domingo, outubro 28, 2007

Cintura alta - não se pode ter tudo




A gente já andou conversando sobre isso por aqui, mas como a coisa está na moda, vamos reforçar.
O assunto é a cintura alta.
De novo, vamos explicar que cintura alta não é o mesmo que cintura império, cintura alta fica perto do umbigo, não dos mamilos! Pois é, colega, tem amiga exagerando na dose e usando a famosa Saintropeito.
Nada disso, o que a moda está propondo é que o gancho das calças fique um pouco maior, devolvendo a cintura para a linha do umbigo ou uns dois, três de dos abaixo, ou seja, diferente dessa aberração das calças que deixam a linha da virilha descoberta.
Então, vejo que existem hoje três grandes problemas acerca das calças de cintura baixa. O primeiro é a falta de costume. A segunda é a má compreensão do conceito mesmo. E o terceiro, é que, minha filha, não se pode ter tudo.
Explico: é que tem querida que quer ser tão fashion que acaba se perdendo. Ela quer usar calça de cintura alta, calça skinny e combinar isso com um top volumoso. Daí o resultado é desastroso.
Vejamos duas fotos veiculadas na imprensa semana passada e que comprovam o que estou dizendo:


A suburbana mais bonitinha-mas-ordinária do Brasil, Débora Secco. E a vip-pop Júlia Petit. As duas são lindas, magras e vitimadas da moda. Portanto, as duas estão flertando com as cinturas altas.
Débora, além de não lavar aquela desgraça que fizeram no cabelo dela, resolveu usar uma skinny de cintura alta combinada com um camisão. Já não tivesse tudo dado errado, a infeliz ainda me coloca esse cintinho absolutamente desproporcional. Não, não vou falar nada dessas tamancas que afundaram de vez o visual. O resultado é uma pigméia cadeiruda, com mini-perninhas penduradas num pufe.
Júlia Petit, apesar de estar um pouco caricata numa foto de editorial, mostra como a calça com a cintura razoavelmente mais alta, não tão justa e com a boca larga, cobrindo o sapato e equilibrando a proporção da altura do gancho, deixa a mulher curvilínea e sensual (mas nada vulgar) e para não perder o efeito, a combinação com um top justo e explorando (no decote) a mesma linha vertical. O resultado é uma mulher magra, mas com curvas, e com pernas que parecem da Ana Hickmann.

Marcadores:

sexta-feira, outubro 26, 2007


Olá!

Estava procurando coisas na internet e esbarrei com seu blog e resolvi escrever pra ver se vc me ajudaria!
Desde criança que eu acho sapatos bicolores o máximo e digo que vou casar usando sapatos bicolores (aqueles clássicos, branco e pretos, de filme de sapateado!)...
Acontece que chegou a hora de casar e eu não faço idéia de que roupa poderia usar com os sapatos bicolores!

Vc poderia me dar uma ajuda? Tive pensando em um summer preto e com gravata e colete brancos... alguma sugestão?




Essa eu não poderia deixar de atender.
Primeiro por que não é tão frequente ter um leitor assumindo suas inquietações fashion. Segundo, porque para falar sobre sapatos eu estou sempre disponível.
Colega, entendo seu fascínio com os sapatos bicolores. Eu mesmo estou usando um par deles hoje! Combinando com calça jeans darkblue e camisa preta.
Mas usá-los no próprio casamento é coisa bem diferente. Definitivamente não podemos pensar em um casamento tradicional. Veja bem, não estou dizendo que a festa terá que ser toda temática em branco e preto, mas será preciso que o vestido da noiva e a decoração tenham o mesmo ar “arrojado” da sua opção de sapatos.
Dito isso, a combinação de sapatos bicolores pode se dar de duas maneiras: ou você dilui o sapato ou lhe garante todo o foco.
Para diluir, eu recomendaria um terno branco, o que tornaria seu visual todo tão chamativo que o sapato seria apenas mais um detalhe. O terno branco pode ser usado com camisa lilás e gravata um tom mais escuro, ou com camisa branca e gravata prata.
Para garantir-lhes o foco total, a sua idéia vai bem. Terno preto ou costume de abotoamento alto (três ou quatro botões) com camisa e gravata brancas.
Contudo, pensando em algumas combinações que eu já fiz com meus próprios sapatos, me ocorre que a solução mais harmônica entre o traje tradicional de noivo e seus desejados sapatos estaria num meio fraque estilizado. Me acompanhe. Casaco preto, camisa branca, colete e plastron cinzas prateados. Calça cinza com riscas e aqui é que está a diferença, ao invés das tradicionais riscas negras, opte por riscas em azul claro, que irão “preparar” o clima para o sapato.
Em qualquer hipótese, o único cuidado necessário é evitar que o seu visual acabe numa fantasia de mafioso. Portanto, fuja de referências óbvias do gênero, como ternos risca de giz, gravatas (ou flores) vermelhas, cabelo com gel,.
Outra importantíssima observação diz do formato das calças. Em qualquer modelo, as calças não podem afunilar na barra. O charme dos sapatos bicolores se dá justamente quando a parte branca fica praticamente coberta pela boca da bainha. Então, escolha calças sem pregas e que caiam retas, sem afunilar em direção aos pés.
Ah, e as meias serão sempre da cor da calça.

