terça-feira, janeiro 30, 2007

São Paulo Cansei de Ser Fashion Week - 6º Dia




Isabela Capeto segue firme no post de queridinha da moda brasileira. Ela compreende, como ninguém, os anseios de praticidade e feminilidade de suas clientes. O resultado, mais uma vez, é uma coleção para vender como pão quente e para ganhar versões pelas lojas do Brasil afora.
Isabela sabe dosar estampas, cores, bordados e dessa vez muitos babadinhos com a modelagem das roupas, conseguindo sempre resultados muito viáveis para o cotidiano de qualquer mulher.
A coleção veio mais escura muito rica em bordados e plissados. Tendência absoluta para o inverno.
Trouxe bons vestidos, mas ainda é nas saias que Isabela apresenta seu melhor.
Uma coleção bem bonita, que só não funcionou nos chemisies com jabô, mas sem definição na cintura.



Talvez a melhor estréia dessa SPFW, Priscila Darolt trouxe divas do jazz para a passarela.
A primeira parte do desfile é empolgante com minivestidos de tafetá em preto e azul decorados com primorosas dobraduras do próprio tecido. A tal tendência origami que, aqui, aparece livre do estigma oriental e ganha o destaque merecido para a técnica. Muito lindo.
Depois os vestidos ganham mais cor e recortes arredondados marcados por grandes botões. Aí já acho que a coisa ficou muito anos 80 e de repente me vi diante do catálogo da Tucano, da antiga Mesbla!













Na sua própria Star Wars, Jefferson Kuling acaba derrotando a estética. A coleção de proposta robótica acabou ficando dura e performática.
As primeiras peças, quadradas e sem movimento apenas serviram de apoio para os feixes de varinhas plásticas dando um efeito de crina. Podia ter dado certo, mas não deu.
Depois vêm os tais looks robóticos com peças mais articuladas, com recortes e composês de tecidos em bolsos, lapelas, palas e mangas. Mas tudo segue muito sem caimento, sem charme. A coleção não é nada feminina, e muito menos charmosa. Seja lá o que Jéferson quisesse ter feito, Glória Coelho já fez melhor.






Chocolate com pimenta e sem sal. Essa foi a proposta da Huis Clo. Clô Orzoco quis cruzar o final dos anos 80 com referências dos anos 60. Pegou as parkas e blazers e retirou as ombreiras e vários centímetros do cumprimento. Também deslocou as cinturas para os quadris e arrematou tudo com cintos no mesmo tecido dos trenchs, parkas, calças, bermudas e vestidos.
Para arrematar bonés/turbantes e luvas curtas.
O resultado foi um desfile totalmente anos 20. Praticamente um desfile de trajes de época!
A qualidade do corte da Huis Clo são inegáveis, como também não se questiona a qualidade dos tecidos. E eu sei que a clientela da grife espera justamente isso: roupa bem feita e quase clássica. Mas dessa vez acho que houve um exagero da própria fórmula.
O desfile ainda quis mostrar que qualquer mulher pode usar as criações da Clô. Para isso usou no casting seis mulheres “comuns”, não modelos. A intenção foi boa, só não funcionou porque a mulher comum da Huis Clo é tão magra e alta quanto as modelos.









O que falar do desfile V.Rom? Perfeito para o homem fashionista e só mais um para os demais. É que tudo é o de sempre no fashion masculino. A coisa segue a idéia de alfaiataria, street, moletom. Até o moletom com capuz por baixo do blazer e macacão com gravata teve! Agora me diz: cadê a novidade?
Daí não tem como falar mal da coleção. Ainda que também não haja motivo para falar bem. Tudo o que havia para ser dito já deve ter sido dito em qualquer outra das idênticas coleções masculinas dos últimos anos.

Na dúvida, vou atualizar meu guarda-roupa com as charmosas camisas xadrezes com a gravata combinando









Ele voltou, ele voltou!!! Sommer agora é Do estilista. E foi preciso mudar para ser o mesmo. E então Sommer reencontra a alegria de carrossel circense que caracterizava inclusive o barato da decoração da loja na Rua Augusta.
A coleção é linda. Divertida, colorida e de formas precisas. Nem tudo funciona, mas tudo é gostoso de ver.
O melhor fica nas estampas que dão vida aos modelos de cortes simples. Cinturas marcadas, ombros naturais, saias em “A” e barras arredondadas para elas, sem esquecer as manguinhas bufantes. Para eles cortes retos e mais próximos ao corpo, sem serem, contudo, justos.
A estampa de losangos de fita só funcionou no masculino.
As estampas de paisagem funcionaram geral nos casacos e jaquetas, mas sobrou nas calças e bermudas.
O xadrez tartan vermelho é de fazer Viviane Westwood pedir mais.
E os cavalos no fundo rosa deixariam Hèrmes louco de inveja.
Tudo feito para alegrar o jeans ou para quebrar a sisudez de uma peça em alfaiataria cinza.
Os matelassês sobraram, bem como as peças em de vinil.
No mais, tudo bom.
Um final bem feliz para essa São Paulo Fashion Week.



