quarta-feira, outubro 12, 2011

Tenso, ativo e biodegradável

E por falar em mim mesmo, eu não compro causas perdidas, não entro em brigas que não ganhe e gosto muito de rir por último.

Embora não queira insistir no assunto mórbido da perda de minha avó, não pude deixar de perceber que ela foi a última referência de toda uma geração de minha família que se foi. Numa catarse de gosto duvidoso, pensar nisso me faz ver Mariah Carey cantanto How can I just let you walk away?/just let you leave without a trace...

Engraçado isso de uma pessoa sumir da vida da gente. Ah, mas ela segue viva por seus filhos, netos e bisnetos, disse o padre...

Mesmo que esteja bem resolvido com a idéia de não ter filhos e já ter realizado a fatalidade que meu legado artístico e intelectual não sobreviverá além de mim, tenho preocupações latentes com minha herança.

Talvez como uma compensação, me tornei um pequeno xiita da sustentabilidade. Como se tentasse garantir que minha existência não deixe um saldo negativo para o planetinha.

Não, ninguém me verá acorrentado a uma árvore, ou fazendo artesanato com garrafas pet. Tendo a evitar o caricato e tenho certa preguiça para atos públicos. Acredito mesmo é na grandeza multiplicadora da fé individual. Acho a persistência das pequenas atitudes é mais eficaz que a pirotecnia do radicalismo. Odeio toda a forma de radicalismo, inclusive isso de odiar alguma coisa...

Bom, o importante é que se não faço o que posso, pelo menos faço o que quero!

Preocupa-me, sobretudo, o lixo. Não gosto de desperdício (mesmo que goste de um excesso...). Não gosto de resíduos, de restos, de sobras. Comigo é tudo ou nada.

Orgulhosamente uso minhas sacolas ecológicas desde antes de serem chamadas assim, e mesmo que os empacotadores do Zaffari ainda não queiram entender do que se trata. Não compro produtos que tenham mais embalagem do que o necessário, prefiro sempre vidro ao plástico, papelão ao isopor, bonito ao feio.

No trabalho, ao invés de copos plásticos, uso a mesma xícara há mais de dez anos. Aprendi a ler tudo na tela do computador, só imprimo o que for indispensável, em frente-e-verso, com eco-fonte em modo rascunho. Dentro do possível não acendo a luz, abro a cortina, não ligo o ar, abro a janela.

Vejo o lixo de casa diminuir. Comemos quase tudo com casca, e só cozinho o que sei que vamos comer. Racionalizo o uso da água, controlo a hora do banho, a quantidade de roupa e louça a ser lavada cada vez. E tudo acaba sendo meio natural, virou parte da nossa rotina.

Já tinha contado aqui que queria rever a questão dos produtos de limpeza, mas que não encontrei sentido em espremer limões e peneirar bicabornato cada vez que precisasse limpar o fogão. Tão pouco funcionou ter a casa toda cheirando a vinagre. Na mesma ocasião reclamei que o preço dos produtos ecológicos era desestimulante.

Pois é, tudo mudou. Os produtos com compromisso sustentável estão mais acessíveis. Alguns são até mais baratos que produtos tradicionais. Há propostas diferentes, desde os que se restringem a uma embalagem econômica (mais produto e menos embalagem) até os que têm elementos que não agridem a natureza.

Confesso que tudo mudou mesmo por causa de uma “auto-brincadeira”. (Sim, eu brinco muito comigo mesmo, faço auto-piadinhas e me divirto comigo mesmo). Passando pela seção de produtos de limpeza, vi um rótulo que dizia: tensoativos biodegradáveis. Tenso ... ativo... sou eu mesmo: modo tenso ativar. Rindo sozinho, comprei um sabão líquido para roupas da linha Ecobril . O rendimento é incrível, o cheiro é agradável, a espuma é controlada e o frasco original ( de plástico reciclado) aguenta vários refis sem deformar. O tamanho é ótimo para transportar e guardar sem ocupar espaço. Mas o principal é que a ele efetivamente limpa a roupa.

Já testei o limpador perfumado de capim-limão para o chão da cozinha. Cheirinho bom, prático para a manutenção do pós-janta, mas não creio que encare o desafio de uma faxina de verdade.

Empolgado, parti para o detergente de louça. O de maracujá com alecrim não vale nada, não porque não faça espuma (o que até é bom, pois gasta menos água na hora de enxaguar) ou porque o cheiro seja enjoativo, mas exatamente porque não consegue desengordurar os pratos. O de laranja com gengibre funciona melhor, mas o rendimento deixa igualmente a desejar.

Então testei os da marca Amazon. Muita espuma e louça limpíssima, mas o cheiro da opção guaraná é horrível. O de açaí cheira melhor, mas ainda é muito forte e há algo na consistência que é meio inquietante e me mas querer enxaguar mais a louça, além disso, minhas mãos estão mais ressecadas. E a embalagem com pump já está entregando os pontos no primeiro refil.

Ainda não formei uma opinião sobre o amaciante Ecobril, estamos nos conhecendo melhor, porque as instruções de quantidade não pareciam fazer sentido para a minha máquina (um modelo que usa pouca água, é claro).

Tá, confesso que não fiz uma investigação sobre a veracidade ecológica dos produtos. Estou confiando no que dizem as embalagens e satisfeito com a redução de lixo pela oferta de refis. Porque eu sou tenso ativo, mas tenho mais o que fazer.

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1 Comentários:

Anonymous Regianne disse...

Descobrindo o cantinho adorável deste Lutti, hoje...Muito a explorar.

2/8/12 13:35  

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