O seus, os meus, os nossos

Bebericando um chá verde e ouvindo repetidamente o Comme si de rien n’était da Carla Bruni.
De ontem para hoje assei baguetes, brioches e madeleines. Tudo para o café da manhã do final de semana, nosso simbólico triunfo da convivência.
Me dou conta do quanto especialmente gosto de algumas coisas aqui de casa. Especificamente de algumas desordens planejadas. Assimetrias de cores ou formas. São elas que pessoalizam e personalizam a casa.
A cozinha.
Nossa louça é basicamente branca, mas tem peças de formatos diferentes. Temos umas poucas peças pretas e outras vermelhas. Tudo fica exposto em vitrines na cozinha. Em pilhas cuidadosamente aleatórias. Também temos bancadas grandes de granito, com parafernálias elétricas de aço escovado (não sei como eu vivia sem minha chaleira elétrica!) As tábuas de corte, o cepo de facas. E agora meu almofariz de pedra sabão, recém ganho de um dos casais de amigos mais amigos que se pode ter.
O escritório.
Centenas de DVs, CDs e livros coloridos dispostos em prateleiras e intercalados com aquelas coisinhas em miniatura que a gente compra sempre que viaja e depois não sabe onde guardar. A Torre Eifel, uma cabine vermelha, um galinho de porcelana, El Oso y El Madroño, as divindades tailandesas, budas, uma dançarina de flamenco, bustos de calcário de Tarragona, elefantes, um touro, Cinderela e seu Príncipe, os guerreiros chineses de terracota, uma bola de beisebol, um leãozinho. As meninas do Velazquez.
Postais de lojas de museus. Picasso, Monet, Dali, Renoir. A coroação de Napoleão, de Jacques-Louis David, um dos meus quadros preferidos. O Abaporu, por uma história nossa. O retrato de Nina Hammett, de Rofer Fry, uma paixão que surgiu na Courtauld Gallery.
E me pego uma vez mais pensando em preços e valores. Antes ainda, penso mesmo é que certa forma tudo é um investimento. No meu caso, vai ver, uma poupança de boas lembranças para os dias de chuva. Um investimento diário, é bem verdade, mas garantido. Altamente rentável e com distribuição freqüente de bônus. Meus bônus pessoais, mas transferíveis, da felicidade que existe.
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