Numa
manobra potencialmente perigosa comecei a ler O livro de ouro da psicanálise,
organizado por Manuel da Costa Pinto (Ediouro, 2007).
Tenho
sérias restrições a esse tipo de livro que pode parecer um menu degustação, mas
acaba quase sempre com gosto de bufe a quilo: muita variedade e pouca qualidade.
Só
que às vezes eu preciso de umas leituras de manutenção. A idéia é reavivar
algumas leituras antigas e repensar alguns conceitos anteriormente apreendidos.
Como não tenho tempo – e acho que nem mais concentração – para reler meus
clássicos da adolescência, acabo recorrendo a coletâneas de filosofia e de
psicologia. Afinal, sempre é bom reavaliar minhas concepções sobre o mundo,
sobre os outros e, principalmente, sobre mim mesmo.
Bom,
o livro não é lá grande coisa... tão pouco era Freud.
E
se eu já tinha há muito revisto minha opinião teórica sobre o “pai da
psicanálise”, agora me vejo repensando o homem por trás da teoria.
Ah,
sim, numa coincidência junguiana também vi Um Método Perigoso, de David Cronenberg.
Mas o filme é tão ruim que não acredito
que tenha me afetado além da tortura dos seus 99 minutos.
Mas não é sobre Freud, inveja e recalque que
quero falar.
O
que me fez escrever hoje é justamente o não escrever.
Ainda
que, ou justamente porque acredito na cura pela palavra, é que não tenho
conseguido escrever. Talvez porque simplesmente a felicidade não inspire em mim
palavras o tanto que inspira ações.
Eis uma plenitude que bem conheço - e agora
reconheço
Claro
que problemas sempre há por aí.
E
na plenitude – essa que agora sinto – há que conviver com a sombra da angustia
da sua finitude ou mesmo a ameaça de sua interrupção. Por isso felicidade é
sempre um enquanto isso.
Então
não há tempo a perder. E ainda que pudesse haver muito a dizer, a escrever, me
desculpem, há mais ainda a viver.
Marcadores: carta ao leitor

1 Comentários:
O que posso dizer. Nada melhor como a ausência.
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