domingo, julho 25, 2010


As férias já estão bem no passado.
A rotina já tomou seu lugar.
Curiosamente, a gente está curtindo agora as lembranças da penúltima viagem, pois só agora podemos usar as roupas novas de frio e cozinhar com os ingredientes mais pesados. É um tal de cafés, chás e chocolates. E, como não brincamos em serviço, é hora de abrir as latas de foie gras.
Mas principalmente, é tempo de casa cheia. Porque faz parte da nossa festa compartilhar as coisas com as pessoas queridas. Daí que todo o final de semana tem casa cheia, burburinho de cozinha, arranjos de flores, velas acesas. Tudo como a gente gosta.
As vidas coorporativas tão pouco dão trégua, mas não tenho a mínima disposição de falar sobre isso agora. Bem melhor pensar que já temos uma mini-viagem agendada. Também temos uma maiorzinha...
Então, para “encerrar” o capítulo das últimas férias, falta deixar uns comentários sobre Madri.
Madri era a parte segura da viagem. Caso odiássemos Barcelona, ainda teríamos a já amada Madri como chave de ouro.
Tiro certo. E com a sempre vantagem de redescobrir uma mesma cidade.
Calor sem praia, mas com liquidações de encher sacola.
Fins de tarde sem mojitos, mas com sangrias perfeitas e com o memorável tinto de verano.
Madri faz bem aos olhos. É uma cidade linda exatamente em seus atributos urbanos: avenidas, prédios, parques, monumentos, fontes. É histórica, é culta (o Prado sempre merece uma nova visita, o Reina Sofia nem parece um museu, de tão tranqüilo e arejado). Tem aquele fuso horário próprio que tanto nos faz sentido.
E dessa vez, Madri ganhou novos sabores. Mais uma vez nos deliciamos com os bocadillos de calamares, as porções de presuntos, as fatias de tortilla, as batatas com maionese de alho. Mas descobrimos os boquerones fritos, os queijos de leite de ovelha, as azeitonas recheadas. E tudo isso e mais no espetacular Mercado de San Miguel, reaberto depois da nossa primeira estada e agora descoberto por acaso, mas que virou nosso ponto diário de almoço e a mais perfeita tradução do que uam experiência gastronômica pode ser.

Marcadores:

sexta-feira, julho 16, 2010

Barcelonaaaaaaaaaaaaaa


Faz frio em Porto Alegre.
Não um friozoinho. Frio mesmo, abaixo de 10ºC.
As coisas ficam mais sensíveis no frio.
Algumas vibram.
Como na cozinha, quando piso num determinado lugar, a vibração do chão sobe pelo pé da bancada e faz sibilar uma lata de chá.
Ou no carro, onde a tampa do porta-luvas vibra quando subo uma rua de paralelepípedos no caminho do trabalho.
Talvez seja apenas eu, mais atento, mais sensível.

Penso nessa coisa de vibração e lembro de Barcelona, segunda parada de nossas férias.
É que Barcelona tem uma vibração só dela, ou daquelas que só cidades litorâneas - no verão - podem ter.
Barcelona é meio a Copacabana da Europa, ou onde a classe média vai molhar os pés no mar. Em euros, bem entendido.
Primeiro, deixa eu explicar que Barcelona não foi nada do que eu esperava. Ainda bem...
Barcelona não é tão linda quando se fala. O modernismo de Gaudi é fascinante, bem verdade, mas não, não tira o ar de ninguém. O bairro gótico é satisfatoriamente medieval, mas não passa disso.
Mas a Fonte Mágica de Montjuic é tudo e mais um pouco. Três horas de show de águas dançantes, luzes e músicas do brega ao clássico, sem esquecer o momento delírio da platéia com Barcelonaaaaaaaaaaaa de Freddie Mercury e Montserrat Caballé. Imperdível!