Marcadores: , , ,

quinta-feira, outubro 25, 2007

Vestidos de formatura - mais e mais



E vamos para mais uma querida formanda.
Sério, mesmo estando já há algum tempo no ramo, ainda me espanto coma quantidade de formandas que me procuram. O vestido de formatura virou o vestido mais importante da vida de uma mulher.
Só para vocês terem uma idéia, fazendo uma amostragem rápida, descubro que por dia, cerca de 400 formandas chegam ao meu blog através de sites de busca, através de tópicos singelos como: “o mais belo vestido de formatura de todos os tempos”, “vestidos maravilhosos de formaturas”, “fotos do vestido de formatura ideal”, e, acreditem “vestido de formartura da Sandy” (?!).
Os e-maisl que me chegam, então, nem se fala, impossível responder a todos . Tem formanda que quer virar minha correspondente fiel, chegando a mandar uma dezena de e-mails. Tem as mimosas que me mandam foto do vestido pronto. Tem as que falam mal também, mas para essas eu desejo apenas que quebrem o salto bem na hora de pegarem o diploma!
Mas, ao trabalho.


tenho 30 anos e vou me formar em Letras dia 08/11. Peso 63kg, tenho 1,57m. sou morena, cabelos castanhos escuros e olhos igualmente. Quero sugestões de vestidos longos um lilás e outro rosa, este último de musseline bordada - pensei em algo com cetim junto.Adorei sua página, tanto dos modelos quanto das sugestões.


Colega, considerando que faltam duas semanas para sua formatura, acho que estamos com pressa. Não, não é impossível achar o vestido certo em pouco tempo,mas é bem mais difícil. Mandar fazer...bem, ao menos que a costureira seja de absoluta confiança, é melhor nem arriscar.
De qualquer maneira, deixa eu te dizer que aos trinta anos, a última coisa que você precisa é de um vestido cor de rosa. Sério, amiga, você não é a protagonista de “legalmente loira 3”, então, deixe o rosa para as formandas do jardim de infância. Só posso entender o vestido rosa em dois casos: promessa ou sonho. Mas isso é com você. Eu sou contra. Pronto, falei.
Depois, musseline, bordado e cetim, tudo num vestido só? Veja bem, eleja um, e maneire nos outros. Por exemplo, um vestido de musseline, tipo túnica grega, com pregas macias e alongadoras caindo desde o decote em U com alças torcidas, um ou duas fitas de cetim marcando uma cintura império abaixo do busto e pequenos pontos de cristal espalhados pela saia. Ou um frente única com bojo bordado, cintura marcada por pences verticais e saia evasé em cetim ou musseline, ou quem sabe a saia em musseline (que tem melhor caimento para a sua altura) e alças de cetim amarradas na nuca em laço?
Mas tudo isso se for o tipo de formanda clássica, que não quer ousar. Se você quer ser um formanda na última moda, atenção.
Esqueça o rosa, vamos usar só um pouco de lilás, para agradar você. Pense num vestido tomara-que-caia de decote reto e bem acinturado, abrindo dois dedos a partir da parte mais larga do quadril e seguindo evasé até a barra, em cetim verde dourado. Agora sobreponha um faixa drapeada de musseline no mesmo tom na diagonal do decote, drapeada verticalmente na cintura e caído solta até o chão. Arremate com um arranjo de flores rebordadas em paetês lilases no decote ou na cintura.
E se você quiser, definitivamente, ser a formanda mais comentada da formatura, opte pelo mesmo vestido em cetim amarelo e musseline lilás.
Agora, se você não conseguir algo tão elaborado, a tendência fashionista – absoluta – em vestidos de festa é o estampado. Esqueça os brilhos, os bordados, o cetim. Tudo isso já era. Qualquer modelo, desde que tenha babados na barra e seja estampado.
Apenas uma exceção, o modelo rabo-de-peixa, aquele mesmo, justo até o joelho e abrindo-se em ampla saia armada. Febre dos desfiles de inverno, absoluto em azul profundo com decote tomara-que-caia. Infelizmente, não pode ser usado por ninguém com menos de 1,75m, com mais de 52kg ou com um milímetro a mais que 90cm de quadril.

Marcadores: , , ,

segunda-feira, outubro 22, 2007





Meio poético. Meio cansado. Totalmente de ressaca. A gente junta um grupo de amigos queridos, inteligentes e sedentos – de álcool e de divagações.
É que às vezes eu tenho essa mania de brincar comigo mesmo.
Essa coisa de pensar é um vício delicioso e perigoso. É que na minha cabeça tudo é tão rápido e tão organizado que quase faz sentido. E de um tempo para cá, a distância entre o que eu penso, sinto e digo está cada vez menor. E, definitivamente, não sei ainda lidar bem com o silêncio.
Consigo ficar horas em sozinho em silêncio. Quantas vezes entro no carro e nem mesmo ligo o rádio... Consigo ficar em silêncio ao lado de quem amo, ali, sentadinho, apenas roçando os pés. Mas em grupo, sei lá o que me acontece...o coletivo exerce uma força estranha sobre mim. E daí eu falo. Falo o que penso, o que acho, o que não precisa falar. Falo como se aquilo realmente interessasse a alguém.
Enfim.
É que o saldo de pessoas que transitam na minha vida acaba, sim, sendo positivo, quantas vezes me vejo cercado de gente que eu amo (ainda que a minha maneira). Mas por outro lado, tem tanta gente louca nesse mundo. e pequeno Lutti é meio esponja, e sem querer – ou mesmo perceber – absorve as vibes alheias e acaba ficando assim, estranho. Daí o cuidado em me cercar de gente feliz.
O que muita gente não entende é que estamos num momento paradoxal da humanidade. Se de um lado temos a valorização desmedida do eu, do ego inflado e oco da imaturidade perpetuada no rótulo de “atitude”, por outro lado temos as grandes questões coletivas da existência, do aquecimento global ao crime organizado.
E talvez seja chegada a hora de cada um parar de defender o seu em detrimento do todo e de parar também com o vice-versa. Porque essa coisa de resolver o mundo e não saber o que fazer da própria bunda é uma coisa sem sentido.
Talvez a solução seja uma simples avaliação da diferença entre amor-próprio e egoísmo, ou entre vaidade e alienação. Nossos pequenos delitos de afago ao nossos egos mimados podem, sim, virarem crimes hediondos contra a humanidade, ainda que pela simples matemática dos bilhões de egos sobre a Terra.
Sim, como se pode perceber, assisti o irretocável “Tropa de Elite”. E embora nunca tenha chegado perto de um baseado, tão pouco chamo a polícia – ou o conselho tutelar – para denunciar que a vizinha de cima manda os dois filhos brincarem na garagem do prédio para fumar umzinho na janela da lavanderia. Portanto, eu também sou conivente, portanto responsável.
E sim, do meu jeito eu tento ser um bom cidadão. E vai ver essa é a questão: o meu jeito. Vai ver estamos todos fazendo a coisa certa, certa no nosso jeito. Bom, alguém vai ter que ceder. E logo.
Eu não vou ter filhos. Não nesse mundo. Admiti minha incapacidade de educar uma pessoa para essa realidade. Porque como educar alguém para ser honesto nos dias de hoje? Como educar um filho dentro de um padrão ético, moral e estético que não sobreviverá fora do âmbito doméstico?
É. Estou de mal como mundo. E embora esteja em paz comigo isso não me parece suficiente.
Meio poético, meio filosófico.
E mesquinhamente feliz na proporção do eu - e mais ainda do nós dois.
É que a gente não tinha planejado nada, mas faz uns três dias que uma sucessão de fatos não fáticos e de sinais – ah, os sinais – nos levaram ao inusitado. Clique, clique, e umas promessas para Nossa Senhora da Parcela e para São Cartão. Passagens compradas, hotel reservado.
Paris.
Em poucas semanas.
Por causa das luzes de Natal.
Porque amanhã eu penso nisso.
E se está chovendo, eu quero mais é me molhar.
Porque a vida não é curta, ela é exata.
Porque a gente acredita que faça por merecer.
E porque a gente não foge, nem se nega.
Não mesmo.





