim? Aceitar a finitude das coisas, das fases, dos relacionamentos, é definitivamente necessário. Não só aceitar o fim, mas viver o luto desse fim, sentir o peso da perda, para então se sentir mais leve, pronto para o que vier.
Outro exemplo.
Os crakers de castanha. Estava decidido a fazer biscoitos finos e crocantes como base para os canapés de lagosta. Mas noite passada me ocorreu que a textura seria muito contrastante e agressiva. Além disso, a massa fina poderia deixar as castanhas-do-pará muito torradas, prejudicando-lhes o adocicado.
Precisei de uma mudança de planos rápida. E precisava usar as castanhas que já estavam moídas, portanto não poderiam ser guardadas. Ainda que minha reação mais óbvia fosse ficar bravo e achar que tudo estava perdido, respirei e pensei o que poderia fazer. Enquanto folheava algumas receitas de coquetéis, tive a idéia para os canapés: fiz uma massa de profiteroles levemente salgada e acrescentei as castanhas moídas. Depois ao invés de modelar carolinas com o saco de confeitar, abri a massa e usei moldes de biscoito em forma de estrelas e flores. Assei até dourar. O resultado foram perfeitas bases de canapé: firmes, mas leves e úmidas, sabor equilibrado de castanhas, no tamanho ideal para serem colocadas na boca de uma vez só.
Enquanto trabalhava a massa pesava nas mudanças, nas mudanças para melhor, nas portas que se abrem, nos caminhos que surgem. Pensei no quanto as coisas mudaram nos últimos tempos. Pensei em quantas pessoas da minha vida mudaram. Pensei em como nossas vidas mudaram.
A Júlia que aos quatro anos já tem terapeuta. A Laís que já tem quatro dentinhos. Meus sobrinhos que ficaram adultos. Amigos que mudaram de Estado e de estado. Casas que se montaram, e que serão montadas. Casamentos. Felizmente, poucos divórcios. Infelizmente algumas mortes.
E poucas crianças.
Mudanças.
Coisas que têm seu fim. Coisas que surgem.
A vida segue me fascinando. Pessoas inteligentes me encantam, na mesma proporção que a mediocridade de algumas obviedades me faz perder o interesse.
Amanhã será um dia cheio. Cheio de gente que eu amo.

quarta-feira, dezembro 20, 2006

Preparativos das ceias



Desculpem a ausência.
Uma soma de fatores me manteve afastado. A grande síntese seria a incompetência alheia.
Ah, sei lá, mas me parece que se cada um fizesse a sua parte, ou pelo menos se cada um fizesse a parte que supostamente é sua. Bom, acho que tudo seria mais fácil para todo mundo.
Encerrei meu ano jurídico. Dediquei quase uma semana para conferir todos os relatórios, estatísticas, agendamentos. Ainda que não haja razão processual para tal, sempre entro no recesso sem nenhum processo pendente. Este ano não deu certo. Alguns processos não chegaram a minha mesa em tempo. Detalhe: chegaram ao prédio, mas se perderam antes de encontrar minha mesa. Não, ninguém sabe onde eles estão. Nenhum secretário, assessor, estagiário, auxiliar.
É claro que o ar condicionado central também não estava funcionando.
E ainda que minha vontade fosse vir trabalhar em casa, fiquei todos esses dias sem internet, sem telefone e sem tevê a cabo. Após uma semana descobrimos que algum funcionário da companhia veio instalar outro combo no prédio e acabou desligando o meu. Tudo na mais perfeita incompetência.
E tudo na semana de natal. Todos os presentes comprados, estamos no capítulo ceia. Duas delas, no mínimo.
Tenho uma leitora que sempre me cobra descrição detalhada dos cardápios. Aquela coisa, meus menus. A festa é sempre íntima, só para a família, mas eu capricho. Não tem nada de simplicidade, não mesmo, isso a gente tem o tempo todo! Nas festas o negócio é sair da rotina, é fazer diferente. Fazer melhor.
Confirmados o peru e a farofa de todos os anos. É time que está vencendo e tem a seu favor a tradição e a quase unanimidade dos presentes. Então, como sempre, me concentro no coquetel antes da ceia e nas sobremesas.
Tudo planejado pela força do acaso.
Este ano tudo começou com uma cauda de lagosta a qual não resisti. A partir dela todo o serviço inicial se definiu. Teremos crakers de castanha-do-pará com mousse de gruyère e fatias de lagosta. Para equilibrar, bombinhas de brie com pêra. O ideal seria servir um bom champagne desde o início da noite, mas minha madrinha não perdoa um coquetel. Ainda não decidi o que servir, mas quero que tenha um quê de laranja e seja geladíssimo.
Para a sobremesa camafeus de nozes e tarteletes recheadas com ganache de amêndoas e outras com chantily, cerejas e fios de ovos.
Os camafeus de nozes consumiram uma dúzia de gemas. O que significa que tenho doze claras sobrando. Daí, estou com vontade de fazer mini-pavlovas.
Sim, sim, os próximos dias prometem.
Quem não promete muito sou eu. Ainda venho aqui, deixar um feliz natal, mas a vida real chama. Com prioridade.

