terça-feira, setembro 25, 2007

Ainda a mala para a Europa



Oh, te contar uma coisa: blog fino é outra coisa.
Leitora do Comqueroupa passa férias é nas Europa!
Pois é, é uma tal quantidade de e-mails de colegas querendo saber o que levar para a temporada de outono na Europa, que resolvi escrever um outro texto mais específico, fazendo a listinha mesmo.

Mulher viajada, cheia de charme, que vai passar o dia batendo pernas, visitando museus, almoçando em cafés cheios de charme e entrando em cada loja que encontrar aberta, você que quer estar linda e cômoda da estação do metrô até as butiques mais exclusivas, e à noite quer encarar um teatro ou um restaurante mais charmoso, anote aí a sua mala básica:

1 calça de alfaiataria cinza
1 calça de alfaiataria bege
1 legging preta
1 saia preta evasê pelos joelhos
5 camisetas pequenas de malha de algodão, (2 brancas, 2 pretas, 1 cinza)
2 pulôveres de cores vivas
1 cardigã preto ou vermelho
1 vestido de viscolycra estampado em cores escuras (sendo uma delas a cor do cardigã)
2 echarpes de pashimina, uma clara e outra escura
1 trench coat pela altura do joelho
2 pares de sapatos baixos e cômodos, um preto e outro marrom
1 par de sapatos tipo chanel, de saltos médios, pretos
1 bolsa grande marrom
1 bolsa pequena preta

Então, colega, a sua roupa básica para o dia-a-dia será calça, camiseta, pulôver e o casaco, conforme o frio você pode usar uma pashimina no pescoço. Você também pode fazer variações com camisetas e cardigã, como um twinset. Para ocasiões mais formais, quando você quiser estar mais arrumadinha, use o vestido com a legging ou a saia com o cardigã, ou o vestido e o cardigã e os sapatos de salto.
Eu sei que são poucas camisetas, mas como são peças básicas, você poderá lavá-las no próprio hotel, ou simplesmente comprar peças limpas.

Sim, sim, essa é uma mala para mulheres feitas e clássicas. As mais jovens ou moderninhas vão trocar a calça bege por um jeans, vão trocar o vestido estampado por um mini-vestido de cor forte ou por duas blusas de jersey e a saia por uma calça preta. Também podem trocar o cardigã por um colete de nylon e o trench coat por uma parka. Também vale trocar os sapatos baixos por uma bota sem salto e um tênis street.

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segunda-feira, setembro 24, 2007


Que não reste nenhuma dúvida que hoje é dia de festa. Lá onde moram os que merecem, hoje é festa. Pois, é, talvez a festa não seja temática como de costume, mas tenha certeza que é uma festa especial, porque sei, como ninguém, que qualquer coisa fica especial com tua presença. E eu, o que fazer, sigo buscado esse especial, ainda que na tua ausência.
E ainda que eu não acredite na simplicidade de coincidências, acabei as férias num final de semana de casa cheia, com três festas na seqüência. Canapés na sexta, jantar a francesa no sábado e chá da tarde no domingo. E não por menos “coincidência” de presente ganhei ver tua mãe mais bonita do que nunca, enfim com o rosto descansado, falando de viagens, de reformas na casa, fazendo, enfim, o que sempre deveria ter feito. E recebê-la nessa casa que não é só minha, e que não é tua, é algo mágico, e não sei como explicar isso, mas me faz sorrir com um encanto que faz tempo eu pensei ter perdido. Sim, sim, sou eu eu mesmo de novo, e sempre bem feliz. É que quando a gente ama tudo fica mais fácil e eu definitivamente fico melhor.
Das cosias que a gente aprende nessa vida. ou que eu aprendi, que pro enquanto já me basta, a gente sorri, e isso já vale o dia, e vai que o mundo sorri de volta?


Mas vamos falar de festa, e daí falar das minhas centenas de leitoras diárias que só tem uma questão em mente: o vestido para o baile de formatura. Vamos lá, que ávida, ah a vida, ela sempre continua, e a gente não é bobo de não ir com ela.
Ainda que atrasado, a semana de moda da primavera 2008, em New York, que sempre rende as tendências para as formandas 2008.
As antenadas nas últimas tendências v]ao observar os seguintes destaques: tecidos de jersey de seda, com muito brilho e cavas largas para deixar as mangas curtas com efeito. Marcam até os pensamentos da usuária, por isso só servem para quem tem o corpo em forma. Exemplos da Calvin Klein, Dona Karan e Vera Wang.