Marcadores: ,

quinta-feira, outubro 18, 2007

Mereço?????


Anônimo deixou um novo comentário sobre a sua postagem "Ainda a mala para a Europa":

Eu esperava um pouco mais de respeito com suas leitoras, quanto uma leitora pede alguma ajuda e pq confia em vc, e vi que nao deveria confiar pq achei um desrespeito o que vc escreveu aqui no seu blog achei um desrespeito.
Parabens, pela sua falta de consideraçao com as leitoras

Olha, se tem uma coisa que não combina comigo e guardar mágoa. Eu garro é logo ódio, garro nojo, risco do meu caderninho!!!!
Mas o que, Senhor, o que leva uma criatura a perder seu precioso tempo na internet, visitando o blog alheio para se sentir desrespeitada? É alguma forma digitalmente incluída de masoquismo?
A pessoa, definitivamente, não quer atenção, haja vista que se recolhe a anonimato. A pessoa não quer saber de dar risada, haja vista que se dá ao respeito. A pessoa não quer saber de nada, porque, afinal, além de traída em sua confiança, ela ainda é irônica.
Faz favor!!!!
Quer saber? Leitora que confiar em mim está mais é lascada. Colega, tem que confiar é em você mesma. Eu não conheço as minhas leitoras, nunca vi a maioria delas, então me diz, como que essa pessoa vai confiar em mim? E desde quando minha opinião é confiável? Como posso ser personal stylist virtual???? Fazer o meu trabalho ao vivo já é bem difícil, o que dizer fazê-lo on line.
Quando estou procurando a roupa certa para alguém, ou para mim mesmo, às vezes é preciso provar e (re)provar várias peças, gastar horas testando cores, formas, marcando ajustes. É preciso conversar muito com a pessoa para entender seu estilo, suas necessidades. Então como alguém pode esperar que tudo isso funcione apenas num contato epistolar???
Leitoras, não confiem em mim. Confiem em si mesmas, no seus espelhos.
Ou quem sabe se as leitoras ofendidas me contratassem para uma avaliação ao vivo? Cobro a diária mais a passagem, e não trabalho em casa com cachorro e criança.
Leitoras e leitores que aqui me visitam, venham de coração aberto e sorriso armado. Venham rir comigo. Venham brincar comigo. Moda, todos sabemos, é uma palhaçada, não tem como levar a sério, não faz sentido. A única função da moda é nos divertir, nos fazer mais alegres, mais felizes. Esse blog, como ademais minha singela existência, não se dirige às pessoas desesperadas, infelizes, inconformadas. A criatura que odeia o próprio corpo, que odeia estar viva, que enfrenta cada prova de roupa como uma tortura não vai encontrar nenhuma resposta nesse blog.
Como já escrevi outras vezes, me agrada a idéia de que o bloguinho e este blogueirinho que vos escreve, se faça presente em momentos tão importantes na vida dos leitores, como casamentos, formaturas, viagens. É também nesses momentos de felicidade estereotipada que a vida se legitima.
Sinceramente, a leitora que se sentir desrespeitada por um ente virtual não precisa de ajuda de um stylist - nem de um defensor anônimo – precisa de ajuda psicológica.
E porque eu estou dando tanta importância a um comentário anônimo? Realmente não sei. Deve ser o inferno astral (uia!). E que Carolyne corra comigo em direção à luz! Melhor negócio é voltar para as centenas de leitores diários e paras as dezenas de e-mails que esperam resposta.
Leitoras desrespeitadas do meu blog, peço, primeiramente, desculpas. E por fim, me atrevo a dar-lhes um derradeiro conselho: não deixei ninguém desrespeitar vocês, se protejam, não se exponham a maldade alheia, não deixem este blog do mal invadir a tela de vocês e trair sua confiança. Deletem esse blog da sua memória (inclusive afetiva) fujam, fujam com o que lhes resta de esperança na humanidade. Vão, vão minhas ofendidinhas, saiam da frente desse computador ofensor e ofensivo. Não deixem ele desrespeitar vocês. Só, por favor, não se recolham à humilhação do anonimato, ao silêncio da ofensa sem nomes, por favor, não se reduzam a isso.
Vão, vão recuperar essa auto-estima em outras freguesias. Vão depositar sua confiança em quem mereça (alguém de carne e osso, por que não?). Vão ser traídas por quem lhes (des)mereça, lucrem ao menos um beijo na boca antes.
Vão. Vão.