segunda-feira, janeiro 29, 2007

São Paulo Mais do Mesmo Fashion Week - 5º Dia

Começando os trabalhos desse quinto dia, Wilson Ranieri trouxe uma pequena coleção bem feminina e simples. Boazinha. Uma coisa quase Cori.
Tem aquela virtude, que eu tanto gosto, de conjugar roupa aparentemente confortável e suficientemente bem cortada, portanto capaz de vestir corpos reais e servir às necessidades de mulheres com vidas reais. Uma coleção que usa um aspecto do conceito de elegância, e faz moda que não sai de moda e nem tem idade para usar.
Confesso que não gostei dos repuxados de moulage na maioria dos decotes dos vestidos, mas o mesmo efeito nos detalhes nas barras e mangas me agradou bastante.
Uma estréia tímida, mas confiante, e que cumpre a missão de nos fazer querer ver o trabalho do estilista na próxima edição.

Meninos moderninhos do inverno 2007, podem ir cortando as calorias extras do cardápio. Melhor é cortar todas de uma vez, porque se quiserem usar Caio Gobbi, é melhor estar bem magrinho!
O queridinho da Ouro Fino resolveu fazer skinny jeans para meninos, e o resultado é uma curiosa coleção onde a androgenia pega pela outra ponta e os meninos é que vêm bem femininos. Daí rola de tudo, como túnicas longas com cinturão, botas por cima das calças e blusa de lurex.
Mas o resultado tem lá seu efeito. E a estampa de arabescos foi bem escolhida. Até as duvidosas calças de moletom cinza ganharam alguma bossa com as inscrições em hebraico. Eu ainda não usaria uma delas fora de casa, mas me aventuraria bem no cardigã dourado ou no max tricô bem versátil.
O feminino foi um coadjuvante óbvio, ainda que correto. Nada a comentar.




Amiguinhos, vamos começar a contar as moedinhas, porque a Mário Queiroz vai dar o que comprar. Pois é, o tédio também custa caro.
A moda masculina anda um tédio faz tempo, todos sabemos. Todo se dirige ou ao segmento jovem rebelde de butique ou ao jovem careta de butique. Tanto faz, desde que seja bem caro e bem parecido com algo que a gente já tenha no armário. Para ter certeza que algo seja comprado, a saída é mudar o estampado nas mesmas formas do ano passado.
Pois bem, Mário Queiroz, que desde sempre é muito “antenado” nas coleções masculinas de Milão, deve ter feito parceria com a mesma serigrafia da Maria Bonita e também imprimiu a imagem escaneada de outros materiais nas suas roupas. A bola da vez foi o pêlo. Sim, sim, o mesmo material que Herchovitch usou, só que aqui apenas impresso.
O resultado é a coleção de temática bicho(a) fashion. A estampa de pêlos é feia, nada além disso. Bem melhor é a estampa de silhuetas de animais como leões, elefantes e macacos.
A camisa branca deu incrivelmente certo. O jeans acinzentado e listrado é manjado, mas funcionou bem no composê com a camisa e casaco.
Tudo na linha caretinha, porque quando MQ tenta sair disso o resultado é desastroso, como o look de abertura ou a hedionda capa étnica.
Eu compraria várias peças, se o Mario Queiroz não tivesse perdido a noção de preço há uns anos atrás.







Tratar o desfile de Samuel Cirnansck como mais um dentro da SPFW é sempre atalho para o equívoco. O trabalho de Samuel é mais um daqueles que ultrapassa o vulgar conceito de “semana de moda”. Estamos diante de outro caso de arte na forma de roupa.
Samuel faz alta-costura. Essa é a sua praia, e é nela que ele navega com certa maestria. As coleções são sempre dramáticas, na mais pura conotação fashion do termo. Mas há uma qualidade rara nesse tipo de concepção, pois as roupas de Samuel não têm cara de figurino teatral. Tudo bem que a maioria das roupas não vão ser usadas, mas por falta de ocasião e não de por excesso de conceitualismo.
O que importa é que o desfile traz belos momentos. A estampa de rabiscos funcionou bem. As bordas queimadas, ainda que não sejam novidade, fecharam bem os babados dos vestidos brancos e as rendas delicadas.
A proposta de fazer o tradicional tema palaciano do século XVIII com a batida rock&roll ficou na medida do bom gosto. E ainda que Samuel tenha apresentado alguns looks mais limpos e curtos, continua sendo nos longos elaborados que o artista se destaca.
Formandas e convidadas de casamento exageradas, atenção!