quinta-feira, dezembro 14, 2006



Sei não...
No fundo tudo está bem. Estou tranqüilo, centrado, feliz. Tecnicamente realizado.
Aparentemente tudo está bem. Meu cabelo brilha, a pele está boa, o peso certo. Os figurinos de primavera estão inspirados e ando ganhando uns elogios.
O problema, eu acho, está no meio desse caminho. Um pouco abaixo das aparências, mas ainda não na essência, ando que é só tristeza. Um vazio, um enfado. Um absoluto e perturbador cansaço. Aquele desinteresse do qual me queixo já faz certo tempo. Em algum lugar dentro de mim uma batalha está sendo travada. E eu estou perdendo.
E tem uma descrença nas pessoas, uma desistência.
Não sei se é essa quantidade de mulheres peras andando pelas ruas nesses malditos vestidos de visco-lycra que caem sobre os contornos do quadril marcando toda a injustiça do inverno. E as queridas não se ajudam. Escolhem justo os modelos de alças que é para não dar nenhuma chance de equilíbrio à proporção dos ombros. Não satisfeitas, ainda nos brindam com as calcinhas erradas que dividem a enorme bunda que o vestido cria em duas ou três porções esburacadas. Me diz: custa usar uma calcinha maior, custa?
Ou vai ver o mau humor é culpa da Gisele Bundchen. Loira, loiríssima. Como assim? Perdeu-se, a coitada. E ainda por cima foi fotografada para o mundo inteiro no evento da Victoria Secret usando um sapato branco horroroso.
E tem a uma das dicróicas do banheiro do quarto que resolveu não acender mais. E uma das fluorescentes da cozinha que queimou. E o cara do gás que não veio e o da água que veio quando quis.
Ah, e a novela da parcela do seguro, com o doc que não pode ser pago no caixa eletrônico. Daí a pessoa tem que entrar na fila de um banco que não é o seu e agüentar que o único caixa dê atendimento preferencial a três jovens idosos, inclusive uma usando o tal vestido de visco-lycra.
Felizmente o banco fica do lado de uma loja de decorações. Só restou à pessoa comprar um centro de mesa de cristal Bacarat para se sentir melhor.
Não satisfeita a pessoa ainda foi comprar mais uns presentes de natal.
Não bastasse, um supermercado, só para comprar coisas desnecessárias (salvo a lâmpada fluorescente). Daí a pessoa resolve começar a montar seu bar. Compra vodka, rum, licores. E cervejas importadas.
Ao chegar em casa e descarregar as compras, uma sacola arrebenta e o sapato de couro plissado marrom acaba encharcado de cerveja..
Alguém, em algum lugar, deve estar achando tudo isso muito engraçado.
Ou quem sabe a culpa não é de ninguém. Nem minha. Talvez porque o problema nem seja de culpa.
Talvez nem exista um problema. Só os sintomas.
Não sei bem o que é. Nem sei bem o porquê. Mas queira muito que passasse logo.


segunda-feira, dezembro 11, 2006

Desaforo assistencial



Pequenas notas para iniciar a semana.
Tudo bem, ando naquelas fases de altos e altíssimos. Humor de montanha russa. Sem paciência, tolerância ou qualquer outro atributo que salve almas do purgatório cristão. Até aí, grande novidade, a pessoa está sempre com esse humor de cão que saiu da tosa.