A segunda tendêncai forte é a seda estampada em modelos com corte sereia. Carlos Miele, Oscar de la Renta e Ralph Lauren em duas versões coloridas.



Outra tendência forte para a moda festa é a cintura alta e a saia roda, de preferência mais curta. Carolina Herrera e BCBG.




Também apareceram bastante bababinhos, como na coleção de Carmen Marc Valvo, J. Mendel. Eu acho meio cafoninha, mas está na moda de novo...


Ainda, Badgley Mischka, ideal para as mini-formandas, pois alonga a silhueta sem agregar volumes. Depois, dois modelos que podem servir muito bem para as formandas gordinhas, já que segura bem o peito, marca a cintura e cai docemente sobre os quadris, além de alongar as pernas. Já da Carolina Herrera, destaco um curto rodado para as altas. E da coleção de Charles Nolan vem um vestido diferente que favorece as baixinhas pela corte alto e uso de rendas. Já o J.Mendel escolhido tem um interessante efeito de sobrepor renda ao plissado, criando um efeito útil para as mais fortinhas, pois ameniza o volume das pregas sem perder as linhas verticais.





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quinta-feira, setembro 20, 2007

Moda jovem senhora






Atendendo pedidos.

Lutti,

Procurando no google, pela roupa certa para uma jovem senhora, encontrei um artigo seu intitulado "panos" que muito me agradou e que vai até na contra-mão de alguns personal stylisters que carregam a mão em musselines, jeans e outras coisas que sempre achei horríveis, mas me sentia como se eu é que estivese errada, inadequada, entende?
Por tê-lo encontrado e ter achado tão pertinente tudo o que você disse, é que escrevo-lhe agora buscando sua orientação.

Meu nome é XXXX, resido em Belo Horizonte, sou advogada, 51 anos, meço 1,55 e peso 70 quilos ( !!! ). Sou morena clara, que quando tomo sol fico bronzeada, mas quando não, fico meio amarelada, esverdeada. Fico péssima de lilás e verde exército e rosa desbotado seco.
Apesar de baixinha e cheia... tenho um rosto quadrado, interessante, que me favorece o uso de bijouterias e jóias, mais especificamente brincos grandes (com bom senso). Detesto bijouterias "que parecem jóias...e coisinhas delicadinhas."

Como advogada - roupa profissional - me meto num terninho, sempre. Mas cansei. E não fico muito bem de saias...
Gostaria de saber o que posso usar no lugar dos batidos terninhos, que hoje qualquer pessoa compra um tecido sintético - tipo oxford- e anda de terninhos. Horríveis...

Também, não sou advogada nas 24 horas do dia e aí é que fica complicado.Cinema, choppinho com meu marido e amigos, acompanhar minha filha ao shopping, ir a um churrasco, almoçar fora num domingo, sair para dançar com meu marido...e , definitivamente, acabo caindo nas calças jeans, pois acho que outro tipo de roupa me envelhece.Mas fico meio desconfortável, deselegante.

Bem, acho que você já captou. Profissionalmente, o que vestir além dos terninhos?

Fora do horário de trabalho, o que vestir que possa ser jovial com um toque de modernidade, sem ser matrona e nem perua?

Tenho todos os livros da Glória Kalil, mas ela escreve para quem é magra. Além disso, como você disse, o mercado se esqueceu das mulheres dos 35 a 55 anos...

Você poderia me ajudar me dando toques, dicas que me favorecem?
Fico-lhe muito agradecida.


Pois é colega, a tal moda jovem senhor é continua sendo uma lacuna no mundo fashion. Mas vamos lá, pequeno Lutti está aqui para ajudar vocês, mulheres na plenitude da feminilidade e no desamparo da moda.

Primeiro de tudo, para tudo, como assim você não fica bem de saia? Olha, está para nascer a mulher que fique melhor de calças do que de saia. Simplesmente porque saias são sempre mais joviais, mais femininas e mais adaptáveis aos diferentes formatos de corpo. É que a saia não marca o fim dos glúteos, pode disfarçar os culotes, pernas curtas, coxas grossas, enfim tudo o que a maioria das calças apenas enfatiza.