O astral é de férias, mas não é aquela gente toda se querendo de outras praias. Barcelona, muitas vezes, é bem família. Não tem desfile de gente bonita (não mesmo...), nem de gente rica. O pessoal está mais na linha elegante e sincero.
Tão pouco Barcelona é perigosa. Não há filas de batedores de carteira pelas ramblas, não há assédio de vendedores de drogas ou de prostitutas. Nisso, Lisboa, por exemplo, é bem mais selvagem.
E para meu alívio, não se fala catalão. Estava com muito medo de não entender nada, mas no final da semana, já estava receoso de ir embora sem escutar o tal catalão. Todas as pessoas com quem falei tomaram elas mesmas a iniciativa de falar em espanhol. Muitas, inclusive, se esforçaram num portunhol (talvez porque haja MUITOS argentinos na cidade). Mesmo entre eles, os mais jovens falam em espanhol. Catalão mesmo (que eu achei bem parecido com o italiano) só nas placas públicas e no discurso entusiasmado de um político na abertura da festa de São João.
E daí que vem a estória da vibração. É que agora me parece que Barcelona possa esconder uma vibração meio tensa por toda a história do separatismo e talvez seja isso que torne as coisas por lá meio diferentes.
Principalmente, eu estava tenso com Barcelona e suas famas.
Ah sim, a Verbena de San Juan, a Noche del Fuego, dia 23 de junho. Os catalãs comemoram a chegada do verão na virada da meia noite para o dia 24, na beira da praia, com fogos de artifício e fogueiras onde a gente queima as coisas que quer deixar para trás e joga os desejos do que quer realizar. Toma-se uma boa cava e comesse a coca de San Juan, um bolo baixo com cobertura de creme e frutas, bem parecido com a nossa cuca gaúcha. Será que os alemães da serra gaúcha passaram pela Catalunha no caminho?
Aliás, isso é uma coisa que me dei conta nesse retorno à Espanha. É ridículo esse culto gaúcho às suas supostas origens italianas (e às vezes alemães), porque basta uma passada pelas terras hermanas (mesmo Buenos Aires) para que a gente se dê conta que se alguma influência européia nos restou é a portuguesa e muito da espanhola.

Mas, sem dúvida, Barcelona entra no meu inventário de lugares queridos pelas experiências inéditas que ela me trouxe. Aquela que agora chamo “A Europa de bermudas”.
Já tinha pego um calorzinho europeu. Coisa de primavera. Mas Europa é como casa de pai de namorada, a gente custa a ter intimidade, por isso andar de pernas de fora no velho mundo me parecia muita ousadia. Então Barcelona. Calor seco de 34ºC, praia e no segundo dia tiro as calças que só vim a colocar no aeroporto de Madri no dia da volta.
Banho de mar no Mediterrâneo. Água com gliter por causa do pó de conchas de mexilhão. Areia grossa e poeirenta. Ninguém usa guarda-sol, nem protetor solar, nem a parte de cima dos biquínis...
(Coisas de mulher européia: se vestem com micro-saias e blusas com decotes comportadíssimos, daí vão para a praia usando fraldões e fazem top-less. Go figure!)
Outra coisa engraçada para mim é que Barcelona foi a primeira cidade que não me marcou por nada que eu tenha comido. Embora tenha comido bem, frutos do mar frescos e graúdos, fidéuas ( tipo uma paella com massa ao invés de arroz) úmidas e perfumadas e até uma milanesa exemplar.
Barcelona entra no meu acervo de sabores pelas coisas que bebi. Gaspachos que deixariam Almodóvar a beira de um ataque de nervos. Granizados de limão capazes de acabar com qualquer calor. Sangrias que deixam os clericots pretensiosos sem graça alguma. A clara – chop com refrigerante de limão. E a revelação dos mojitos.
Não qualquer mojito. O mojito da marca de rum Cacique Moreno. Sem aquela calda de açúcar mal dissolvido no fundo do copo, sem aquele gosto de pasta de dente que o excesso de hortelã dá, mas simplesmente perfeito. Cacique Moreno que jorrava de torneiras como as de chopp, mas que não é servido em todo e qualquer bar, o que nos proporcionou entrar em lugares muito pitorescos, atraídos pelo luminoso do rum.

E, por fim, Barcelona foi uma viagem shopping-free. Não compramos nada. Ou quase nada. Uns pares de menorquinas (umas sandálias de couro). E, claro, uma garrafa de Cacique Moreno!

Marcadores:

sexta-feira, julho 09, 2010


Falar sobre Londres nunca é o suficiente.
Não há como explicar a cidade, tão pouco minha relação com ela.
Londres mantém o que de melhor persiste da tradição e representa o que de melhor existe na modernidade. Londres é o elo perdido (ou achado?) e despretensioso do mundo como deveria ter sido e de como deverá ser. Londres é, ainda, o que o mundo deve continuar sendo.
Londres é uma ode a convivência de diferenças e muitas vezes de extremos.
Como o fato de que em dezembro anoitecia às 4 da tarde e que agora só anoitece às 10 da noite.
E Londres no calor é tudo isso em cores.
Dessa vez as cores eram as dos elefantes espalhados pela cidade na Elephant Parade. E pela overdose de moda anos 80 nas ruas.
Tenho quase certeza que os ingleses devem acessar algo como aúltimamoda.com todos os dias e saírem de casa na exata tendência. Nesse verão a vibe é Procurando Susan Desesperadamente.
Mas neles até isso faz sentido, porque a garotada toda entra na onda.
Aliás, me deixa falar sobre os ingleses e a beleza. Até os 15 anos, todos parecem personagens do Harry Potter. As inglesinhas ficam lindas até os 25 anos. Os inglesinhos só a partir dos 25. Aos 40 são todos feios. Depois dos 60, ficam velhinhos cinematograficamente fofos, tipo a turma de bridge da rainha mãe. E sexy appeal nunca é o forte deles.
Sempre insisto nas vantagens de voltar para lugares que a gente já conhece, porque acaba sempre descobrindo coisas novas (ou redescobrindo aquelas que pensava conhecer).
Dessa vez a gente pode conhecer o Royal Albert Hall e lá assistir uma das melhores versões que já vi do Lago dos Cisnes (numa produção de Derek Deane, de 1997), dançado por impecáveis 120 bailarinos do English National Ballet's num palco circular com 270º de visão. Pois é, o tal encontro da tradição e da modernidade com toda a excelência possível.


Ou assistir a banda marcial da Troca da guarda tocando trilhas do 007.
Também aproveitamos que a oferta de cervejas é menor no verão para explorar outro patrimônio alcoólico britânico: a cidra. E posso garantir que um Bulmers de pêra geladinha no final do dia torna qualquer vida mais alegre.
Claro, claro, os musicais. Não sobraram muitos na nossa lista. Mas mesmo assim tivemos uma bela surpresa com Jersey Boys, sobre a história de Frankie Valli and The Four Seasons, uma das bandas de maior sucesso dos anos 60, e que a gente conhece por musicas como Big Girls Don’t Cry, Walk Like a Man e Can't Take My Eyes Off You. Curtimos o retrozinho The Fantasticks em sua remontagem. E apostamos num bis de We Will Rock You numa das noites mais importantes dos últimos tempos, quando recebemos a notícia de que seremos tios (não tecnicamente tios, mas apaixonadamente tios!).
E participamos da hilária experiência do sing-along do Sound of Music num cinema onde devíamos ser as únicas pessoas não fantasiadas. Aliás, o clima já começou no caminho, com dezenas de “noviças rebeldes” saindo do metrô. Isso também é Londres.

Bom, e sim, falar de Londres e falar de compras. Não canso de roupa bem cortada e pelo preço justo. Não canso dos tamanhos certos e das calças e casacos com opção para altos, médios e baixos. As malas vieram cheias de roupas de linho, que até o menos tropical dos países saber ser a melhor opção para o calor.
E para nossa surpresa, é falar de novo de liquidações. Inclusive as disputadas liquidações de luxo da Selfridges e da Harrod´s. Selvageria civilizada, mas ainda selvageria. Balaios de Balmain, caixas de papelão cheias de bolsas grifadas sendo rasgadas por mulheres de olhos rasgados. Vidros de esmalte sendo agarrados, muito propriamente, a unha.
E uma bela oportunidade para lembrar que nenhuma glamour etiquetado resiste fora de seu contexto e que vista sem sua ambientação de vitrines, roupas são só roupas. E que depois de remarcadas, reviradas, provadas e devolvidas à pilha, nenhuma é menos ordinária que a outra. E principalmente, para lembrar que toda grife custa, enfim, pelo menos 70% a mais do que vale...

Marcadores:

quarta-feira, julho 07, 2010


Ir fica cada vez mais fácil.
Voltar não fica menos difícil.
Fim de férias.
Londres, Barcelona e Madri.
Londres é sempre Londres, o coração bate por lá. A cidade toda alegrinha de verão. As liquidações que liberam o selvagem que dorme nos olhinhos puxados dos orientais. Os teatros, o espetáculo de balé mais impressionante dos últimos tempos.
Depois, a Europa de bermudas.
Barcelona, a Copacabana européia, onde a classe média em euros vai molhar os pés nas águas do Mediterrâneo.
Madri, urbanamente linda e com cara de permanente de feriado. A melhor comida barata do mundo e os museus com o tamanho certo.
O corpo voltou, mas a cabeça ainda está por chegar.
Então, venho vindo aos poucos...

Marcadores: ,