Ontem fui a um concerto de Natal. Olha, sei não como é o paraíso, nem se o tal existe. Anyway, na minha versão podia ser um entardecer de temperatura amena, com umas taças de champagne e ao som do coro da Alegria da nona sinfonia. E, é claro, acabaria sempre já com a noite alta e um show de fogos de artifício de tirar o fôlego de tão brega.

Semana cheia de eventos. Figurinos por definir. Amanhã tenho um seminário de trabalho, um coquetel de loja e um jantar de associação. Um black-tie na sexta, e também um churrasco. Lutti precisa de um clone social. E de mais champagne!

A caixa de e-mails do blog está cheia. Vários leitores queridos encaminhando suas dúvidas existenciais sobre a moda. Muita gente lendo os textinhos do blog e querendo aplicá-los aos seus corpinhos com tratamento personalizado virtual. Então, deixa eu explicar uma coisa: embora pequeno Lutti seja um profissional requisitado e antipático, que se dá ao luxo de trabalhar pouco e por muito, Lutti tenta responder a todos os leitores, de forma carinhosa, graciosa e gratuita, mas às vezes fica difícil. Pois é, Lutti tem dupla jornada de trabalho para pagar suas continhas. Lutti é advogado sobrecarregado e personal stylist agendado, então nem sempre sobra tempo para responder todos os e-mails com a rapidez esperada. E também tenho que priorizar as perguntinhas mais simples e viáveis. Ah, e só para esclarecer, amiga leitora não adianta mandar uma foto e me pedir para definir todo o seu guarda-roupa. Não, mandar outro e-mail me xingando não facilita as coisas.
Trabalhar de graça pode até me fazer feliz, mas agüentar desaforo, nem sendo pago!!!
E ainda por cima, Lutti e seu clone social precisam de tempo para se divertir.
Bom, enfim, Lutti é um ser superior. Seguirá respondendo as consultinhas feitas por e-mail. Pelo menos as educadinhas.

sábado, dezembro 09, 2006

Transtorno obsessivo compulsivo


Faz três semanas comprei uma dúzia de taças para champagne.
Faz duas semanas comprei uma dúzia de taças para vinho branco.
Hoje comprei uma dúzia de taças para água. E uma dúzia de copos para cerveja.
Bom, é verdade, eu já tinha várias taças. E copos também.
Agora só faltam as taças de vinho tinto, as de licor, as de coquetel e, é claro, os copos de uísque.
Essa semana instalei os chandelies da sala. Um de três braços com cristais negros sobre a mesa de jantar. Outro de cinco braços com cristais brancos na área onde um dia haverá sofás.
Um chandelie de família, todo em cristal veio completar o escritório. Um outro, moderno, com aço, foi para o closet.
Definitivamente estou na fase dos cristais.
A relação com a casa ainda nova é estranha. Há dias que acho que não precisava ter comprado um apartamento, quiçá um tão grande. Vez que outra ainda me sinto estranho aqui dentro. Especialmente quando estou sozinho.
Por outro lado, a experiência de ter a própria casa é única. Essa coisa de garimpar cada detalhe, de encaixar cada peça de um quebra-cabeças onde é preciso conciliar os sonhos, a praticidade e o orçamento acaba sendo um processo, antes de tudo, de descobrimento. Para fazer uma casa com a minha cara, primeiro preciso definir o que é “a minha cara”.
Pelo rumo que esta casa está tomando eu sou mesmo medieval. Ou melhor, vitoriano. Não sou nada básico, ainda que haja um resquício de sobriedade e uma pretensão de conservadorismo. Sou mesmo de bases neutras e detalhes marcantes. Sou um homem de minúcias. Muitas delas.
Ta, admitamos, não sei fazer nada sem exagero. Vai ver eu nem mesmo tento.
Aliás, também comprei uma base para abajur e um porta-guardanapos num antiquário. Tudo em prata. Será uma nova fase?
Mas também comprei um chemisie estampado para minha mãe. Que vai combinar perfeitamente com as sapatilhas douradas que já havia comprado semana passada.
Ainda faltam muitos presentes de natal. Preciso tirar algumas manhãs para ir aos shoppings. Nessa época do ano, eles só são suportáveis antes do meio dia. Preciso de algumas coisas para mim. Um pouco de juízo, por exemplo.
Eu sei, eu sei, a vida pós-apartamento não comporta tantas compras. Sim, sim, meus valores mudaram (ou transmutaram). Eu sei que todo esse apelo comercial do final de ano é uma armadilha. Mas entendam, é um ano tão peculiar, tanta coisa aconteceu, tanta coisa boa. Sei lá, impossível não querer compartilhar com quem eu amo. Impossível não querer encher todo mundo de presentes.
Dividir.
E lá tem graça ser feliz sozinho?

