terça-feira, abril 24, 2012



            Numa manobra potencialmente perigosa comecei a ler O livro de ouro da psicanálise, organizado por Manuel da Costa Pinto (Ediouro, 2007).
            Tenho sérias restrições a esse tipo de livro que pode parecer um menu degustação, mas acaba quase sempre com gosto de bufe a quilo: muita variedade e pouca qualidade.
            Só que às vezes eu preciso de umas leituras de manutenção. A idéia é reavivar algumas leituras antigas e repensar alguns conceitos anteriormente apreendidos. Como não tenho tempo – e acho que nem mais concentração – para reler meus clássicos da adolescência, acabo recorrendo a coletâneas de filosofia e de psicologia. Afinal, sempre é bom reavaliar minhas concepções sobre o mundo, sobre os outros e, principalmente, sobre mim mesmo.
            Bom, o livro não é lá grande coisa... tão pouco era Freud.
            E se eu já tinha há muito revisto minha opinião teórica sobre o “pai da psicanálise”, agora me vejo repensando o homem por trás da teoria.
            Ah, sim, numa coincidência junguiana também vi Um Método Perigoso, de David Cronenberg. Mas o filme é tão  ruim que não acredito que tenha me afetado além da tortura dos seus 99 minutos.
             Mas não é sobre Freud, inveja e recalque que quero falar.
            O que me fez escrever hoje é justamente o não escrever.
            Ainda que, ou justamente porque acredito na cura pela palavra, é que não tenho conseguido escrever. Talvez porque simplesmente a felicidade não inspire em mim palavras o tanto que inspira ações.
            Eis  uma plenitude que bem conheço - e agora reconheço
            Claro que problemas sempre há por aí.
            E na plenitude – essa que agora sinto – há que conviver com a sombra da angustia da sua finitude ou mesmo a ameaça de sua interrupção. Por isso felicidade é sempre um enquanto isso.
            Então não há tempo a perder. E ainda que pudesse haver muito a dizer, a escrever, me desculpem, há mais ainda a viver.
           
           
            

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1 Comentários:

Anonymous Priscila disse...

O que posso dizer. Nada melhor como a ausência.

31/5/12 16:18  

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