Marcadores:

quarta-feira, outubro 17, 2007

ela é carioca




Poxa, leitora internacional é para quem pode!
Colega portuguesa quer passar férias na cidade maravilhosa e arrasar na orla. Como simpatia é quase amor, vamos dar algumas dicas.
Veja bem, a mulher carioca é uma injustiçada fashion. Pronto falei.
É que se criou um coro uníssono no Brasil a dizer que a mulher carioca não sabe se vestir, que só fica bem de biquíni. Ledo engano.
E pequeno Lutti fala com conhecimento de causa. O Rio de Janeiro é o único lugar com praia que eu agüento por mais de uma semana. Na verdade, quando vou para o Rio fico logo um mês e sofro na hora de dizer até breve.
Bom, mas o assunto é moda. e a mulher carioca sabe ser muito chique sim. Ora, ora, um lugar que já foi capital do império e da república, epicentro da badalação nacional, e ainda hoje é o cartão postal mais famoso do Brasil não poderia ser de todo desprovido de senso estético e de bagagem cultural, dois elementos decisivos para o saber bem vestir.
Pois é, no Rio os códigos são mais informais, ou diríamos democráticos? E as pessoas mais diferentes convivem em um mesmo cenário. Nas ruas da zona sul , se cruzam turistas vindos da areia, modernas saindo das lojas, senhoras indo ao tomar chá. E todos podem acabar se encontrando no mesmo lugar.
Não é que a carioca não esteja mais nos anos dourados do CopacabanaPalace, é que simplesmente ela simplificou a vida. a mulher carioca tem a praia, tem a lagoa, tem a montanha, ela tem tanto mais para curtir além de roupas...por isso ela compra poucas peças, mas que sejam de boa qualidade e bem versáteis. Para a carioca um vestido chemisie de linho branco serve como saída de praia, mas também vai almoçar e jantar, com uma simples troca de acessórios.
A carioca sabe como nenhuma outra, por exemplo, usar vestidos curtos. Aliás, uma dica preciosa para quem vai ao Rio é usar vestidos. Leves, práticos, soltinhos, perfeitos para o clima, vão da praia ao barzinho de fim de tarde. Portanto, vestidos. Acompanhados de sandálias sem salto e de maxibolsas. Os vestidos podem, senão devem, ser curtinhos, porque a carioca não regula mostrar as pernas – geralmente esculturais.
Mas também valem os shorts e bermudas. Os de alfaiataria para as mais clássicas e os de pernas balonês para as modernosas. Acompanhados de topos justinhos ou de blusas soltinhas.
As batinhas já deram o que tinham para dar, mas as alças largas, tipo regata, ainda têm um fôlego.
Calça jeans pode, mas tem que ser skinny.
E meu serviço de informantes me confirma que a carioca anda flertando com as cores cítricas. Muito azul carbono, muito amarelo. E verde combinado com branco.
E bege. Ainda e sempre a carioca brinca de mostrar seu bronzeado em peças de bege claro, cru, marfim.
Portanto, amiga lusitana, se eu tivesse que lhe sugerir peças chaves para suas férias cariocas, elas seriam um vestido estampado tipo trapézio, um chemisie branco, uma bermuda de sarja bege, e umas quantas blusinhas coloridas.
Mais uma observação, sobre a lenda da moda praia. Não, nenhuma carioca anda pelas ruas de biquíni e canga ou usando maiô com pantalonas de linho e chapéu de abas largas.
Oh, só para facilitar, coloquei ali nos marcadores desse texto um link para o que escrevi sobre a Fashion Rio Verão 2008, lá tem fotos e comentários.

Marcadores: , , ,

domingo, outubro 14, 2007


Gente, faz favor...
A pessoa, esta que vos escreve sempre com tanto carinho, é uma só.
Vamos falar de novo, ou ainda, sobre os carinhosos pedidos de ajuda que recebo todos os dias. Primeiro, essa nova moda de deixar a dúvida nos comentários com o e-mail para que eu responda, logo aviso, não vai funcionar. Não adianta, não consigo administrar assim acabo esquecendo de responder, e acho que ficar divulgando o próprio e-mail no blog alheio é pedir para ganhar correntes e animações pps. Até, aí, cada um é dono da sua caixa, mas acho estranho.
Aí do lado desse texto, tem o famoso link para o e-mail do bloguinho, o nosso Serviço de Atendimento ao Cliente, que tento responder seja em particular seja em textos aqui mesmo.
Daí vem outra situação, ainda que eu quisesse, não venceria atender a todos os pedidos de socorro, e confesso, alguns até me irritam. Veja bem, escrevo textos e mais textos sobre o assunto, e daí vem a linda e pergunta a mesma coisa??? Oh, minha filha, simbora fazer um esforçozinho e ler o que já foi escrito!
As amigas foramandas então... nem se fala, são insaciáveis. Não há texto que traga informação suficiente sobre o vestido de formatura. Tem dias que me dá vontade de chamar umas colegas de loucas!!! Fala sério, a pessoa se dedica anos a uma faculdade e a tudo se resume no bendito vestido? Bom, enfim, se é isso que faz vocÊs felizes...vamos lá.
Mais respostas ao SAC.
Acontece que o desfile de verão que a Dior apresentou na última temporada de Paris foi bem moda festinha, e resolve a dúvida de várias amigas. Vejamos:


Vou ser madrinha de formatura de uma sobrinha gostaria que vc me encaminhasse alguma sugestao sobre que roupa eu deveria usar, sendo que tenho 1,69 e peso 64 kilos, obs. tenho uma barriguinha.
Abraços.
Fico no aguardo de uma resposta


Colega, a festa é da formanda, portanto pegue leve. Vestido leve, curto e com um franzidinho na barriga para amenizar a pancinha!