Então, para começo de conversa, não é que você não fique bem de saia, provavelmente você não está escolhendo as saias certas para o seu corpo. Pela sua altura e peso, uma saia em corte evasê (ou seja, que vai ficando um pouco mais ampla em direção à barra) na altura dos joelhos, lhe vestirá melhor do que qualquer calça.
Então, a primeira alternativa para as roupas de trabalho é substituir os terninhos por conjuntos de saia e casaco.
Outra alternativa, é trocar o casaco dos terninhos por opções mais flexíveis, como por exemplo camisas e cardigãs, ou casacos de malha cachecoeur. Os twinsets também são uma boa variação. Evidentemente, as mesmas combinações podem ser feitas com saias.

Daí vêm as horas de folga. Na verdade muitas mulheres me questionam sobre o que usar no tempo livre, o que usar para esses programas do cotidiano, de uma ida ao supermercado a um cineminha no fim de semana.
Realmente, é ainda mais difícil do que achar as roupas de trabalho ou de festa. De novo, e inclusive, porque a maioria das mulheres não se sente à vontade para usar saias ou vestidos.
Amiga madura, sabe do que você precisa? De duas calças. Uma de sarja bege, que você usa como se fosse uma calça jeans, combinando com casaquinhos de malha com zíper, com blusinhas de meia manga, com regatas e camisas, com camisetas justinhas, com malhas em gola V, combinando com sandálias rasteiras, com tênis street, sapatilhas, com sandálias de plataforma de madeira e bolsas grandes e desestruturadas. Essa calça terá cintura levemente baixa (uns quatro dedos abaixo do umbigo) se ajustará perfeitamente ao seu quadril e cairá reta até a bainha. Os bolsos frontais devem ser tipo faca e não podem se abrir enquanto você estiver em pé. Os bolsos traseiros terão ou não lapelas externas, conforme você precise ou não dar volume aos seus glúteos.
A segunda calça será uma pantalona (cintura alta e bainha de boca larga, sem bolsos) de linho ou crepe, preta, marinho ou branca, conforme seu gosto. Essa será sua “calça descontraída fina” e você vai usa-la com batas ou camisas de seda, blusas com bordados, blusas vaporosas. Vai combiná-la com sandálias rasteiras metálicas ou com pedrarias, com sandálias de tiras finas, com mules, com sapatos peep-toe.
No inverno, você pode manter a calça de sarja com tênis, ou pode substituí-la por uma calça de gabardine de lã marrom ou xadrez. A pantalona de linho, você troca por uma calça de lã ou camurça preta e passa a combina-la com botas de bico fino e salto médio.

E amiga, para não cair no visual matrona, o truque não está só nas roupas, mas também, se não mais, nos acessórios. Renove suas bolsas e sapatos a cada estação, escolhendo peças da moda, o mesmo vale para as bijuterias. E não esqueça de manter um bom corte e coloração de cabelos.
Outra coisa que as jovens senhoras precisam aprender a escolher são as armações de óculos. Não há produção que resista a um óculos antiguado.

Oh, quer saber, coisa simples: corre lá e liga a tevê na novela das oito, pode usar o que a Vera Holtz e Glória Pires usarem, e fique longe do que a Yoná Magalhães e a Dédora Duarte vestirem.


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terça-feira, setembro 18, 2007