terça-feira, dezembro 05, 2006

Solidão a dois



E todo mundo fala da tal pesquisa do IBGE sobre o aumento do número de casamentos e divórcios este ano.
Não sei se sou a pessoa adequada pra falar sobre o assunto. Bom, isso nunca me impediu de falar sobre qualquer assunto...Bom, a verdade é que no total, desde os meus 17 anos, eu não devo ter estado solteiro por mais que um ano. Depois de um namoro de quase três anos tive um casamento de 10 anos e seis meses depois já estava casado novamente. E isso já faz quase um ano!
Enfim, gosto de estar casado. De certa forma sou mais eu casado. Não, não que eu não goste da minha própria companhia, ou que seja co-dependente de relacionamentos. Nada disso. Digamos que eu evolua melhor, ou pelo menos mais rápido, quando estou acompanhado.
O que sustenta meu casamento? Amor. Sim, sim, amor é um bom suporte para que duas pessoas fiquem juntas. Respeito e admiração mútuos são, no mínimo, indispensáveis. Mas não é exatamente isso que me faz ficar com alguém.
Acho que a verdadeira razão para que fique com uma pessoa é simplesmente a ausência de qualquer razão para que eu fique com ela. É isso: não preciso de motivo para estar com quem amo. Não preciso de avaliações de pós e contras, de conveniências, de concessões. O que me faz casar é uma única sensação: a certeza.
Nas duas vezes foi assim. Olhei e não pensei. Simplesmente sabia que estava diante da pessoa com quem ficaria para sempre. Ou pelo resto de nossas vidas. Ou pelo resto de nossa felicidade. Daí é só fechar os olhos, respirar fundo e ir.
Sempre lembro de um desenho animado que assistia quando era criança. Acho que era um episódio do Pica-pau em que uma bruxinha subia na sua vassoura e dizia: “e lá vamos nós!”. Era esse o código de ignição para que a vassoura levantasse vôo.
É esse o meu código para casar. Olho e digo “e lá vamos nós”.
É nisso que acredito. Todo o resto, me parece, é fadado a dar errado.
Pode dar errado para mim? Sim, pode. Mas e daí?
Parece-me bem pior começar uma relação sem acreditar nela.
Talvez seja esse o problema de muitos relacionamentos. Talvez as pessoas coloquem as expectativas erradas nos relacionamentos.
Tive relacionamentos que não acabaram em casamento, e que nem por isso deixaram de ser satisfatórios, justamente porque já os comecei sabendo que não seriam casamentos. Não fui menos sincero em meus sentimentos por essas pessoas, muito pelo contrário.
Acredito. Acredito em alma gêmea, em metade da laranja, em tampa da panela, em gomos da bergamota, em tijolinhos da construção.
Não acredito em príncipe encantado. Acredito é no homem certo.
Principalmente, não acredito na princesa. Bela adormecida perdeu o bonde. Sou mais da Cinderela que ralou no borralho para estar no lugar certo e na hora certa. E vestida para matar!