Seu blog está muito legal, com muita informação atual sobre moda, inclusive formatura.
E esse é o meu objetivo, como vc não falou muito de formandas mais madura, solicito uma sugestão para meu vestido. Tenho 49 anos e sou formanda de nutrição, a cor do vestido de baile é vermelho, sou alta (1,71m) e tenho meu peso adequado para minha altura 64 Kg (tenho algumas gordurinhas na região da cintura e nas costas), estou malhando para tentar amenizar até a formatura (16/02/08), gostaria de um modelo atual, elegante, sem ser senhora, com caimento e balanço, não gosto muito de blilho (só em detalhes). Sou aloirada e um pouco grisalha, nunca pintei o cabelo, pois gosto muita da cor que está (louro acinzentado), sou bem clarinha.


Colega, seus problemas acabaram. Dior 2008, fluído, sem ser justo demais, alongador, sem brilho, moderno e na cor certa.




Olá, minha formatura será em Dezembro e estou enfrentando problemas para achar um vestido. Gostaria de um modelo longuete com mangas. Tenho 1,71 e peso 59 kg. Porém, meu corpo é no formato de pêra, tenho ombros pequenos e quadril largo (cerca de 100 cm). Você poderia me ajudar indicando um modelo?

Amiga, a formatura é sua, você que manda. Só para constar, eu odeio, odeio mesmo, longuete. Leitora desse blçog não usa longuete! Leitora com 1 metro de quadril, não usa longuete de jeito nenhum!!! Você é alta e magra, trate de colocar um belo vestido longo, com um detalhe central e vertical na altura do quadril para desviar o olhar e valorizando os ombros.




Estou preocupada com a roupa que devo usar no casamento de minha filha no dia 05 de janeiro de 2008. Tenho 1,71, esbelta, tipo longilinea de pernas grossas. Morena clara com cabelos pretos e lisos, comprido com um corte moderno bem desfiado. Tenho um estilo bem jovial. Tenho 47 anos, mas não me dão mais que 30 anos. O casamento será 20h e ficou acertado que usaremos longo. Tenho um rosto estilo árabe e bem marcante. Porisso gostaria de algo que valorizasse o meu tipo físico. Gosto de roupas coloridas ou cores fortes. Agradeço se me mandarem sugestões

Amiga leitora, com todo o carinho, não importa que idade lhe dêem, você tem 47 e deve se vestir conforme a sua idade e, principalmente, conforme seu papel de mãe da noiva. Portanto, seu vestido será mais comportado, não necessariamente senhoril, mas condizente com uma jovem mãe. E a ocasião pede cabelo preso. Mulheres de rosto com traços étnicos podem explorar esse atriburo, mas precisam ter cuidado para não ficarem com visual de traje típico. Vale aproveitar as referências. Então, traços árabes combinam com brilhos, dourados, tons de laranja, ocre, azuis escuros. Seguem algumas sugestões para você usar nas cores referidas.


Meu nome é **** e gostaria de sua ajuda se possivel. Vou a uma festa de 15 anos e o tema da festa é havaiano e não sei que ropa vestir. Se vc pudesse mandar algumas fotos so pra eu ter uma ideia, eu agradeceria. Gostaria de um vestido bem bonito, que não seja longo e com decote nas costa.







Marcadores: , , , , ,

sábado, outubro 13, 2007






Sinceramente, eu não gosto da palavra volta. Ela insinua que a gente partiu, e eu nunca parti. Eu sou um pouco barco; barco de pesca que vai ali e já vem sem mesmo sair do horizonte nosso de cada dia. Eu nunca parti. Eu fui ali e já vim”.
Maysa, na contracapa do disco lançado em 1969, quando voltou ao Brasil, depois de três anos morando na Europa.


Pois é, eu também fui ali e já vim. Estava em Brasília, a trabalho. Dez horas por dia, para ser mais exato. Seguidas de duas horas frenéticas de compras, para relaxar... E tudo isso numa umidade relativa do ar abaixo de 25%, que me obrigava a dormir com uma toalha molhada na cabeceira da cama para não acordar com o nariz sangrando.
Eu gosto muito de Brasília. Embora nunca tenha planejado ir à Brasília, vários momentos importantes da minha vida são marcados por inesperadas viagens para lá.
Brasília é um lugar curioso. E paradoxal. Brasília é uma ode à capacidade humana, mas não há nada de humano lá. Uma cidade sem calçadas, sem plantas, sem animais. Brasília não tem gente caminhando, não tem cachorro, não tem sequer passarinhos. É uma cidade, a sua maneira, bonita. Planejadamente bonita, mas seus moradores são composições estéticas do acaso. É uma cidade onde as decisões são tomadas em segundos, mas onde uma salada demora meia hora para chegar a sua mesa.
Mas o que mais me fascina em Brasília é o paradoxo moral. A cidade tem uma energia curiosa, quem sabe até boa. A catedral é uma das mais bonitas que conheço. A Igreja Dom Bosco e sua luminosidade azul elevam qualquer alma. O templo da LBV é a melhor tradução que ecumênico pode ter. Ao mesmo tempo, Brasília me faz entender plenamente a passagem bíblica das tentações de Jesus no deserto.
Em Brasília a gente é assediado o tempo todo. Não apenas pelas prostitutas do Setor Hoteleiro Norte, ou pelos travestis do Setor de Diversões Sul. A gente sofre um permanente assédio moral. Em cada corredor largo de Brasília, uma alma pode ser comprada ou vendida. Ou mesmo alugada.
Recebi algumas propostas pela minha. Mas, ainda não foi dessa vez. Não que minha alma valha grande coisa, mas meu ego, esse sim, é bem caro.
Ou talvez, tal qual Jesus no deserto, minha fé em mim mesmo tenha sido maior que as ofertas alheias. E sou bem orgulhoso de perceber que entre indas e vindas ao epicentro do poder, quem ficou mais forte fui eu. Ou vai ver só estou diferente. O que importa é que continuo fiel a mim mesmo, e as minhas prioridades, vontades e idiossincrasias. E flertar com um cenário que já me foi tão adequado foi uma experiência absurdamente rica em sinais e certezas.
Brasília não mudou em quase nada, mudei eu.

