segunda-feira, fevereiro 27, 2012


A história não é nova. Todo verão é a mesma coisa: os colegas com filhos precisam aproveitar as férias escolares e os colegas sem filho precisam tocar o trabalho. Na minha cota, trabalhei por três.

Mas isso é só uma parte da história.

A outra é esse casal francês meio provençal meio Paris pós-guerra que mora no meu alterego (ou quiçá no meu superego...). Pois, que quando chega o verão, Monsieur e Madame ficam agitadíssimos. Ele resolve pintar paredes, consertar móveis, portas, janelas, arrumar buracos no gesso. Esse ano até azulejos ele rejuntou. Ela precisa aproveitar a estação e arrumar as floreiras, e lavar toda a roupa pesada, as cortinas, as almofadas. E precisa encher vidros de conservas coloridos de tudo que não vai florescer no inverno. Bem, Madame não aceita muito bem o freezer e nem entende o sistema de fornecimento globalizado.

Evidentemente nessa recessão francesa psicológica não se admite ajuda de profissionais do ramo. Tudo foi feito na base da bricolagem e do google.

Então a rotina nos último mês foi trabalhar de segunda a sexta até às 19h e nos finais de semana suar nas obras domésticas.

Tudo isso na plenitude da vida doméstica e sem comprometer muito as rotinas habituais, e tentando manter alguma vida social e cultural.

Há nisso tanto a aprender. Há que se lembrar o quão importante é manter um estoque de sonhos que caibam no possível, e que nos exijam iniciativa e projeto.

E definitivamente precisamos da sensação de dever cumprido, de vencer o ciclo, de deitar na cama e dormir profundo. um sono justo, não um desmaio.

Porque me cansa muito essa modernidade de correr atrás do próprio rabo. Tudo é grandioso e importantíssimo? Eu só vejo um círculo maior e cada vez mais torto, levando-nos sempre ao inexorável destino do próprio rabo. Metas mutantes me entediam. Essa coisa de ter que chegar lá, sem saber o que lá é... não, não me estimula. Sempre fui muito cético, E agora estou ficando preguiçoso. Preguiça de viver à toa.

A moral da história é que há muito tempo não me sentia tão bem. Tão leve, tão tranqüilo.

Não exatamente saciado, mas honestamente satisfeito.