Se deu certo para a Marisa Monte e outros tantos wannabe do cult instantâneo, por que não daria certo para a Cavalera? É, porque moderno que é moderno, não pode deixar de reverenciar um bom samba. Não, não qualquer samba, samba antigo, vintage, moderno cool tem que ter uma velha guarda para chamar de sua.
A da Cavalera foi a velha guarda do samba paulista, é que para não perder a vocação urbana.
O resultado é uma coleção estampada com figurões como Adoniram Barbosa e os Demônios da Garoa. E muita renda (renascença, que ainda é a moderna da hora) e crochê. Para eles e elas.
A primeira parte do desfile me surpreendeu com uma Cavalera docemente feminina em renda branca com saias rodadas. E já vamos registrar que todos os looks para elas em branco e preto estavam lindos.
Ainda nesse começo de desfile os homens aparecem tímidos, mas bonitinhos em tons escuros ou pálidos, em peças mais ajustadas e com xadrezes comportados.
Para ambos o jeans matelassado é irresistível.
De repente o desfile começa a ganhar cores e em especial o laranja traz belas propostas, isoladas, é bem verdade, na segunda parte do desfile que descambou para um certo exagero carnavalesco meio brega. A estampa Arlequim color não mereceu o revisita. Os looks femininos coloridos e excessivamente brilhantes ficaram muito abaixo dos em renda branca.
Pois é, a Cavalera também entrou na trip de “femininizar” os looks masculinos, mas forçou muito a barra na regata de crochê branco. Bem mais feliz foi o usa das rendas.




domingo, janeiro 28, 2007

São Paulo Quero Ser Fashion Week - 4º Dia


Amiga, você que tem o quadril estreito, que sempre quis ter curvas com as de Jenifer Lopez , ou qualquer medida acima de 100cm abaixo da cintura, não se preocupe mais! Seus problemas acabaram! A Maria Bonita trouxe a solução.
E é muito simples! Peças largas, em linha “A”, tudo ajustado pela largura do quadril, tudo brilhante e estampas geométricas bem grandes. Grandes e brilhantes. De preferência pegue estampas clássicas como o xadrez ou pied-de-coq e transforme em prints gigantes sobre tecidos plastificados ou metalizados, não importa, desde que não tenham caimento.
Não esqueça do maldito preto-amassadinho-brilhante oficial dessa Quero Ser Fashion Week.
Para achar bonitinho, só as meias calças de silicone (nem imagino como deve ser “gotoso” usar uma delas...) e o print de tranças de tricô.
Ou então, amiga, esqueça essa chatice de imposição da moda e saia logo de casa usando seu roupão de banho!!!







Em sua estréia no mainstream, Simone Nunes não desapontou. A coleção tem uma carinha charmosa de costureira de bairro, ou seja, delicada, bem acabada, despretensiosa e cuidadosamente artesanal. Talvez uma coisa que estivesse faltando na SPFW.
Tudo tem cara de patchwork, com xadrezes pálidos, matelassês e flores aplicadas. As aplicações, aliás, são a assinatura de Simone. E tudo é usável e transborda conforto.
Algumas peças exageram um pouco nesse conceito e acabam ficando meio desleixadas demais para a passarela, caso do look com colete vermelho, por exemplo.
E para minha alegria, a estilista aposta no azul marinho, cor do meu look preferido no desfile: o vestido sequinho com flores laranjas aplicadas.











Lorenzo Merlino conseguiu um feito curioso: fazer uma coleção que de longe parece monótona e de perto parece exagerada. Pois é, para contrabalançar o uso temático do plastificado, Lorenzo criou modelagens sofisticadas e roupas de coquetel. Tudo bem chique e pretinho. Mas olhando mais de perto, a trama de tricô e as tiras de PVC que deram brilho a saias e calças somou-se aos babados e evasês e aos decotes arquitetônicos e aos ombros em evidência e às golas altas e às mangas longas levemente bufantes e aos comprimentos assimétricos e às transparências e aos lindos sapatos.
E num momento lapso, teve estampa de vaquinha (?).
É uma coleção bonita, mas de certa forma frustrante. Porque vem com a promessa de revitalizar clássicos, mas não a cumpre. Não diria que faz feio, de modo algum, mas podia ter feito muito mais bonito.
Mas é muito, muito, bem cortada.
E tem o masculino, aplaudido pela crítica supostamente especializada, mas que para mim não disse muita coisa. É óbvio e bem intencionado, tem as calças sequinhas e as jaquetas quadradinhas, certeiro para o público masculino que quer ser moderno sem parecer muito gay. Aquela fórmula batida da roupa com ares de alfaiataria usada com tênis e blábláblá.
E no momento lapso trás o figurino açougueiro fashion.
Eu fora, ainda sou mais da Zoomp.











