sábado, julho 21, 2007

O critério mais elevado




É sexta-feira e muita coisa aconteceu nessa semana.
Não sei se é o momento, nem mesmo se há necessidade, de se qualificar os ocorridos como bons ou maus. Sei lá, numa semana em que tantas famílias foram separadas... Ainda que a minha tenha sido reunida.
Pois é, na semana em faz um ano e meio que eu casei de novo, e que faz um ano que eu me mudei da casa dos meus pais, e na semana que minha irmã voltou para a casa deles depois de ter ficado um ano morando na Europa. É e o casamento dela, de cinco anos, acabou.
Nesses meus quase trinta e três anos, acumulo dois casamentos e um funeral. Acumulo algumas separações consensuais e outras tantas nas quais não fui consultado. Muita gente passou pela minha vida, pela minha cama, pela minha memória. E para muita gente quem passou fui eu. Só ficou quem era importante. E o que mais interessa?
Não choro os amores que tive, porque os enquanto havia lágrimas a serem derramadas. Tão pouco choro os amores que perdi, porque os amores de verdade nunca se perdem. Tenho lá meus arrependimentos, e quem não os tem? Me arrependo de algumas reações, mas não posso fazer nada quanto às cisrcunstâncias.
Do que me orgulho é de poder pagar minhas próprias contas e mais ainda de poder escolher que contas quero fazer. Me orgulho de gostar de voltar para casa mais do que de sair. Me orgulho de levar a vida que eu quero e com que eu quero. E, principalmente, me orgulho de querer tudo como está, ainda que saiba que poderia ter tudo diferente.
Tenho orgulho do até aqui. E do por enquanto.
Olha, cada vez mais me convenço que morrer eu vou é de qualquer jeito, mas no que depender de mim, não vai ser é de vontade. Porque vontade eu mato e mato logo. Sou pessoa ansiosa e imediatista. E como eu tenho pressa! Às vezes até pressa de ficar sem nada para fazer.
Sigo na minha filosofia inabalável de vida de que a gente tem que estar sempre quitado. Sempre pronto. Com a mala sempre arrumada. E vazia. Dessa a vida a gente não leva nada e se bobear ainda sai devendo. Eu não, não mesmo.
Acho que a vida nos cobra, sim, e muito, nos cobra atitude, nos cobra comprometimento. Não existe desrespeito maior do que levar uma vida vazia de vida ela mesma.
E a vida nos cobra, sobretudo, atenção. A vida em sua obviedade é cheia de sutilezas. Cabe a nós não perdê-las. Os tais sinais, como eu os chamo. Impressionantemente – e felizmente – a vida está sempre nos sinalizando sobre o que deve ser feito, sobre o que precisa de atenção. Não podemos nos furtar a esses avisos. Nem os temer.
Num desses recados, a vida me trouxe minha nova fonte de inspiração, a filósofa judia alemã Hannah Arendt. É dela a minha nova frase preferida: “a verdade é o critério mais elevado do pensamento [...]. Sem pensamento não há verdade.”
Não por acaso, Hannah é fã de outro filósofo que eu adoro: Emmanuel Kant, que nos ensina que a filosofia é o saber de si mesmo como princípio de acesso para a liberdade, donde a ser conseqüente é a obrigação principal do filósofo.
Ser conseqüente. Abrir a caixa da verdade através do pensamento. Abrir a sua própria caixa de verdades através do próprio conhecimento. E segurar a onda de saber a verdade sobre si mesmo.
Acredito nas minhas verdades, nas minhas circunstâncias. Acredito em mim. E sei o quanto isso custa. Pago a conta, de bom grado.
A verdade é o critério mais elevado do pensamento. Eu não me contento com menos. Não vou me desperdiçar com simulacros. O que é meu eu quero inteiro e pleno. E quero na hora certa.
Não percamos tempo, não com mentiras.

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