E tudo isso num momento peculiarmente melancólico. É que intercalei a leitura de “Só numa multidão de amores” a biografia de Maysa, escrita pelo Lira Neto. E assisti Piaf – Um Hino ao Amor. A vida dessas mulheres, quase contemporâneas, é de uma tristeza sem fim. Tristeza de não amar, ou de amar demais, tristeza de um não-pertencimento ao seu tempo e espaço, uma inadequação de padrão e uma autonomia de verdades, uma visão sincera - e corajosa - de si mesmas. Mulheres que viveram – e morreram – em nome de suas verdades, de sua coerência. Mulheres que sofreram por sua genialidade. Mulheres que ousaram tentar.
Portanto, ao melhor estilo de Brasília, senão meu mesmo, há em mim um paradoxo. Estou plenamente feliz na minha pequena esfera, e profundamente melancólico na dimensão do mundo. Compreendo mais uma vez o que Hannah Arendt quis dizer com “a verdade é o critério mais elevado do pensamento”, e o sobre o que Kant quis nos advertir quando disse que pensador precisa ser conseqüente.
O mundo, como eu o vejo hoje, me deixa melancólico.
Piaf ou Maysa, nos nossos dias, não seriam geniais, seriam medicadas. A genialidade seria psiquicamente rotulada e anestesiada. Elas não sofreriam, fariam uma escova progressiva e tomariam um estabilizador de humor. A vida seguiria. Sem dor, sem amor, sem música.
Merda de paradoxo. Aquelas mulheres foram geniais, e hoje seriam tratadas como loucas. Enquanto a maioria das pessoas que hoje se acham geniais, são apenas loucas.

Todos acham que eu falo demais
E que eu ando bebendo demais
Que essa vida agitada
Não serve pra nada
Andar por aí
Bar em bar, bar em bar

Dizem até que ando rindo demais
E que eu conto anedotas demais
Que eu não largo o cigarro
E dirijo o meu carro
Correndo, chegando, no mesmo lugar

Ninguém sabe é que isso acontece porque
Vou passar toda a vida esquecendo você
E a razão por que vivo esses dias banais
É porque ando triste, ando triste demais

E é por isso que eu falo demais
É por isso que eu bebo demais
E a razão porque vivo essa vida
Agitada demais
É porque meu amor por você é imenso demais

Antonio Carlos Jobim / Aloysio De Oliveira



Marcadores: , ,

sexta-feira, outubro 05, 2007

Atualizando o SAC


MAS, VAMOS AO PONTO: VOU SER MADRINHA DE CASAMENTO E COMO TINHA DITO ANTERIORMENTE SOU CONHECIDA COMO FASHION, PRA MIM FICOU ESCOLHIDA A COR DO VESTIDO AMARELO,SÓ QUE ANDEI PESQUISANDO E AINDA NÃO ACHEI O VESTIDO QUE POSSA DIZER “É A MINHA CARA!”
DAÍ PENSEI EM TE PEDIR AJUDA...
TENHO 26 ANOS,1.70 ESTOU ACIMA DO PESO, NÃO TENHO CINTURA BEM DEFINIDA(INFELIZMENTE) E BRAÇOS MEIO FORTE.NA VERDADE TENHO COSTA LARGA TIPO FISICO ATLETICO....MAS TENHO PERNAS MUITO BONITAS ,SOU LOIRA E GOSTARI DE ARRASAR(KKKK)




Amiga, loira, ombros largos e pouca cintura...Sei, sei, alemoa.
Fuja das saias retas, dos vestidos justos, dos tomara-que-caia, das frentes únicas, das mangas bufantes, dos decotes canoa.
Você precisa de saias rodadas, saias na linha, casacos longos na linha A, vestidos trapézio, vestidos de cintura baixa tipo blousé.
Separei alguns modelos, todos dos desfiles para o verão 2008.





Então, colega, a primeira sugestão é um Valentino, com cava americana – para amenizar as costas largas e um efeito drapeado na cintura, dando algumas curvas. O único inconveniente desse modelo, é que ele precisa ser curto, porque a saia longa e reta não lhe favorece.
A segunda idéia, é um Roberto Cavalli solto, mas sensual. A cintura baixa e as mangas longas disfarçam o corpo, mas a transparência e o decote ousado não deixam o vestido tedioso. O importante são as linhas verticais na saia, para não deixar o look achatado.
Depois temos um Fendi que cria a linha da cintura e ameniza os ombros.