Mais ou menos de volta.
É que eu gosto muito de Buenos Aires. Desde a primeira vez que estive lá soube que aquele era um dos meus lugares nos mundo. E esses lugares são poucos.
Buenos Aires é, sobretudo, uma cidade autêntica. Ainda que paradoxal. E como isso me encanta... talvez porque eu seja também um pouco assim.
Buenos Aires é mais européia das latinas, a mais antiquada das modernas, a mais cosmopolita das estâncias, a mais decadente das refinadas.
Uma cidade sem ladeiras, sem fios elétricos aparentes, com avenidas largas e simétricas. Cheia de carros velhos e motoristas mal-educados, cheia de senhoras com sobrancelhas se lápis e cabelos loiros com laquê. E mais ainda senhores de ternos mal cheirosos e cabelos engomados. Chique, chique de raiz, chique de espírito.
Se bem que dessa vez, mais do que em qualquer outra, vi os reflexos da crise. Lojas tradicionais fecharam as portas ou foram substituídas por redes internacionais. A Recoleta está uma desolação, nem os restaurantes estão resistindo.
Há algumas inverdades turísticas sobre a cidade e outras tantas imprecisões. Troco alguma impressões:
1) Compras em Buenos Aires.
Apesar do peso desvalorizado, BsAs não é barata. Em especial a relação custo-benefício das roupas não é boa. Explico. A roupa feita na Argentina é de péssima qualidade. Tirando a lã e a cashmire (pulôver gola V com o xadrez argile por $99) que são realmente boas, o resto não resiste a uma boa lavagem à máquina. Deve ser por isso que eles andam sempre meio sujos ou desbotados...Enfim, camisas (na média de $140) e camisetas ($90) de algodão ficam muito abaixo do padrão da malha brasileira.
Aliás, muito embora o xadrez seja uma paixão nacional em camisas, ninguém na Argentina usa os blusões xadrezes que a gente traz aos montes.
Por falar nisso, lá tão pouco se usam as jaquetas de couro ($1.000,00) que fazem sucesso entre os turistas. Pessoalmente, acho casacos de couro verdadeiro muito bonitos, mas absolutamente difíceis de usar, portanto não valem o investimento.
Calças são um problema. Não pelo preço - $150, mas pela modelagem, pouco quadril estreito e pernas afuniladas. Só para o corpo magro dos nativos.
Outra lenda portenha são os sapatos. Horrorosos. Como eu disse, BsAs é toda plana, portanto as pessoas caminham muito, logo os sapatos precisam ser confortáveis o que, lá, não combina com serem bonitos. Sapatos masculinos ($200) são todos de bico redondo e solado de borracha. Sapatos femininos ($150) só têm salto nas versões de festa. As bolsas ($150) são bonitas e boas, mas há pouca criatividade.
Então o que comprar? Cristian Dior, Yves Saint laurent, Ralph Lauren, Lacoste, Cacharel. Tudo vendido em lojas de calçada, a preços compatíveis mas irresistíveis. Pode-se comprar, por exemplo, um terno Dior por $1.000,00.
Compra-se também, Puma, Adidas e Nike.
Os CDs e DVDs não são mais tão baratos, mas o câmbio favorável e a quantidade de lojas é atraente.
O que eu comprei muito? Objetos de decoração.
Ainda que o mundo inteiro hoje pareça ter sido feito na China, é possível se encontrar algumas particularidades. E como para mim qualquer viagem só fica completa com um embrulho problema para se lembrar eternamente, lá vim eu de BsAs com uma dúzia de taças de coquetel em cristal.

2) Comer em Buenos Aires.
Come-se bem e gasta-se o justo. Um casal janta magnificamente bem, com entrada, prato principal, sobremesa e uma bela garrafa de vinho por cerca de 150 pesos.
A grande roubada dos guias de viagem é a Biela, na Recoleta, o café mais caro e ruim de Buenos Aires, oferecendo a pior torta de limão que já provei na minha vida.
Não vou contestar a qualidade da carne argentina, nem a excelência da combinação das paellas. Mas é que sendo gaúcho, as porções generosas de carne gorda não chegam a me impressionar, entendem? Prefiro as milanesas, fininhas e bem acompanhadas das dionísicas papas souflé. Alias, preciso descobrir como se fazem essas batatas!
Não perca a chance de comer presunto e queijo, não recuse o doce de leite, mas evite as tortas de fruta, prefira as de chocolate. E sempre que passar por uma Freddo, saque $10 da carteira e peça o pote de ¼ de quilo e escolha 3 sabores. Recomendo o frutilla com crema, o chocolate com almendras e dulce de leche com brownie.
Mas, para mim, o melhor de BsAs é o pão. Das medialunas ao pão preto, tudo é maravilhoso, consistente, com casca crocante e miolo denso e úmido.
A delinqüência gastronômica da vez foi atravessar a cidade numa corrida de táxi de mais de 20 minutos para provar a milapizza da La Farola de Cabildo (Av. Cabildo , 2630). Um pé-sujo freqüentado pelos locais menos glamourosos, mas que serve essa genialidade absurda uma pizza onde a massa é substituída por um bife à milanesa, acompanhado de uma travessa de batatas fritas (em bolinhas) e uma garrafa de litro de Quilmes ou Stella Artois.

Poderia escrever muito mais, mas estou exausto e ainda meio confuso.
Além disso, muitos e muitos e-mails de leitores esperam para ser respondidos, vamos ver se esses últimos dias de férias rendem alguns textos.

