segunda-feira, maio 17, 2010

Off with their heads!!!

Estou indo para o epicentro do poder federal.
Então o final de semana foi uma coisa cheia de mimos domésticos para amenizar os dias que passaremos separados.
Como qualquer casal classe média que se preze nossos mimos incluem um cineminha. Daí que fomos, finalmente, ver Alice do Tim Burton (Alice in Wonderland, 2010).
Tinha como dar certo não.
Primeiro porque eu nem acho a estória grande coisa. Não foi dos livros que me marcaram na infância. Nem na adolescência quando o reli juntamente com Alice no País do Espelho. Quando reli ambos, já adulto, tão pouco me impressionei.
Tim Burton, na boa, deu o que tinha para dar no Edward, espremeu o bagaço no Peixe Grande e empacou na Noiva Cadáver. São uns minutos de filme e manda todo mundo para o subterrâneo das árvores retorcidas, noturno e fumê. Sim, sim, fumê, datadinho que nem a meia-calça de nylon.
Johnny Depp eu nunca suportei. Não vejo nenhuma diferença entre qualquer de suas atuações (a não ser a peruca) e não o acho bonito e muito menos interessante. O único instinto que ele me desperta é vontade de pegar água e sabão e sair lavando tudo. Pronto, falei.
Agora, acho bonitinho a devoção do diretor a sua esposa Helena Bonham Carter O filme, me parece, é feito em torno do bem estar dela. Todo mundo tem olheiras, para ela não se sentir feia e a escolha de um elenco sempre incapaz de mudar a expressão facial (Mia Wasikowska, Johnny Depp, Anne Hathaway) para ela parecer a melhor coisa do filme.
Blábláblá, filme chato. E como qualquer filme novo da Disney, serve como catálogo para uma infinidade de produtos licenciados. Ou aquele tipo de filme que não faria a menor diferença se não tivesse sido feito.
Agora, requinte de crueldade é o final... Alice largar mão do país das maravilhas, negar um pedido de casamento, para virar uma business woman que acredita nos seus sonhos é muita modernidade. Afinal, como falava no texto anterior, Alice não precisa de mais nada nessa vida, pois ela aaaaaaaaaaaaaaaaama o seu trabalho.
Segue Alice, não mais vaporosa em tules, mas engravatinha para mais uma viagem de trabalho.
Acorda, Alice!
Também sigo eu.

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quarta-feira, maio 12, 2010

Atarefadíssimo, digamos...
Primeiro o dia das mães, que significou um jantar de três pratos, acepipes, drinques e uns indispensáveis arranjos florais.
Depois – ou ao mesmo tempo – um processo particularmente difícil e peculiarmente milionário que me levou a uma pequena batalha coorporativa na qual fui derrotado em meus argumentos, mas não em minha auto-estima. Felizmente minha maior resposta continua sendo o talento para o uso da inteligência. E, sim, um pouco de paciência. Fruto mais da experiência do que de uma natural tendência.
E ainda os preparativos para uma viagem de trabalho que me obrigam a adiantar o trabalho de uma semana.
Então faço uma breve pausa para falar, justamente, sobre trabalho.
Outro dia estava assistindo a Oprah entrevistando profissionais de sucesso em áreas pelas quais são apaixonados. Obviamente, se tratavam de profissões teoricamente artísticas que envolviam moda, bolos artísticos, flores... Pois é, parece que não dá para ser muito entusiasmado em profissões burocráticas como a minha...
Mas a lição que Oprah ofereceu aos seus telespectadores foi algo como “ache algo que você ame fazer e descubra uma maneira de ganhar dinheiro com isso”.
Ta, querem saber? Eu odeio gente que ama o que faz! Isso não faz o menor sentido!
Se a gente trabalhar em algo que ama, o que vai fazer nas horas em que não estiver trabalhando?
Daí me dou conta que esse papinho amor é golpe de setor de gerente!!! Obvio, se você ama o que faz, não precisa ter tempo livre para lazer, afinal você se diverte no trabalho, hã???? Você ama tanto o que faz que não vai se importar de fazer durante dez horas por dia, nos finais de semana, durante o período em poderia tirar férias.
Evidentemente, você corre o risco de não conseguir ter nenhum relacionamento fora do seu trabalho (nem dentro, porque isso não é profissional, porque você não quer concorrência, porque você não mistura amor e negócios, porque você tem outras prioridades, porque você está casado com o trabalho, porque você está num momento mais voltado para a carreira, porque você não tempo). Mas isso não importa, afinal você está super realizado fazendo o que ama! Para que perder tempo, por exemplo, com besteiras como casa, casamento, família? Isso é coisa de gente sem foco.
Não vou mandar a Oprah à merda. Até gosto dela – ou tenho um pouco de dó... A mulher superou as expectativas da própria vida. Só não superou os recalques, o que pode ser até mais desastroso.
No meu resumo da ópera, a lição para meus leitores é não se preocupem tanto com ganhar dinheiro e muito menos em ter que trabalhar naquilo que amam. O importante, arrisco, não é amar o que se faz, mas amar o que se é.
E melhorar o que se é, sim, merece toda a nossa dedicação.

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