Sobre o aumento do número de casamentos, divórcios e segundos casamentos, parece algo perfeitamente coerente ao mundo moderno. Não, não é o amor que está no ar. É o medo. Medo de ficar sozinho.
Para mim a estatística oficial confirma a hipocrisia em que vivemos. As pessoas casam, descasam e recasam como quem troca de roupa, ao sabor da modernidade, da oportunidade, da opinião alheia.
Bom seria se o censo conseguisse apurar quantas dessas pessoas estão casadas, e quantas simplesmente estão sozinhas juntas.

segunda-feira, dezembro 04, 2006

Ainda sem tempo, ou interesse.
Ainda correndo.
E meio sensível demais.
Assim, sensível.
Não frágil, não emotivo.
Sensível.
E na quinta-feira eu não apenas encontro as vieiras, mas as encontro mas conchas. Em Porto Alegre! Uma cidade sem litoral! Coquilles St Jacques nas próprias conchas! É como tirar na loteria.
Sexta-feira, acordo cedo encomendo as tortas e acho o coquetel perfeito para as taças perfeitas. Daí uma escolha errada de camisa quase me estraga o dia. Ouvi essa semana que aos nos depararmos com uma experiência nova, é nas nossas memórias associativas que vamos buscar o sensorial para qualificar a novidade. Bom, a tal camisa trouxe à tona uma associação de lembranças ruins. Até aí nenhuma grande novidade. Sei lá, ando revendo minha opinião sobre o passado. Andei convicto de que o passado não servia para nada. Isso depois de acreditar piamente que somos eternos frutos de nossa própria história. Também tentei o passado seletivo: só lembrar as coisas boas. Não sou habilidoso em memorizar versões convenientes das histórias. Meu talento está na sempre na versão ruim. Tento não pensar no passado. Nem no futuro. Tento ser maior, ou melhor, que minhas lembranças ou conclusões. Tento ser um homem livre de preconceitos e julgamentos. Inclusive ao meu respeito. Voltei para casa e troquei de roupa.
Mas o dia acabou bem, e a terrine de salmão ficou perfeita!
A festa de meu pai foi uma das melhores que já tivemos. A noite quente nos convidou a servir todo o serviço na varanda, com o clima gostoso das luzinhas de Natal. E tudo parecia conspirar para o conjunto de seda rosa que minha usava, ou para minha camisa com flores e meus chinelos de couro marfim. E minha irmã ligou na hora certa. Está em Madri, jantando ostras.
Perversão minha, é provável, mas uma das minhas conquistas adultas é beber com meus pais. Uma certa leveza – ou liberdade – etílica e afetiva. E cada vez mais me delicio tendo conversas adultas com meus pais e tios. E meu avô paterno? Sei lá, é estranho ver como ele é parecido com meu pai, e como eu sou parecido com meu pai. E de repente, como me disseste, somos o mesmo homem em idades diferentes.
Bom, somos inegavelmente parecidos. O mesmo nariz, os mesmos olhos pequenos. Ainda que meu avô tenha olhos azuis, meu pai, verdes, e os meus sejam pretos como os da minha mãe.
Mas não somos o mesmo homem. Cada um de nós tem sua história, seus sucessos, suas mágoas. Temos os três pontos em comum, é bem verdade. Temos saudades da mesma mulher. Minha avó foi uma das figuras mais sutilmente importantes em nossas vidas. Em cada um de nós hoje há muito dela.
É, o passado me interessa. Às vezes me acalenta, às vezes me adverte, outras só diverte. Não vivo no passado, tão pouco no futuro. Definitivamente meu foco cada vez mais é no agora.
Sensível.
Bem sensível.
Cheio de sensações. Queria entender algumas coisas. Queria encontrar algumas respostas no passado. Vai ver isso é meio covarde da minha parte. Vai ver eu não queira admitir que haja algo de errado no hoje. Talvez ache mais fácil colocar a culpa no que já passou e não pode ser mudado. Ou a megalomania da criatura chegou ao ponto de, exatamente, ser capaz de mudar o passado.
Sinceramente, não quero pensar a respeito. Não agora.
Mais alguns dias de trabalho intenso pela frente.
Depois vem o Natal. Cardápio. Presentes. Mais festas.
Gente feliz a minha volta. Isso sim, me interessa.