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quarta-feira, setembro 12, 2007




Oh, o seguinte, vou logo ali em Buenos Aires passar uns dias.
Não, não quero ver as novidades de BsAs, não me esperem do lado de lá do Puerto Madero. Muito pelo contrário, acho bom que esteja tudo velho, tudo como sempre esteve. Que meu hotel esteja ainda cheio de dourados e colchas de brocado. Que as milanesas continuem fininhas e temperadas. Que o sorvete da Freddo continue melhor que o da Persicco. Quero reencontrar o mesmo cardápio do Eh!Santino, principalmente aquela sobremesa de chocolates. Quero encontrar as mesmas lojas de gravatas nas galerias da Florida, e comprar mais uns pulôveres na Andiachi.
Também espero que a BenSimon e a Prototype continuem as mesmas. E espero reencontrar todas as lojas do shopping de design da Recoleta. Espero que o chá do Alvear continue o mesmo e que o alfajor branco da Havanna não tenha mudado nada. que a Quilmes continue fraquinha e que ainda reste alguma garrafa da malbec de 2002. E se Deus for argentino, vinhos brancos da Chandon continuarão baratinhos.
E acho bom que as farmácias continuem sortidas e divertidas como nunca.
A mala vai bem levinha, cheia de esperança de voltar no limite do peso permitido.

Mas antes de sair de férias, respondo um e-mail.

Olá,

Gostaria de obter um esclarecimento: como vestir um menino de 4 anos para uma solenidade de formatura: terninho ou smoking.

Obrigado



Colega, cá entre nós, um menino de 4 anos não deve ir a uma solenidade de formatura. É chato até para os adultos, para ele vai ser insuportável, ele vai ficar inquieto, vai chorar, sair do lugar, correr, gritar. E daí quem vai ficar insuportável é ele. Então, amiga leitora, faz favor de deixar essa criança em casa.

Mas caso seja indispensável a mini-presença, a roupa certa não é nem terninho, muito menos smoking. Ele é uma criança e não o falecido anão da Ilha da Fantasia!
Criança no verão vai de safári, sabe, aquele conjuntinho de bermuda e casaquinho de manga curta combinando? Pois é, fina flor da moda festa infantil. Meia e sapatinho.
No inverno, calça comprida (que não seja de jeans) camisa e cardigãnzinho, se quiser fazer um charme, coloca uma gravatinha no inocente.
Menino só vai usar terninho lá pelos 10/12 anos, e mesmo assim para saciar a delinqüência materna.
Menina é sempre mais fácil, um bom vestidinho resolve sempre. Mas nada de tules, organzas e babados, ou seja, nada que lembre roupa de aia.


Pessoas que muito amo, era isso, até breve.

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segunda-feira, setembro 10, 2007




Saldos do feriado.
Compras, mais móveis para a sala. Mesa lateral, mais um clássico, tampo redondo de mármore travertino, estrutura de madeira com detalhes de marchetaria, pés sheraton. Outra, tipo cristaleira, com vidros facetados e fundo de espelho.
Excessos gastronômicos, camarões gigantes fritos, cerveja uruguaia e chantily na madrugada.
E dois filmes.
Dois filmes que tratam do mesmo assunto: preconceito, mas com abordagens e sucesso distintos. O grosseiro “Eu os declaro marido e Larry” e o imperdível “Hairspray”.
“Eu os declaro marido e Larry” escolhe a via fácil do clichê. Uma visão “macho” não só do homossexualismo, mas também da amizade, dos relacionamentos, da família. Mais um filme que traz a clara mensagem de que tudo está bem, desde que cada coisa fique em seu lugar. Mais um filme que não tem nada contra gays, desde que os gays cumpram o seu papel estereotipado de gays. Você pode ser Chuc, Larry, ou gay, desde que se comporte exatamente como tal. Ser gay e assumido inclui, necessariamente, ser efeminado, desbocado, e usar roupas de gosto estético – e moral – questionáveis.
“Hairspray” não foge do clichê, mas o usa de outra forma. Hairspray não apeça para a caricatura. Bem, não sei como isso pode fazer sentido num filme em que John Travolta está travestido de gorda, Zac Efron está fantasiado de Travolta jovem, a protagonista é obesa, e Michelle Pfeiffer e Queen Latifah têm cabelos platinados. O tratamento humano dessas personagens é que foge da caricatura, do deboche barato, do escracho.
Em ambos os filmes você vai rir e se divertir. Mas em “Hairspray” você vai, mesmo que não querendo – ou percebendo – pensar sobre diferenças. “HairSpray” convida você a ser você mesmo, onde quer que você esteja.

E lá vem o chato do Lutti falar sobre filosofia de novo, e sobre a sua atual mentora: Hannah Arendt. É que Hannah, depois da segunda guerra, e do holocausto, ou mesmo antes, defende que a Palestina não é a solução para o povo judeu. Hannah quer que ser respeitada como judia em qualquer lugar. Mais que isso, quer ser respeitada, antes de tudo, como ser humano, e isso não pode ser condicionado ou associado a qualquer rótulo.

Ela entende que limitar a juidade às fronteiras de Israel é apenas confirmar o preconceito. Aliás, Hannah também se posiciona contra a política do Estado judeu que vira as costas para os sobreviventes dos campos de concentração, para a seleção de emigrantes jovens, belos e fortes ou de intelectuais e acadêmicos e suas fortunas. Acusou o novo Estado de ser tão discriminatório quanto o Reich.
Judeus selecionando judeus, descriminando judeus, descriminando árabes. Judeus que, assim, jamais obteriam respeito enquanto judeus, e não poderiam mais por a culpa nos alemães.
Não vejo como não associar a questão judaica a qualquer outra questão das ditas minorias. Gays que se comportam como gays e como gays querem ser respeitados, quando se refugiam em seus guetos, bares, boates, saunas e até cidades, não estão vencendo o preconceito, mas alimentando-o. Da mesma forma que o fazem quando excluem do conceito de gay os gordos, os mal vestidos, os desgrifados, os casados, os que não têm profissões artísticas, os que não gostam de baladas.
Os negros que se vestem como cantores de rap e adotam dialetos pseudo-étnicos não estão reafirmando a consciência negra, estão reafirmando que diferença pode significar abismo.
A mim também me parece que o único caminho a ser percorrido, ainda que sem faixas, cartazes, bandeiras e carros de som, é o caminho do respeito ao ser humano – e não aos seus estandartes.

Agora, cá entre nós, e com a maldade mesquinha de final de feriado, sejamos francos, colegas, o Adam Sandler pagando de gatinho, é mais ficção do que eu consigo. Em compensação, o sumiço da Michelle Pfeiffer fica totalmente escusado desde o primeiro momento em que ela aparece na tela. Não importa quantos anos ela tem, quem é o cirurgião, ou qual versão de photo% usaram nela, a mulher está linda como sempre.


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quinta-feira, setembro 06, 2007

Na continuidade dos trabalhos.
Preciso agradecer uns quantos e-mails que eu recebi dos leitores deste bloguinho falando sobre o post anterior. Agradeço de coração. Pois é, escrever aqui já foi mais divertido. Como eu disse, a blogsfera em si já me pareceu mais divertida.
Eu já comentei muitas vezes que sou fruto – e vítima – das minhas leituras. Já disse que eu leio muitas coisas ao mesmo tempo. Aliás, eu gosto de dizer que eu “estudo” muitas coisas ao mesmo tempo. É que quando eu descubro um novo assunto, um novo hobby, um novo escritor, eu me envolvo e quero mais. Até que venha uma nova paixão.
E dentre as minhas leituras, sempre tem algo de filosofia. Mais do que gostar, eu acho filosofia uma coisa profilática. Filosofia é indispensável à compreensão do mundo, à compreensão do indivíduo, à compreensão do tempo em que vivemos, a qualquer tempo.
Portanto, acho que a filosofia é também indispensável à blogsfera. Questionar o que somos, de onde viemos, para onde vamos e, sobretudo, questionar por quê? Minha reposta, vocês conhecem, é que nossa existência se justifica na felicidade, não só na busca, mas na aceitação da felicidade.
A utilidade do homem é ser feliz. E essa utilidade se mede, e se não, também na capacidade de gerar – e espalhar – felicidade.
Sim, pois bem, existe felicidade mais absoluta do que aquela que se encontra na verdade? Então, sim, às vezes dizer a verdade, ainda que cruel, é um prelúdio da experiência da felicidade. Porque se a felicidade exige sim, um grau de abstração do ceticismo, ela não admite, sobremaneira, simulacros.
Mas o ponto a que quero chegar é que, como tudo nessa vida, um blog precisa cumprir dupla função para justificar sua existência. Precisa gerar felicidade e fazê-la circular. O blog precisa, em primeiro lugar, fazer seu autor feliz, precisa lhe agradar o íntimo, lhe satisfazer, sim, a mesquinhez do ego, lhe servir de palco, de confessionário, de refúgio. Mas o blog precisa também cumprir sua “função social”, ele precisa agregar algo mais ao mundo do que o alívio de quem escreve. O blog precisa feliz quem o lê. Nem que seja uma única pessoa ao dia, o blog, como qualquer outra criação da mente humana, precisa servir ao bem coletivo, precisa gerar mais sentimentos bons do que ruins. Simples assim.
Talvez, se eu fosse uma dessas pessoas de profunda inclusão digital, eu criasse até mesmo um movimento com selos digitais do tipo “Este blog cumpre uma função social” ou “Blog do Bem”.
Enfim, não sei por quanto tempo, mas tento ainda seguir com o bloguinho. Porque me faz bem organizar minhas idéias por escrito, porque me faz bem saber que tem gente que lê e se identifica, e gosta. E porque me faz bem ter gente que não gosta e mesmo assim lê, e que não se furta de criticar com fundamento.