Vamos explicar assim, se nossas mães ganhassem a chance de voltar no tempo, ao anos 80, e fossem jovens ricas e fossem convidadas para um cruzeiro de férias com desembarque no Marrocos. Uma semana de festas, boates e drinques coloridos em taças de martini. Sabe o que elas vestiriam? A coleção da Neon.
É isso, uma coleção com um ar nostálgico chic bem gostoso. Com as cores e estampas que são o forte da Néon. Vermelhos lindos e formas que valorizam a forma da mulher na medida certa.
Bem bonita e curiosa. Uma coleção fora de todas as tendências que já vimos nessa SPFW,mas independentemente bonita e feminina.
Gostei!





Não entendi a Fábia Bercsek. O mesmo desfile duas vezes. A primeira já não tinha sido grande coisa, daí voltam todos os looks de novo acrescidos de uma peça feia de tricô. Eu hein...
A combinação de roxo intenso com o tom nude ficou sem graça. O mesmo roxo em calças bufantes presas no tornozelo causou algum efeito, mas esqueça o modelito para corpos de não-modelos.
Tirando a estampa engraçadinha de cogumelos, todo o resto não funcionou. Os toques de dourado sobraram e as botas eram muito pesadas.
Agora, terrível mesmo foi o look “Xanadu – as professoras de aeróbica também fazem moda”.










Eu sei que estou meio velhote para a Vide Bula, mas o slogan Be happy fashion me serve como uma luva! A Vide Bula fez um desfile-manifesto (super bem humorado) contra a anorexia. Todos os modelos foram montados sobre leggings com print de caveira.
Mas tirando toda a jovialidade estereotipada do desfile, há várias peças muito boas. A modelagem ampla,mas simples, garantiu um frescor à coleção. O print onça funcionou incrivelmente bem e as parkas em vinil colorido iluminam qualquer dia de chuva nesse inverno.
Eu quero o azul clarinho, para usar por cima dos ternos cinzas.




Sabe aquela máxima de que em time que está ganhando não se mexe? Pois é, André Lima não sabe. Depois de ter se consagrado com amplos vestidos estampados, com a cintura marcada e decotes generosos, o moço resolveu economizar justamente nesses quesitos que lhe renderam fama.
A silhueta anos 20 sem cintura e sem decote rendeu uma roupa sem corte. As tentativas de mangas amplas ou ombros armados não ajudaram em nada. e as estampas tímidas buscando discrição no branco e preto não tiveram melhor sorte.
Já não estivesse tudo ruim o suficiente, a opção pelas malhas negras e maquiagem caricata dos anos 20 afundaram de vez o nome de André Lima, agora sério candidato a pior desfile da edição.
E de repente me lembro porque uso o trocadilho da São Paulo Trash Week...


















sábado, janeiro 27, 2007

São Paulo Fashion Week - 3º Dia


A gente sempre espera que Glória Coelho apresente uma coleção cheia de seus casacos quebra-cabeças, com muitas pedaços unidos por zíperes, botões ou qualquer articulação. Sempre esperamos muito preto e um quê de androgenia militar.
A coleção apresentada nessa sexta-feira teve tudo isso, mas teve mais. Teve uma Glória Coelho muito feminina recorrendo à já manjada inspiração Luis XV, Maria Antonieta e rock&roll, mas tudo bem, o importante é que funcionou legal.
Ainda que a coleção não tenha fugido de mesmice do últimos dias, ou seja, calças pretas justíssimas, saias e shortinhos balonês e casacos acinturados e com golas armadas, Glória trouxe roupas bem mais usáveis do que aquelas que a caracterizavam até então. O destaque, por todos comentado, são os vestidos de cetim de seda verde.