Logo depois, vem um Alberta Ferreti, que disfarça a falta de cintura e deixa os ombros mais delicados.
Então um Diane von Furstenberg, estampado e com um decote ousado para as costas largas.
Daí, um Joanna Mastroianni curto mas inesqucível. Cor escura em cima e clara em baixo é possível para vc.
E por fim, meu preferido, um Michael Kors.
O tom de amarelo certo para loiras é sempre aquele menos próximo do tom do cabelo. E, sempre, faça um jet-bronze


__________________________________________________________



Preciso de ajuda, com que roupa devo ir no casamento de minha filha.
Eu tenho 1:54, peso 54 k, sou morena, cabelos lisos vermelhos e o corpo malhado.
As cor do vestido da noiva é vermelho rrsr( diferente)
da madrinha da noiva e verde q cor eu poderia vestir?
Me ajude!
obrigada



Uau, isso sim é um altar moderno!
Agora, colega, fala sério, estão de sacanagem com você. Porque, se você é ruiva, quem deveria usar verde é você!!!
Quando componho as cores de um altar, sempre penso no todo, visto pelo ângulo dos convidados e, é claro, nas fotos.
Já expliquei uma vez que a roupa das mães dos noivos é importantíssima, pois elas são as figuras mais próximas à noiva e devem lhe servir de perfeita moldura. Tendo isso em mente, vamos lá.
Excluído o verde, a segunda cor que lhe seria recomendável é o amarelo mostarda, mas daí o altar vai ficar com cara de lanche feliz!
Dourado? Não!!! Vermelho, verde e dourado? Só de o Papai Noel for o noivo!
Então, as cores que restam são o marrom, o bordô e o marfim.
Como você tem a pele morena, marrom pode ser arriscado, ao menos que o modelo tenha a proposta nude, isto é, seja justo, levemente transparente, em tecido delicado.
Bordô, nesse caso, precisa ser bem mais escuro que o vermelho da noiva, e ainda requer o cuidado de que seu vestido tenha um formato diferente do modelo dela. Assim noiva de saia rodada, mãe de saia reta.
Por fim o marfim. Sem dúvida é a opção mais ousada, inverte-se o conjunto cromático tradicional, mas acho que o vestido da noiva permite essa proposta.
Pessoalmente, acho que a melhor escolha seria um vestido de organza bordô ou marrom, tipo coluna, sem mangas, com cava americana e cintura marcada, a saia caindo fluída sobre forro de cetim marfim, podendo ter alguns bordados na cor escura.
Outra escolha é um vestido de renda escuro como forro marfim, nesse caso um vestido justo, com decote V.
Apenas fuja dos tons de azul, porque eles não combinam com seu cabelo e vão brigar com o tom quente da roupa da noiva.
E se permite meter o bedelho... o cuidado das cores, especialmente nesse casamento, deve se estender para as flores, ponderando-se as proporções de cor para evitar as confusões com os clichês do natalino (verde, vermelh, dourado), cantina italiana (verde, vermelho e branco), mclanche (vermelho e amarelo) ou sambista velha guarda (vermelho e branco).
Para inspirar você:










Allegra Hicks (2008), Alberta Ferretti (2008),Badgley Mischka ( 2008), Bill Blass (2008), Carmen Marc Valvo (2007), Gaultier (2007), Galliano 2006.

Marcadores: , , , ,

quarta-feira, outubro 03, 2007

VitoLugo 1ª linha






Ainda meio sem fôlego com o desfile de despedida no pret-à-porter do Valentino. Não, não foi o melhor desfile dele, mas é histórico e, como sempre, é um aula de formas e cores.
Olha, não seria forçado dizer muito da minha aceitação da moda como forma de arte se deve ao Maestro Valentino. E mal posso esperar pelo grand finalle na temporada de alta costura, ano que vem.




Aliás, vamos falar de arte. Ou de um aspecto que anda me incomodando: o tal direito autoral.
Pensando bem, primeiro seria preciso estabelecer um debate sobre arte e autoral.
É que lá no núcleo jurídico da novela, outro dia comentávamos sobre a padronização de teses. Assim, surge uma questão nova, um problema novo que pode atingir vários clientes. Então, eu estudo o caso e crio uma tese nova, uma defesa. Eu salvo este documento na minha pasta da rede, para que todos os colegas tenham acesso. Um colega acessa, lê, pensa, acrescenta algumas idéias novas, me repassa a peça. Outro lê, tira o que não gosta, a vida segue. Mas daí surge um colega que se acha esperto, pega a minha tese e publica um artigo com ela. Ganha pontos no currículo, ganha prestígio acadêmico. E eu?
Daí lembro-me de tantos blogueiros que têm chiliques quando um termo de miguxês que supostamente foi por eles criado cai na rede e é usado por tantos outros blogueiros. E daí um blog cai nas graças do coletivo e vira sucesso. Fazer o que? Discutir ética e inclusão digital? Quer saber o que eu acho: e por que a criatura sai na chuva se não quer se molhar????
Obviamente, penso no texto que escrevi ontem e como na moda o plágio é algo corriqueiro. Se bem que os fashionistas preferem termos mais lisonjeiros como inspiração, referência ou releitura.
E vejam só, eu mesmo, quanta coisa eu leio, e muita coisa mesmo, e tudo isso borbulha na minha cabeça e acaba saindo em pedaços de textos, de idéias, de conceitos que me parecem tão meus, mas, vai ver, deveriam vir entre aspas e com nota de rodapé. Ora, logo eu que reluto com a idéia de fazer um Mestrado justamente porque a idéia de que tudo precisa vir com referência bibliográfica me parece cansativa e inútil. Prefiro acreditar que de nada adianta tudo que se lê se não se pode concluir algo por si mesmo.
Mas não vamos tão longe. Quantas coisas que a gente vê e registra sem perceber e acaba usando tempos mais tarde? Outro dia, revendo o Diabo veste Prada na tevê, percebo que um dos meus últimos arranjos de mesa é inegavelmente parecido com um que aparece no quarto de hotel que Miranda fica em Paris.
Isso é plágio? Ou melhor, existe plágio dos conceitos? Ou vamos voltar ao belo e ao sublime kantianos e concluir que algumas coisas não pertencem ao gosto individual, senão a um padrão universal de perfeição? Quando algo é tão bem feito, é tão adequado a expressar o que todos sentimos, isso não pode ser confinado ao timbre de um único homem, isso pertence à humanidade, ao gênio criativo do ser humano.
Existem muitos vestidos de festa vermelhos. Centenas de estilistas desenham milhares de vestidos vermelhos todos as estações. Mas um vestido de festa vermelho Valentino será para sempre um Valentino. Todos os demais não lhe serão cópias, mas meras tentativas. Os melhores apenas terão como consolo o elogio de parecer um Valentino.