Então vamos deixar de reflexões, ainda que por enquanto, e vamos cuidar do nosso riscado.

Comentário da leitora Cibelle:

Querido Lutti,Admiro o seu trabalho desde que minha prima me recomendou o seu blog. Adorei os cometário que havia feito (na época era sobre trajes de casamentos)e aqui estou eu pra pedir encarecidamente que esclareça uma dúvida minha.Meu noivo é calvo e gostaria de saber se tem alguma restrição quanto ao traje? Adorei um Meio-Fraque mas fico com medo de não ser a melhor escolha nesse caso. Me ajude.No aguardo





Querida, não tinha me ocorrido a questão da moda para calvos.
Mas, provocado por sua dúvida, parti para algumas pesquisas e observações, que divido agora. Primeiro, vamos definir que calvo, no sentido aqui tratado, é aquele totalmente careca.
Inclusive, já abro aqui um parêntese para dizer que quando a situação capilar do cidadão fica preocupante só há duas saídas dignas: raspar a cabeça a zero, ou raspá-la com pente um ou dois. Careca com cabelo compridinho nas laterais e na nuca é coisa de fantasia de palhaço. Amiga, em hipótese alguma aceite casar com alguém parecido com o Bozo.
Fora isso, não há necessidade de se estabelecer um código estético exclusivo para os carecas. Homens sem cabelo podem se vestir, basicamente, como os com cabelo. É até mais simples do que vestir os que têm cabelos muito compridos.
No caso dos noivos, não há nenhuma restrição ao meio-fraque. Só há dois cuidados que me parecem necessários: o formato da careca e o comprimento do pescoço.
Formato, mais do que da careca, da cabeça como um todo e especialmente da nuca. Explico, se seu noivo não tiver o desenho da parte traseira da cabeça bem definido, ou se tiver aquela dobra adiposa na nuca, ou se simplesmente tiver o pescoço curto, é preciso se evitar a camisa de gola levantada que se usa com o plastron no meio-fraque e escolher uma camisa branca de gola normal, com o pé da gola não muito alto, usando-a com gravata.

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segunda-feira, setembro 03, 2007