Tereza Santos, ex Patachou, veio forte nas malhas. Ainda bem, porque o resto não valeu a pena.
Mas os tricôs são bem bonitos para vovó usar. Tudo begezinho, fofinho e soltinho. O veludo molhado creme é capaz de envelhecer qualquer mulher!
Infelizmente, a maior parte das propostas não deu certo. As saias de tiras de lã ficaram longe do look conseguido pela Cori coma pele sintética. As regatas transparentes de canutilhos são engordantes e as saias de veludo marrom com lurex pink mereciam queimar no fogo do inferno! Vai de retro coisa feia!



Érika Ikezili atacou de oriental. Personalizou com o geométrico. E como resultado conseguiu uma coleção para jovens moderninhas e alternativas,ou seja, inútil para qualquer guarda-roupa cuja proprietária já tenha saído do colégio.
Ainda que os recortes vazados nas peças cinzas seja curioso e que as botinhas xadrezes possam render alguma coisa, a coleção de Érika não salvará nenhuma alma do purgatório fashion.




Alexandre Herchovitch apresentou hoje sua coleção masculina. Esquimós, neve, praticantes de snowboard. Tudo junto reunido para formar uma coleção com apresentação de passarela mas apelo comercial evidente. Bem boa!
Alexandre resgatou as peles sintéticas off-white que usou para a Cori e deixou o homem do inverno 2007 igualzinho ao urso polar da CocaCola!!!Fofo, fofo. Mas para se redimir fez belas jaquetas com capuz de pêlo. Foram jaquetas pretas e brancas (e já aviso, que posso matar alguém para ter essa branca!) em matelassê e uma série maravilhosa com mosaico colorido feito de pequenas placas esmaltadas. Aliás, o xadrez colorido marca presença junto com as tradicionais caveiras que também ganham cor para alegrar os tons neutros de preto, branco, cinza e bege.
Pelo menos Alexandre livrou o público masculino do ridículo das calças justas!
De novo, não é o melhor já visto de Herchovitch. Se bem que isso não importa, todos os fashionistas lhe são fiéis e vão achar tudo lindo, impactante e absolutamente necessário.
Então tá.




Blow up, anos 60 e a Iódice vem perdida. Deixa eu explicar, Waldemar Iódice continua sabendo fazer o básico de luxo como ninguém, mas o resto foi de doer. Tudo o que não era preto estava ruim! A tentativa de combinar o preto com cores quentes e vibrantes não funciona nunca, e não seria diferente com a Iódice. O folk requentado de flores bordadas no fundo preto já foi bem melhor apresentado por Gaultier em 2005/2006 na coleção inspirada na Ucrânia. As peças coloridas e estampadas estavam mais para carnaval do que para coleção de inverno e os prints animais ficaram totalmente deslocados.
E de castigo ainda rolou o remake do macacão que a Rita Lee usou na capa de seu disco de 1980 (que nos condenou a ouvir para sempre Lança Perfume e Baila Comigo) e que depois Elis Regina pegou emprestado e nunca mais devolveu.




Pronto, o povo do mundo da moda achou um desfile para chamar de seu: Ronaldo Fraga. Sim, sim, teve muito alfinete de desfile enchendo o olhinho d’água com o “exército” chinês sentadinho nas bordas da passarela comendo arroz com pauzinho direta das box de tele-entrega (personalizados, of course).
Mas falemos da coleção. Bom, Ronaldo Fraga descobriu seu público e a ele (e seu poder aquisitivo) segue fiel. Você, amigo(a) na casa dos trinta que já ganha seu próprio (e não pouco) dinheiro mas que acha a Zoomp muito certinha encontra em Ronaldo Fraga a sua fonte da juventude, o seu passaporte vitalício para o eterno playcenter da adolescência tardia. Então tudo cabe em você, os vestidos são soltinhos e confortáveis, com comprimentos respeitáveis; as jaquetas são práticas e usáveis; as calças são soltas. E tudo é alegremente estampado. Jovial, exclusivo, cheio de personalidade e irreverência. Todo mundo feliz!
E realmente as estampas agüentam a carga de serem o único atrativo da coleção. Ainda que não o fossem, roubariam a cena. As gueixas em sépia bege não são novidade, mas são lindas. Até eu quis ser jovem e livre para me vestir de China Pop estampada em cinza ou com a estampa de vasos.
A estampa de sapatos, bem, essa não preciso nem dizer o quanto me interessa!
Enfim, uma coleção de Ronaldo Fraga com a cara de Ronaldo Fraga e seu público pseudo-moderninho.
E eu acho todos os pseudos muito divertidos (qual chato não é divertido na primeira meia hora?).
A propósito, não sei se a Lílian Pace se emocionou, porque afinal a diva assiste a todos os desfiles de óculos escuros e no final ela sempre diz que está emocionada. Bem sensível ela, né?

