sábado, novembro 13, 2010


É curioso, quiçá esperançoso de minha parte, dizer que o meu ano acaba em poucos dias. Sairemos de férias e só voltaremos para as festas.

Então, que a coisa anda numa correria. Porque é preciso deixar todo o trabalho em dia, e comemorar os aniversários nossos e da família que se acumulam no último trimestre.

Portanto, pouco sobra para o virtual.

É que no meu tempo sempre há tantas coisas para serem priorizadas...

E faz tempo que não falo de livros. Talvez porque não tenha lido nada excepcional nos últimos tempos(minto, li um dos piores livros de todos os tempos...). Mas dois merecem nota:

1822: como um homem sábio, uma princesa triste e um escocês louco por dinheiro ajudaram D.Pedro a criar o Brasil – um país que tinha tudo para dar errado, de Laurentino Gomes (Nova Fronteria, 2010). A continuação bem sucedida do ainda melhor 1808.

Li antes da eleição, como uma espécie de preparação. Mais uma vez rendo ao fato que Laurentino Gomes escreve bem, e torna ainda mais insuportáveis os livros de história que somos constrangidos a ler em nome da formação cultural acadêmica.

O ponto para mim é o “tinha tudo para dar errado e, no entanto, deu certo”. Sim, deu certo porque conseguiu acabar o processo de independência como um Estado único, com poder monárquico constitucional, o que por si só já era avançadíssimo para os padrões de então. Principalmente, evitou-se que o país fosse descaracterizado pelo desmembramento dos Estados federados separatistas ou destruído pelas guerras civis ou pela temida revolta negra.

Embora essas questões continuem recalcitrantemente atuais, o que cada vez mais me incomoda é nossa assimilação –mesmo que equivocada – do modelo português. Tivéssemos nós adotado o modelo espanhol (que para mim, aqui do sul, é um exemplo viável), não seria a nossa história totalmente diferente? Ou se tivéssemos, naquele 1822, optado pelo sistema confederado, já aprovado nos EUA?

Bom, não esperem que uma pessoa com a cabeça em pré-férias responda qualquer dessas questões.

O outro livro que preciso citar é o adorável Lê Petit Nicolas (Éditions Denoël, 1960), escrito e ilustrado por Sempé e Goscinny. Sim, é um livro infantil. Sim é escrito em francês. Mas é maravilhoso, irônico e divertidíssimo. E ainda desenferruja qualquer francês sem que se precise recorrer a um dicionário a cada cinco frases.

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