Um texto retórico para a metáfora da troca de cenário

Algo que às vezes preciso é de distância. Ou seria distanciamento?
É ver de fora, é ver de longe. Não é exatamente comparar ou medir, é sobrevoar.
E nem se trata só de uma questão de tempo. Às vezes é preciso deslocamento.
Mais ainda, para entender certas coisas preciso estar numa plenitude de felicidade que aqui cada vez encontro menos. Ou seria mais exato dizer menos intenso?
E se no episódio de hoje as coisas fossem sobre quem escreve e não sobre quem lê? Ainda que não haja dúvida sobre quem escreve ser o que escreve, tantas vezes me pergunto quem lê, o que lê, como lê...
Há em tudo o que escrevo, como em tudo que digo, sempre minha verdade. E, sim, sim, um tanto de clichê. Mas há também, quase sempre, mesmo na raiva, um cuidado com quem lê, com quem escuta e até com quem nem se a trabalho de escutar.
Confesso que me pego tendo esse cuidado comigo mesmo. Só que nesse caso, cuidado é só uma palavra covarde. De mim, eu tenho mesmo é medo. Medo de me escutar dizendo certas coisas ou, antes disso, medo de me enfrentar. Ah, porque se eu (me) falar algo eu sei que vou ter que (me) responder. E às vezes esse enfrentamento me dá um cansaço...
E visto daqui tudo parece tão claro. Tão oito ou oitenta. E eu tão agarrado no que acredito ser o final da história que acabo com medo de contá-la.
Acho que nem sei bem mais a diferença do medo, do cansaço, do tédio e da felicidade. Só sei que às vezes me empurro, às vezes me puxo. E quase nunca me deixo levar. Tudo está no lugar certo: onde eu coloquei. Eu odeio surpresas. Eu odeio mudanças. E eu não consigo ficar parado.
Não que eu seja inquieto. Acho que eu sou é inquietante.
O que quero esclarecer, não para quem lê, afinal hoje se trata de quem escreve, é que há mais a dizer, que há mais a ver. É a obviedade de que eu sou mais do que escrevo e digo. Eu sou mais do que consigo dizer, sou mais do que consigo explicar. Eu também sou silêncio. E isso diz tanto sobre mim.
E numa parte da vida que tenho aqui fora, tantas vezes não se trata de ser admirado, um pouco de respeito já me resolve.
Mas no resto e no fim das contas, eu acho que queria ser entendido sem ter que me explicar.
Ou vai ver, o que eu quero mesmo é ser adivinhado.
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