quinta-feira, janeiro 25, 2007

SPFW - 2º dia

E segue a São Paulo Fashion Week. E o inverno 2007 começa a ganhar forma e cor. É cinza, curto e solto. Flerta com a alfaiataria e com o sportwear. Entenderam? É isso mesmo, tudo na mesma do último verão, ou do último inverno. A única proposta que ameaça ser novidade é a opção pelo cinza.
O pior dessa semana de moda é o mesmo pior de qualquer outra semana: os comentários da Lílian Pace. A mulher é uma incógnita para mim! Ela não sabe se vestir, não sabe fazer uma entrevista, às vezes é até meio grosseira, só faz comentários dispensáveis e, simplesmente, acha T U D O lindo, fantástico, criativo.
Enfim, ela combina com o universo da moda brasileira.
Pequeno Lutti, cheio de decepção e nada entusiasmado enfrenta o segundo dia da SPFW, pedindo força e luz para enxergar a beleza do mundo pelos olhos dos estetas locais.
Esperança sempre há. Vai que hoje role um desfile para calar minha boca? Vai que hoje venha a coleção que dê um tapa na minha cara e me faça largar mão dessa implicância com os talentos nativos?
E antes de começar a comentar, só mais uma queixa, sobre algo que eu não tinha percebido, mas que me foi alertado por quem sabe das coisas: onde estão as modelos negras? Como assim as semanas de moda brasileiras estão cheias de alvas modelos russas e polonesas? Não deveria a moda brasileira ser feita e mostrada pela etnia mais representativa de nosso povo?






A Raia de Goeye conhece bem suas clientes. A coleção é para elas e para mais ninguém. Felizmente.
A marca sempre aposta nos comprimentos mínimos e em toques mais, digamos, ousados. Mas dessa vez exagerou na dose. A coleção de peças curtas e amplas combinadas com decotões e babadões ficou demais até para quem simpatizava com o trabalho da dupla. As calças boca de sino são terríveis, conseguem ser até piores que as saias longas com volumes dispensáveis nas barras. Sinceramente nenhum look merece elogio e poucas peças isoladas o mereceriam.
O único destaque a ser feito é o vestido branco usado por Marcelle Bittar, que ganha o título de coisa mais feia que a Raia de Goeye já fez!!








Patrícia Vieira e suas brincadeiras com couro apresentou um desfile bonito e correto. Mas tanto couro me dá um pouco de medo. Medo da síndrome da Mulher Discovery Channel, aquela coisa muito bicho morto na mesma composição...
As calças de couro preto justas, como já sabemos desde ontem no desfile do Reinaldo Lourenço, ficam legais nas passarelas, mas a idéia de ver mulheres com pernas normais – leia-se com menos de 1,10m de comprimento e mais de 40 cm de circunferência – é preocupante.
Gostei mais do conjunto xadrez, com pespontos, combinado com a camisa amarela. Se bem que foi não foi o mesmo casaco em xadrez que eu gostei no Herchovitch?
Agora, o resultado das peças em franjas de couro ficou surpreendente, quase com a leveza de um boá de plumas. Para quem tem corpo, é uma aposta vencedora.





Querem saber? Desisto da Ellus. Até quando, Senhor, a Ellus vai continuar com essa obsessão pelo arquétipo do viajante? Todo o ano é a mesma coisa, seja inverno, seja verão, a Ellus faz sua coleção sobre alguém fazendo uma viagem para algum lugar. E sempre com a mesma roupa!!! Pois é, mais uma vez a Ellus veio cheia de parkas e outros casacos volumosos. Novamente tudo em preto. Novamente as tais calças justas e feias. Novamente uma estampa horripilante. Ah, assim não dá!
E para dar uma animada, não satisfeita com a estampa de cores néon, a Ellus, como várias outras, também acreditou no falso preto e no preto brilhoso. São os tais metalizados. Medo! Medo, porque as peças são volumosas, e brilho as torna ainda maiores. E quando as peças são justas, o metalizado as torna vulgares. Tem jeito não.






A Cori, coordenada pelo Alexandre Herchovitch, buscou inspiração na Islândia e apresenta uma coleção de toque étnico. E pelo visto nessa coleção e no verão tribal da marca própria, Herchovitch sabe muito bem trabalhar o tem étnico.
O desfile da Cori começa com performáticas peças em pele sintética, resultando num festival de mulheres- avestruz! Mas depois a coisa vai engrenando e surgem uns modelitos brancos com a cara e tradição da Cori. Depois vêm os xadrezes certinhos e os inevitáveis pretos chatinhos. E então um pouco de cinza totalmente sem graça e uns coloridos deslocados. Mas eis que surge um vestido vermelho de gola alta e meu coração começa a bater mais feliz!!! E não para, pois seguem lindas peças estampadas e detalhadas com paetês cor de cobre.
É muito digno o trabalho de Herchovitch junto à Cori. Provavelmente porque a relação, me parece, é muito respeitosa. Alexandre tem conseguido modernizar a Cori sem descaracterizá-la, e isso é maravilhoso.






Você, amigo leitor, ou você, querida leitora, que está na casa dos trinta anos, precisa de roupa chiquezinha para trabalhar (mas que não lhe deixe com cara de executivo sênior), e que quer que essa roupinha também sirva para, vez que outra, cair numa balada ocasional, continua podendo contar com a Zoomp.
Tudo arrumadinho, bem cortadinho, comportadinho. Bem Zoomp, como só a Zoomp sabe ser. E tudo pretinho, branquinho e um pouquinho só de cinza e azul. Uma coleção predominantemente masculina e/ou masculinizada. Volumes bem proporcionados e a presença do preto brilhoso – fetiche desse segundo dia. Eu senti falta do vermelho, cor com a qual Renato Kerlakian sempre soube trabalhar muito bem.
Dispensável apenas a teimosia. A Zoomp insite nos coletes e no lurex dourado, modas que não pegaram e, acredito, não vão pegar. Também requentou o jeans com resina e gliter, mas esse até que ficou usável na proposta.
Em resumo, uma coleção sem graça de tão básica e necessária. Para comprar quase tudo, e atualizar todos os seus básicos. Depois é só comprar peças de outras marcas para aliviar o tédio.






Taí uma coisa que eu não pensei que ia dizer tão cedo: adorei o desfile da Triton! O foco: anos 60, bolas e a artista plástica oriental Yayoi Kusama E de repente a coleção vem redondinha (!). Muitas peças interessantes e super usáveis. Destaco os vestidos de malha com as costas de cetim, o macacão de veludo soltinho, o vestido trapézio preto com estampa de ilhoses. Sim, sim, Tufi Duek conseguiu dar novo fôlego aos ilhoses!
As mangas bufantes também ficaram bem combinadas com os vestidos em corte “A” e o caimento do cetim. A estampa de bolas coloridas sobre fundo marrom é linda.






Comentar Lino Villaventura é fácil. E difícil. Fácil porque antes mesmo de ver o desfile ou de ler o release, a gente já pode escrever que o estilista virá com forte toque autoral e primoroso trabalho artesanal. Saberemos que o estilista fará um trabalho mais voltado para a alta-costura do que para a ordinária via comercial da SPFW. Sempre podemos saber que teremos um show. O que nunca dá para saber é se vamos gostar ou não.
E essa é a parte difícil. Qual, afinal, é o parâmetro para se avaliar o trabalho do Lino? Sim, porque não dá para tratá-lo com o olhar crítico habitual que uso. Lino é daqueles designers que faz arte na forma de moda e não moda na forma de roupa.
Nesse desfile, por exemplo, Lino se dispôs a cruzar Stanley Kubrick com o século XVIII. Para isso optou por um trabalho de origami em tecido de deixar o Galliano louco de inveja. Bem lindos todos os vestidos pretos de coquetel. Bem mais conceituais os armados em tule recobertos com flores aplicadas.
Para o masculino, Lino trouxe camisetas de manga longa coladas ao corpo, inclusive uma de print lagarto que tem tudo para virar febre entre as bibas e barbies.
E eu não posso deixar de bater palminhas para o cabelo das modelos: coque. E não qualquer coque, mas o tipo chignon – o coque das misses -, elaborado e ultra-feminino.

É isso, acabo o dia mais calminho. Mais satisfeito. E com ainda mais dúvidas sobre a Lílian Pace. O que era a pessoa comentando o desfile da Triton ao vivo, dentro da sala, com a participação das cafonas Mel Lisboa e Astrid?


São Paulo Fashion Week - Inverno 2007

A São Paulo Fashion Week já começou mostrando a que veio.
TscTscTsc.
Reinaldo Lourenço não fez apenas um desfile. Fez logo vários. Um (re)mix de tendências que acabou deixando a coleção sem unidade. O desfile começa com a tal inspiração eduardina (Olivier Theykens – Rochas - 2005), depois vai para o rock barroco (Nicolas GHesquière – Balenciaga – 2005), passa pelos plissados e babados do oriental de Dior (alta-costura verão 2007) e se joga nos babadinhos e frufrus de YSL (Stfano Pilati - Yves Saint Laurent – Verão 2006). Sem esquecer toques de pena Chanel (2007).
Mas apesar da falta de conjunto, as peças em si são bem bonitas. As camisas de cetim são candidatas ao clássico e as calças de couro justérrimas combinaram bem com os vestidinhos cinzas.








