A dificuldade em acabar estes textos sobre as férias é ter que admitir que elas já acabaram. Parece que se eu acabar de escrever estarei oficialmente transformando aquela viagem em memórias, estarei entregando-a ao passado (ainda que, felizmente, ao meu próprio passado).
Bom, ainda sobre comida, faltou dizer que fiquei muito impressionado com a limpeza de tudo o que envolve alimentação em Istambul. Das toalhas de restaurantes às grelhas de kebab tudo é hospitalarmente limpo.
Como adiantei, outra grande surpresa turca foram as compras.
Sabíamos que veríamos tapetes e luminárias coloridas. Sabíamos que haveria porcelana pintada à mão. Havia certeza sobre as jóias otomanas. E tudo isso estava lá.
Barganhar é mesmo necessário. Mesmo nas raras vezes em que há alguma etiqueta de preço nas coisas, trata-se apenas de uma referência vaga, vaga, sobre quanto se poderá pagar. Uma mesma tigela de porcelana orbitará entre 25 e 65 liras numa mesma tarde. Toalhas de algodão irão de 10 a 30 TL. Um brinco em prata começará em 200 e poderá ir para sua casa por pouco mais de 100. Compras em quantidade permitem descontos maiores. E em qualquer caso você sairá com a impressão de que não entendeu nada. Mas não se barganha em restaurantes, bares, farmácias supermercados e em lojas de cadeias mundiais.
Fizemos um pacto prévio interno de que não nos aproximaríamos dos tapetes. Resistimos às luminárias (que eram muito pesadas). Sucumbimos a todo o resto.
O famoso couro turco é questionável. O problema é que a Turquia é um paraíso da falsificação. De bolsas a cuecas, tudo tem uma logomarca pirateada. Daí que a gente perde a confiança no sistema... As jaquetas de couro eram mais para moto-boy do que para fashion icon. Mas há sapatos clássicos de boa qualidade e preço interessante. Um sapato masculino 100% couro custa menos de 200TL.
Há jóias para todos os gostos e bolsos. Muito ouro vermelho, mais ainda aquele amarelo fosco 23k que o mundo árabe adora. Mas não faltam opções mais ao gosto do tapetes vermelhos ocidentais. Evidentemente custam uma fortuna. Sim, se barganha. Muito. Os preços podem começar em mais de três vezes o valor final. Mas, de novo, a gente começa a ficar inseguro e sem confiança sobre o que está fazendo ou comprando. Para evitar potenciais prejuízos, restringimos nossas aquisições às peças de prata e pedras semi-preciosas.
A palavra turca que nos perseguiu foi indirim. Liquidação. Tudo estava em liquidação. Curiosamente acabamos comprando roupas emergenciais na GAP e na Benetton, que são lojas em que raramente entramos. Mas como Istambul é muito poeirenta, tivemos que comprar calças limpas(!).
E compramos cristais. Copos, garrafas, castiçais, por preços absurdamente bons. As pratarias também são acessíveis. O cobre é baratíssimo.
Por falar em preço bom, vale comprar eletrônicos na Turquia, os preços são pelo menos 40% melhores do que os nossos (será a carga tributária???).
O Grand Bazaar não impressiona quem conhece qualquer rua de comércio popular no Brasil. Os vendedores são meio antipáticos (se comparados ao estilo quase emocionalmente carente dos demais). As coisas são caras e padronizadas. Nos arredores, muita roupa de grife pirata.
O Bazar Egípcio é menor e tem um astral mais legítimo. As especiarias decepcionam um pouco (muita canela e curry, nada exótico ou desconhecido...), mas há castanhas incríveis e uma boa oferta de chás, além de tudo que se encontra no GB, em menor quantidade.

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