Uma das cosias que faz de mim um blogueiro, digamos, diferente, é que eu não gosto da internet. Não passo horas por dia na internet, não sou, na verdade, um entusiasta da tecnologia.
Fui o último da minha turma de faculdade a deixar de datilografar os trabalhos e a aceitar o editor de textos. E-mail, eu só fui ter quando se tornou obrigatório para o cadastro na biblioteca. Nunca, eu disse nunca, entrei no Orkut, não sei nem que cor é. Só aprendi o que é MSN quando minha irmã se mudou de país , há um ano..
Câmera digital? Demorei tanto para me render que a primeira que comprei já foi de 5 megapixels (seja lá o que isso quer dizer). Mp3 player? Não, não tenho mais idade para andar em público com fones de ouvido.
Aliás, acho que esses aparatos tecnológicos são, em regra, potencializadores de babacas. Pegue um homem normal e dê a ele uma máquina digital, em poucos segundos poderá surgir na sua frente alguém se comportando como um babaca. Sim, adultos tirando fotos de si mesmos, apontando celulares para o alto, andando pelas ruas falando sozinhos com seus acessórios auriculares, são todos – aparentemente – babacas.
Sem falar na quantidade de ridículos alheios a que somos constrangidos em nome da maldição da “inclusão digital”. Senhoras de idade – qualquer idade – vestidas em shorts de lycra cantando em seus quartos deveriam preservar essa visão longe do resto do mundo. Senilidade na era digital? Ou carência na era virtual?
Sei lá, quem sou eu para falar? Eu mesmo criei este blog no pior momento da minha vida...
Confesso, fui por um tempo um otimista da blogsfera. Achava lindo essa coisa das amizades epistolares modernas, da gente se conhecer e se gostar sem nunca se ver. por algumas quantas vezes me vi empolgado com a idéia de conhecer alguns leitores, cheguei a me imaginar tomando chopp com outros blogueiros.
Tudo bem, eu sei que não sou um bom vizinho de ciberespaço. Até hoje não tenho uma lista de links para outros blogs. Nem para os blogs que eu leio com freqüência e nos quais raramente comento. Eu não participo de correntes, não faço os tais memes, nem das blogagens coletivas eu participo mais.
De certa forma, acho que me decepcionei coma blogsfera. É, na mesma proporção, e pelas mesmas razões, que me decepciono com a vida real. É que no final das contas, tudo acaba no restrito e enfadonho campo do ego. As pessoas orbitam em seus próprios umbigos, sejam eles reais ou virtuais. Pessoas que freqüentavam o blog diariamente e me escreviam com freqüência, de repente, sem que eu saiba o porquê, sumiram. Outras seguem por aqui, sempre presentes.
Essa semana, a blogsfera inteira acompanhou a novela do PapelPobre. A morte das gêmeas Kath#1 e Kath#2 deu mais assunto que a morte da Taís.
Houve trocas de ofensas entre pessoas que jamais se viram. Ódios vermelhos e fecundos foram despejados nos comentários da vida. Shows de estrelismo ganharam as páginas digitais.
E dái????
Eu lia o PapelPodre. Eu leio o Historinha. Acho tudo muito divertido. E infinitamente medíocre. Todos nós que temos blogs sabemos o tempo que isso toma em nossas vidas. Alguns de nós até sabe o real motivo que nos leva a delinqüência expositiva ( e isso é problema nosso!). A verdade é que o mundo não precisa de mais blogs. Não precisa nem dos que existem. A verdade é que todo mundo – e cada um – caga e anda para a opinião dos outros. Blog é uma delinqüência de quem escreve. E ás vezes de quem lê.
E em tempos de CANSEI, talvez seja a hora de cansar também de tanta besteira. Seja hora de matar essa quantidade absurda de blogs de gente desocupada se ocupando da vida alheia. Seja hora de boicotar tanta gente que só sabe desfazer os outros. Seja hora de dizer que ninguém tem direito de desmoralizar os outros, nem mesmo na intimidade pública de seu próprio blog.
Chega de tanta gente fina, elegante e sincera. Chega de tanta gente inteligente, divertida, luxuosa. Chega de tanta gente sagaz, de tanta gente espirituosa, de tanta gente melhor que outras gentes.
Não precisamos de mais blogs que não prestam nenhum serviço, que não tem nenhuma função social a não ser inflar os egos frágeis e seus autores anônimos e pretensiosos. Não precisamos de mais blogs destruindo a última flor do Lácio, cada vez mais inculta e menos bela.
E se todos nós parássemos de perder tempo lendo sobre a celulite da Britney? Ou sobre a vida assexuadamente promíscua dos gays de 30 anos?
Não, não estou salvando minha cara. Pois sim, meu bloguinho é só mais um. O que me serve de alívio e que nos últimos tempos me impede de acabar com o fardo que tem sido aqui escrever é a quantidade ainda crescente de pessoas que pedem ajuda. Sim, sim, talvez eu possa ajudar algumas pessoas na escolha de suas roupas para um momento especial. Talvez eu esteja fazendo minha parte para um mundo mais bonito.
Ou talvez eu esteja apenas contribuindo para o império da futilidade. E talvez isso dependa de quem lê.
A única coisa que me vem a cabeça é aquele comercial de forno de microondas em que um senhora de cabelos brancos, sentada numa cadeira de balanço, recomendava que as pessoas comprassem o forno super-moderno que tinha teclas de auto-ajuste para que lhes sobrasse mais tempo para se ocuparem de coisas mais importantes, como o SEXO.
Nada mais certo. A tecnologia devia apenas nos servir para que ganhássemos esse bem precioso que é o tempo. Para que, justamente, tivéssemos mais tempo para coisas realmente (também aqui em oposição à “virtualmente”) mais importantes.
É isso. Vamos parar com essa imundice de ficar dando ibope para a mediocridade alheia, e vamos cuidar – ou enfrentar – ou aceitar – a própria vida.
Todo mundo já sair da frente dessa porcaria de computador e ir viver. Todo mundo s’embora lavar uma trouxa de roupa, fazer uma panela de comida, beijar na boca de quem a gente ama.
Morte ao PapelPodre, ao Comqueroupa, ao quemseimporta. Morte a perda de tempo.
Viva, mais do que nunca, o real.
Viva quem merece.
Viva quem não se nega.

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