Depois veio a UMA. A grife que já foi ultra-moderna agora ficou só feia. Muito embora o desfile tenha tido uma evolução bonita na harmonia das cores indo do branco para o cinza, para o preto, incendiando no laranja e de nova acalmando num azul forte. Mas as modelagens soltas e volumes balonês não trouxeram a mesma harmonia. Vocês conhecem minha opinião sobre a inutilidade da moda que não embeleza o corpo. E a estampa de quadrados pretos ficou me lembrando impressões feitas com um mata-borrão.



Giselle Nasser cometeu um grande acerto e um enorme erro. Acertou na escolha das cores: roxo, verde, vermelho cereja. Todas cores que se prestam divinamente para combinar com o cinza – a cor elementar do próximo inverno. E errou feio na proporção das saias. Acontece que Giselle fez uma série de lindos vestidos de festa, todos muito bem cortados e montados, com decotes precisos e corpetes rígidos. Caprichou na parte de baixo dos vestidos, acrescentou volumes e formas. Mas daí, dá a impressão de que achou tudo formal demais para a SPFW e resolveu dar um “toque” moderninho: encurtou todas as bainhas. O resultado ficou meio engraçado. As saias acabaram deixando todas as modelos com grandes quadris arredondados e barrigudinhas. E as botinhas pelo meio da canela não ajudaram nem um pouco.




Fause Haten atacou de noite na Arábia e encheu a passarela com belos vestidos tipo túnica e de um ombro só. Quase bonitos, se não parecessem tanto com lençóis despojadamente presos. Também fez uns camisões árabes combinados com casaquinhos de barra arredondada e calças sarruel, um conjunto horroroso! E ainda uns vestidos tomara-que-caia em tecido brilhante e corte amplo, ou seja, impossíveis de ser usados por qualquer pessoa com mais de 42 quilos! Bonitinho mesmo era o tom de avelã de algumas peças.





Na seqüência, a Forum vem com mais uma coleção pronta para as araras de suas lojas. O único efeito de passarela (espero eu) foram as botinhas medonhas. A inspiração oficial da coleção é o arquiteto Oscar Niemeyer. Sem dúvida os recortes de decotes da Forum tinham forte inspiração arquitetônica, quase perdendo a feminilidade. Uma coisa meio maiô de nadadora. Logo a Forum, sempre tão feminina, acabou trazendo uma coleção sem sex apeal algum.
Pessoalmente achei bem legal o trabalho com placas de resina, ora fazendo pastilhas ora na forma dos arcos de Niemeyer. O tubinho preto, todo coberto dessas peças fez um belo efeito na passarela. Aliás, cá para nós, isso não é Paco Rabanne mais uma vez? Seguindo o exemplo carioca, a SPFW tem como muso secreto o estilista basco. Na dúvida, prefira a regata do mesmo material, que pode render boas combinações com outras peças de outras grifes, porque, afinal, a Forum agora só quer saber de fazer vestidos!
Menos vestido longos, pois ao fazê-los Tufi Duek só pensou em suas modelos, já que os ditos vestidos marcam até os pensamentos da criatura.



A Osklen veio na sua eterna onda esportiva. E fez de tudo um pouco em moletom. E tudo ficou chato e com cara de pijama. Mas depois vieram umas peças em cashemira e outras em tafetá e uma combinação de azul carbono e verde, e a coisa melhorou. O anoraque em tafetá azul carbono é a melhor peça do desfile e pode ser um dos seus coringas (dia e noite) nesse inverno.


Alexandre Herchcovitch me desapontou nessa coleção feminina. O tema da mulher bóia-fria poderia ter rendido momentos mais dramáticos. Se bem que todas as peças em preto eram um drama, para fazer qualquer um chorar de tristeza, ou de raiva. Em compensação os casados estavam primorosos, até porque muito parecidos com os desfilados em outras coleções de Alexandre. E também apareceram os melhores sapatos vistos até agora. As botas nude são algo!
Anyway, o trabalho do estilista continua despontando como um dos mais maduros da moda brasileira e com personalidade suficiente para correr as temporadas de fora do país. Não foi uma coleção bonita ou especialmente empolgante, talvez seja a mais fraca dentre as mais recentes do estilista. De repente o masculino salva a reputação do moço nesta temporada.

Marcadores: ,