Felizmente, me ocorre que essa masturbação ególatra em torno do “é meu” ou “isso fui eu quem fez primeiro” diz muito mais às pequenezas do ego pseudo-artístico ou as mesquinhezas do bolso pseudo-burguês. À arte, como conceito, pouco importa o crédito, pois ela se vale de absolutos.


Já na década de sessenta, Hannah Arendt escreveu um artigo (cujo nome não tenho em mãos agora) em que alerta que a cultura iria sumir na modernidade, pois se confundiria – ou perderia – na noção de lazer. A visionária filósofa estava mais uma vez certa. Pretensiosamente, vou além, afirmando que a modernidade também perdeu o conceito de arte dentro do conceito de produto.
Atenção, não quero dizer com isso que arte não pode ser produto. Muito pelo contrário, sempre defendi que a arte precisa ter um valor utilitário. Arte conceitual não me serve para nada. Arte precisa ser útil, ainda que apenas ao pensamento. O que quero dizer, é que não se pode medir arte pela régua do mercado.
Em outras palavras, acho que a cópia não ofende o artista, mas sim o mercador de arte. Acho que ao artista interessa a perpetuação de sua obra, não de seu nome. O artista verdadeiro, me faz bem crer, aceita-se como mero instrumento.
Não seria radical, assim, dizer que a mim parece que os grandes pensadores, para assim se legitimarem, devem ter mais orgulho da difusão de suas idéias do que de seus nomes.

Por fim, só um uma historinha do mundo da moda. No anos setenta, um argentino se mudou para o Rio de Janeiro e começou a fabricar bolsas. Eram cópias idênticas das bolsas da grandes grifes francesas, mas o artesão não lhes falsificava o nome, apenas reproduzia o design em materiais sintéticos e lhes grifava com seu próprio: Vitor Hugo.
Eis que as bolsas Vitor Hugo se tornaram – no Brasil e apenas no Brasil – bolsas de luxo. Ironicamente, hoje as bolsas Vitor Hugo são falsificadas na China e vendidas em qualquer camelô, lado a lado das Fendi, Chanel, Gucci, Dior, Prada e Louis Vuitton. Copiador e criadores, agora todos falsificados.




Marcadores:

terça-feira, outubro 02, 2007



Preguiça. Ou quem sabe um modo letárgico e absolutamente defensivo para resistir ao mundo tal qual ele se me quer impor. Não, não falo da minha vida, que anda tão boa quanto sempre, senão melhor.
Ok, vai ver, pode ser... o tal inferno astral. É, não que eu acredite, ou não. Enfim, é que tem coisas que a gente compra pelo conteúdo, não pela embalagem. Então inferno astral, ou o nome que lhe quiserem dar, me agrada como conceito, tanto quanto como prática. É que a idéia de usar esse mês que antecede meu aniversário para colocar minha vida em balanço me parece salutar, se não necessário. E definitivamente, mal não faz! Aliás, me parece bem útil que se tire um tempo para refletir sobre o que se anda fazendo da própria existência, para onde se está evoluindo, ou simplesmente indo. Pensar o que se fez no último ano, e mais ainda o que se fará no próximo.
Aquele papo de sempre, é que a vida é em si tão cheia de sutilezas, que às vezes mais importante do que planejar é preciso organizar-se para acompanhar. Então, eu gosto sim desse tempo em que me sinto mais sensível - ou suscetível – para pensar em como andam as coisas.
Acho que um dos meus grandes exercícios de vida continua sendo o de viver no presente, pensar no futuro com certo foco, mas sem obsessão, e pensar no passado com certo respeito, mas sem, exatamente, orgulho.
Curiosamente, penso nisso em plena temporada de moda. Acompanho os desfiles de NY, Londres, Milão e agora Paris para o verão 2008. Como todo mundo da moda, anseio pelo desfile de despedida de Valentino. Ao mesmo tempo, folheio atentamente a edição de outono da Vogue americana e suas mais de 800 páginas com tudo o que será usado no inverno do hemisfério norte.
E daí que percebo que vivemos num descompasso. O tempo na moda também é relativo. No Brasil as lojas estão cheias de vestidos trapézio em cores primárias e botões enormes, acompanhados de bolsas de vinil azul cobalto e amarelo. Mas os desfiles para 2008 só trazem cinturas marcadas e vestidos estampados. Enquanto aqui o verão é dos minis e micros, lá Fendi e Prada desceram as barras para além do joelho.
Paradoxalmente, as páginas de inverno da Vogue mostram que agora sim a mulher americana vai se vestir de Miranda Priesley, obedecendo cegamente as tendências que foram testadas no Diabo veste Prada. O saltos grossos que Meryl Streep usou o filme inteiro são as novas anabelas, a própria Prada lançou o sapato fetiche da estação.
Ta, e daí que a gente pode concluir que existe uma grande indústria manipulando as tendências, decidindo o que – e quando – vamos usar. Da mesma forma podemos cair de joelhos prostrados em terra e largar nossa própria vida ao mito de um Deus impiedoso e inflexível.
Mas vai que eu prefiro acreditar que existam sim, no mundo da moda e nas nossas vidas, sinais do que está por vir, vibrações que nos indicam direções a seguir, manifestações de um suposto inconsciente coletivo, de uma corrente universal de pensamentos onde todos podemos buscar orientações. Por isso acredito e dedico-me ao necessário silêncio observador, ao imperioso recolhimento interior e, principalmente, a permanente vigilância aos detalhes e a constante atenção aos sinais. Porque vai que a tal felicidade esteja realmente na própria busca?


Marcadores: